Segunda-feira, Maio 04, 2009
Viu escurecer e
ficou noite.
Quinta-feira, Abril 02, 2009
Minha vida amorosa e a sua...
Ainda prefiro ser passarinho.
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
Eu quero!
Quarta-feira, Janeiro 21, 2009
"... e se viu ferido justo na garganta"
Pequenos e invisíveis tubos sugaram através de minha boca e narinas todo o ar existente em meu corpo naquele instante. Minúsculas luzes amarelas e piscantes acenderam diante de minhas retinas e pareceram fazer minha garganta arder e se fechar. Nenhuma palavra foi possível, apenas lágrimas quentes escorrendo nas bochechas em brasa. Já não via mais nada. O tempo eu já não sabia mais se passado ou presente. Quem era eu e o que me feria? Qual a razão ou era sua ausência que me fazia cair numa armadilha feita pra pegar passarinho ferido. Ferida, caí. Fui pega, tomada, sufocada até a inconsciência absoluta. Acordei no chão e já não podia levantar, porque me faltava parte do corpo.
Sábado, Dezembro 27, 2008

No dia em que morri, pouco antes propriamente de morrer, lembro que a dor era muito grande, foi a maior dor que já senti. Começara dias antes, não sei bem ao certo quantos, mas os sinais foram se espalhando pelo corpo um a um. Hematomas pela pele, fisgadas nas extremidades, uma falta de ar indescritível, pontadas no peito e o cansaço de uma longa e difícil vida. No dia de minha morte, poucos minutos antes, eu já pedia pra partir depressa, o mais rápido que pudesse, pois continuar daquela maneira era torturante e para alguém tão pobre e sem recursos o melhor era evaporar e poupar mais dor, para si e para os demais. Então morri. Mas antes disso, segundos antes disso, a dor se foi. Como o milagre que nunca cheguei a pedi por não mais acreditar, a dor deixou de existir. Ou será que já não conseguia mais senti-la? Morrer dói muito. É a maior dor que se pode ter. Viver não dói nem um terço, por pior que seja a qualidade da vida. Mas depois que se morre a dor acaba. Não se é tomado por um alívio e sim por um buraco completamente vazio e escuro. Custa-se a entender onde está e como respirar lá dentro, até que os sentidos todos se adaptam as novas formas das sensações e começa-se a perceber que pode haver calma no meio de tanto ausência, pois nada mais pode lhe faltar já que está morto e não necessita de mais nada. Daí lhe oferecem outra chance de viver. O problema de viver novamente não é a readaptação ou os percalços tão sutis da vida – que só percebemos o quão sutis depois da morte. O problema de viver novamente é a certeza da possibilidade de sentir novamente a dor da morte. E tudo isso para quê? Não, não há nenhum céu a sua espera.
Domingo, Dezembro 14, 2008
Isso aqui nunca foi literatura
Permito-me não mais refletir profundamente sobre a vida e os sentimentos, sejam os meus ou os alheios. Há um ar de indiferença nítido em meus olhos e em meu quase sorriso. É bem verdade que nunca fui de rir muito, primeiro pelo tamanho das bochechas (reduzidas a menos da metade), segundo pela tristeza, parte integrante da minha pessoa – ingrediente ao qual decidi não mais lutar contra por me ver derrotada em todas as batalhas. Decerto não há de ser algo que inexiste em mim o vencedor dessa contenda.
Quero-me assim, já que existo e à isso não posso modificar.
Quero-me inerte, semi-acordada, como quem nada teme porque nada deseja, nada pede para não sofrer a dor de negarem-lhe ou a de perder.
É assim que estou. Não sei por quanto tempo. Só sei que sempre que a possibilidade das batidas me chega próxima à porta, faço-a desviar com o olhar de quem não suporta mais o preço que se paga pra viver.



