Danae

Danae
Klimt, Gustav

terça-feira, dezembro 25, 2007


Eu não sei ser só.
Meu coração não sabe estar vazio.
Também não consigo ser de companhia.
Quando junto, desejo estar sozinha.
Não sei ter paz, mas não declaro guerra.
Não sei amar, mas não carrego ódio.
Falta-me operância para a vida.
Falta-me uma alegria que sequer perdi.
Falta-me a paz para amar sem dor.
Falta-me o sol para amar sem amargura.
Falta-me a chuva para amar sem pena.
Falta-me outra vida e mais tempo.
Falta-me não ser mais quem sou agora.
Falta-me um quê que a vida não me deu.

Carolina Miquelassi
[25.12 / 19:54]
.
“...não estou postando esse texto aqui, estou enterrando. Preciso que todo este sentimento desapareça”

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Nunca há uma história de amor para ti.
Seus finais são sempre Casablanca
Nos quais você é Hunfrey Bogart sem cigarros pra consolar.
Não há lenço nas despedidas, apenas um mar de gotas salgadas.
O que amas não é teu, o que queres partiu... Em dois pedaços inteiros.
Nada é para ti.
Não peças amor se é delito querer demais.
Amor não há, amor não há.
É fruta do pé vizinho
Não podes provar.
Destino de Camélia, de dama da paixão
Não desejes nada nobre
Tua nobreza é o linho
Não és Simone de Beauvoir.
Mereces observar os destinos dos amantes
E ornar a vaidade dos homens com fantasias
Mas amor não é para ti, cretina!
Amor não há, amor não há.
Ocupas os sonhos mais lascivos dos homens, mas não seus corações.
És digna dos desejos dos homens, mas não de seus amores.
És merecedora das palavras dos homens, mas não de desfrutar de seu convívio mais profundo.
A você são voltados os beijos e os toques dos homens, mas não seus planos e seus futuros.
És colchão e prato pras fomes dos homens, mas nenhum deles (se)quer (pode) saciar tua verdadeira sede.
[Carolina Miquelassi]
[21.12 / 06.23]
... "Comecei esse texto há mais de 3 meses e terminei hoje, em meio a uma crise de TPM violentíssima. Não quero me sentir assim novamente, portanto vamos encarar isso tudo como uma obra ficcional em que qualquer semelhança com fatos reais seja mera coincidência." ;)

quarta-feira, dezembro 19, 2007

A ferida e o dedo


A ferida por vezes lateja,
Por vezes coça,
Por vezes inflama.

A ferida está em relevo
E se não a vejo
O dedo sente.

A ferida em dias de chuva
Alerta a chegada dos pingos
Avermelhadamente.

A ferida repuxa, descasca
E cicatrizada
Ainda é ferida viva.

Todo dedo quer uma ferida.
E ela do dedo se esquiva.
Ela do dedo tem medo.


[Carolina Miquelassi]
[19.12 / 04:35]

As vezes eu escrevo cada coisa besta...

quinta-feira, dezembro 06, 2007


Homem-anjo de fogo
Em toda a sua andança
Não esqueça a quebrança

Que sente este coração distante

Inoperante querer, mitigado
Anestesiante passagem das horas
Tantas horas que se fizeram vida
E da vida não posso esquecer

Homem-anjo de fogo
Fez-me
carvão incandescente
Fez-me cantante e demente
Mas nunca na vida infeliz

Ao puxar-me brasa
Não havia lugar para arder
Não havia tempo para amar
Mas havia pra não morrer

Homem-anjo de fogo e sangue
Colhe-me o que resta de amor
E sempre há de restar amor
Homem-anjo de fogo e sangue


[Carolina Miquelassi]
[06.11 / 16:01]

domingo, dezembro 02, 2007



Versos postumamente lúbricos.

Quero te dar meu corpo em negros lençóis azuis
de rubro cetim macio e brilhante.
Dar-te corpo apenas, nada mais.
Porque nada mais de mim necessitas.

Palmilhando cada poro teu
e deles fazer sangrar teu suor sacrifício.
Cada milímetro de pele memorizado.
Arrancar-te pequenos vestígios,
guardados sob as unhas.

Toda curva e ondulação, protuberância,
gravadas na memória táctil de minha língua.
E não saber mais onde finda minhas mãos
e principia teus cabelos.

Nos teus joelhos pousar um beijo
avançando longa e lentamente...
Doloroso prazer causar-te aos meus lábios
em que língua e leite não se separem.

Na garganta deixar brotar rouco
o som da fonte desse mistério.
E ver que o tudo é sempre tão pouco
sem alma, o teu amor estéril.


Carolina Miquelassi

...

abstrair vídeo, ouvir música
http://br.youtube.com/watch?v=KDf4Pnw0ngQ&feature=related

segunda-feira, novembro 19, 2007

°entre a fogueira e o mar°


Entre tantos sentimentos errados
que eu tenho que sufocar.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim restará?
Entre tantos conflitos armados
que tenho no coração.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim quer se achar?
Entre tanto azul e arame farpado
que o vôo não sabe a direção.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim voltará?

Entre a fogueira e o mar.
Entre arder e afogar.
Entre perder e deixar.
Não te sintas seguro no amor,
ele é afogador,
afaga todas as ilusões,
afoga todo o teu calor.


[Carolina Miquelassi]
[07-18.11 / 21:13]

domingo, novembro 11, 2007

enforquemos o cupido.


sou eu que penso,
pendo
e mudo de idéia
quantas vezes for possível... e um pouco mais

pode ser que eu nunca saiba pra onde
pode ser que eu nunca queira ir muito longe
não vou querer pra amanhã o que quero hoje.
quero o agora, este minuto que não responde.

daí que ninguém me acompanha.
daí que ninguém permanece.
porque a minha forma de viver
ou cessa de querer ou se esquece.

[Carolina Miquelassi]
[06-11.11 / 23:10]

.
.

"Tu e esse teu jeito de ser tudo"

segunda-feira, outubro 08, 2007

Quando a gente acha que não sabe mais pra onde ir deve vir pra dentro!
=*

domingo, outubro 07, 2007


É inútil querer reter nas mãos o que só o coração comporta.

Vou mudar
e mudar novamente
e mais uma vez...
Até enquanto eu puder,
até não ter mais poeira nos olhos,
até o velhinho na esquina ficar com a barba azul,
até meus peixinhos nadarem em cima da minha barriga

Não me faça perguntas!
Já disse; em mim não há nenhuma convicção!
Hoje quero, amanhã também (ou não)...
Não sou nada por muito tempo,
nem sempre consigo permanecer
ao mesmo tempo tenho tudo em mim
... guardado, num frasco de vidro marrom,
pílulas pra ficar acordado... (às vezes pra dormir)


.......................................................................................................

"— Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes
Que um outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes —
Um outro que eu não posso acorrentar..."


[Mario de Sá Carneiro]
.......................................................................................................
.
"eu venho importunando alguém pelas madrugadas solitárias
que já não são mais tão solitárias nem vazias, apenas aflitivas...
meu cérebro coracional me diz que não devo ter medo, muito menos
me culpar, mas algo chamado sensatez me manda ter vergonha na cara
e procurar algo de mais utilidade pra fazer...
- É útil sentatez!
- É errado, sua louca!
- É um erro louco... Paixão é arte e arte não precisa ser útil!
- ...
- É isso! E tenho dito! Vá dormir consciência falida!
- ..."

terça-feira, outubro 02, 2007


Não encoste sua palavra em mim... A pele queima.
Não imprima seu verbo aqui... A alma geme.
Não toque firme meu desejo... A paixão começa.
Não explore meus silêncios... A boca delira.
Não aqueça meu ventre em profusão... O rumor emana.
Não transpareça minha cor... As mãos aguardam.
Não violente minhas saudades...
.
Agora é tarde, porque todos os meus pedidos foram negados no momento errado...
Eu sempre andei pelos caminhos errados...
Eu sempre cheguei atrasada em todos os lugares...
Eu sempre enxerguei muito tempo depois de ter visto...
.
.
"Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes
Jamais se detém Kronos, cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo."

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

sábado, setembro 29, 2007

É isso aí. Não me peça explicação se eu tô dizendo que chegou ao fim minha paixão. Não me pergunte quanto tempo pode durar... Em mim então, um ano ou um dia... (e lembre-se que houve inanição) Só não muda a intensidade... Mas no fim é tudo nuvem, chuva e terra molhada. Não se preocupe em me entender...
Não perca tempo tentando decorar o formato de uma nuvem, de uma bolha de sabão. Nem tente ter nada disso nas mãos... Por muito tempo.
Não me julgue. Leviana... Não sei. Inconstante!!!

Ai montanha russa... Amanhã, não sei o quê!

[Qualquer semelhança com a vida real é (ou não é) mera coincidência]

[01:10 / 29.09]

terça-feira, setembro 25, 2007

O último tango em Paris


// Meu corpo está exalando mais palavras em gestos inoperantes
que minha mente muda que muda a todo instante... Não sabe mais calar//
[14.09]
.
.
É uma vontade de não dizer que me toma.
Sensação de inutilidade em todas as coisas dizíveis.
Nada pior que palavras inúteis... Que sentimentos inúteis...
Nada pior?

Necessito-me calar.
Preciso de silêncio dentro de mim.
Venho buscando esse silêncio há tempos,
agora ele me cai como uma necessidade de ar.

faltadear...

Não estou encontrando final para nada do que escrevo...
Eu nunca soube mesmo terminar nada...




Quanto mais eu não digo mais as palavras falam dentro de mim.
Elas me surgem na hora em que me deito
como se para que eu (sempre eu) tivesse que fazer a escolha difícil,
levantar para não perde-las ou me deixar dominar pelo sono, pelo sono...?

[12:36 / 25.09]

sábado, setembro 15, 2007

Ao som d'O Teatro Mágico - O Anjo Mais Velho
.
.
Meu coração está explodindo em inúmeras sensações

novas,desconhecidas, reveladoras.
Portadoras e reveladoras de nenhuma verdade ou
segredo algum oculto no kósmos.
São estranhezas de mim. Sinto-me renovar.
Um ciclo, deve ser o ciclo do qual fala o horóscopo... No qual já não sei mais se creio.
.
As palavras estão perdendo o sentido.
Repita qualquer palavra muitas vezes, exaustivamente!
Não resta sentido.
Qualquer coisa deixa de ser o que era,
foi ou parecia ser...
Todos os significados me soam falsos e inconsistentes.
Falta-me fé ou falta poder de convencimento às palavras.
Tudo não passa de conceitos forjados em barro não cozido.
O constante sereno vai desfazendo a forma construída pelas mãos.
Um pouco mais de tempo e a forma já não é.
.
A palavra amor caiu de seu pedestal
assim como Deus, por mim, um dia,
foi destronada.
.
Amor pode ser criada, recriada, reinventada
reincorporada à nossa realidade ou necessidade
ou ser qualquer coisa que se queira que seja.
O amor não tem cara, nem cheiro, nem sexo
assim como Deus.
Portanto, Deus é aquilo que eu creio
e o amor pode ser também.
Sem regras criadas pelos homens,
sem obediência a ninguém.
.
.
Tudo é só o princípio de tudo.
“E o fim é belo incerto...”

domingo, setembro 09, 2007

Camille Claudel

Eu permaneço a andar em círculos dentro da minha cabeça.
Algum som de realejo vindo lá de fora me hipnotiza.
Me faz seguir a rodopiar em torno do meu eixo perdido.

Ensurdeço com o som do meu silêncio.
Quem foi que disse o silêncio não grita?

...
Coração adúltero, perverso, promíscuo,
salaz, confuso, extremo, insatisfeito,
eternamente faminto de mais e mais ...
Vazio, desértico, oco.
É quase tudo sempre pouco,
quase um etíope de tanta fome.
Quase um catálogo,
quase uma esquina,
um show de rock,
uma arquibancada das Diretas
Já!
O é e sempre há de ser
a tempestade em ventos e chuva
que leva e lava os esquecimentos.
Que molha e lambe os meus desejos
(In)Finita fome!
Infame!
Insana!
Insone!

...
Pra quem não dorme,
pra quem a fome não passa,
pra quem a falta não acaba,
pra quem não sabe o que é amor
e no entanto não vive sem ele
a lhe estourar no peito
sempre como uma promessa
de nada querer, de nada lhe dar.
.

[23:30]


sexta-feira, setembro 07, 2007


o que começou como uma resposta ao coment. de Dyego no post anterior ...

:(
o meu querido poeta já dizia 'o pra sempre, sempre acaba' ... ele só dura enquanto é pra sempre. Daí vem outro poeta que diz 'que seja eterno enquanto dure' ...
mas eu nem sei se acredito mais no amor, não no amor que sempre acreditei.
Sempre amei errado, sempre quis mais do que devia, sempre chorei nas horas impróprias, sempre fiz planos quando não podia.
Não, não creio mais nesse amor.
E se ele é uma escolha, como me disseram, como escolher a pessoa que queira receber nosso amor???
Não me venham com mais nenhuma teoria. O meu amor está morrendo 'o meu amor, o meu amor, Maria’* que era sempre o mesmo assim como ‘o fio telegráfico da estrada’* , entrou em curto circuito, explodiu. E nenhuma andorinha foi ferida ...

.
.
Eu continuo esperando ardorosamente o momento de não sentir mais NADA.
.
*Poeminha sentimental de Mario Quintana

terça-feira, setembro 04, 2007

Camille Claudel, "O Abandono", 1905

Pra ser lido ao som de Hallelujah - Jeff Buckley
http://br.youtube.com/watch?v=AratTMGrHaQ


poema/concerto para quatro mãos in câmara escura

As cordas de minha pele
há algum tempo adormecidas,
mal tocadas, feridas, mutiladas ...

Os acordes de minha carne
emudecidos, imolados, duramente abafados,
esquecidos de seu som ...

Acalentados por um sopro
distante, oloroso e quente.
Em meio ao sonho ‘luxurioso’
do qual não conseguem despertar.

Tocadas no aço que se fez tremura
por dedos inflamados de paixão,
num átimo, condenados ...
Não eram mais frios os meus acordes exaltados.

Concerto pulsante de fulgor e medo.
Entre lágrimas e ânsias,
entre o que ganho e o que peco (perco).
Em melodia suspirosa amanhecemos.
.
[11:48 __________ 00:12 / 04-05.09]
... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. .
.
"Eu lucro pela cor do trigo.
Eis, o meu trigo!"
.
[Carolina Miquelassi]
'Colher' bolas de sabão ...
possível!!!
mas quanto tempo telas nas mãos???



domingo, setembro 02, 2007

"E porque vivo num filme Drama e as pessoas em redor num Romance? Como saio de prateleiras?"

Frase retirada de um post do Buraco Branco
http://buracobranco.wordpress.com/

Ce Que Je Suis - Holden
http://www.youtube.com/watch?v=ijiAas3DI2U



existe um anjo que nunca o foi.
nunca tive (tanto) medo de um anjo ...

terça-feira, agosto 28, 2007


Ok, eu precisava postar isso aqui.
Talvez você não faça idéia da importância que essa conversa teve pra mim ...
Pro meu dia, pra minha tarde, pro meu coração ...


>MiGuEl RuDe diz:
ia dizendo q é emo
>MiGuEl RuDe diz:
reclama demais pq é frouxa
>MiGuEl RuDe diz:
pedala carol!
(...)
>MiGuEl RuDe diz:
eu peço q galgue os degraus
>MiGuEl RuDe diz:
mas vc acha q elevador nunca vai dar defeito


Sou mesmo alguém que não sabe amar e que vive em busca de um amor de verdade mas que é pura invenção. Amor que nunca irei encontrar porque é puro fruto da minha cabeça. Melhor mesmo eu desistir... Ao menos por enquanto.
Sei que não é o que você me disse pra fazer, mas... Sou FROUXA!!!

sábado, agosto 25, 2007

quando não se sabe mais nada ...


A gente se acostuma com o que idealiza
e é difícil aceitar a realidade dos nossos sentimentos.
Quase não me conheço,
muito pouco sei de mim.
Me assusto e redescubro a cada instante.

Cada vez possuo menos convicções.

(...)

Não sei se me compreendes.
Que minha distancia é pra eu poder respirar.
Que tudo que evito é tudo que quero tocar
...


___________________________
“Eu tenho medo do inefável,
medo do que é instável,
medo do beijo que eu não dei (...)
medo, falhas, navalhas no espelho”

quarta-feira, agosto 22, 2007

Lições sobre o silêncio

Silenciar o que calo aqui dentro
É tarefa de carpinteiro.
E você não entenderia, não, não entenderia.

Tão difícil quanto compreender o sentido real de ‘calar’ ...

Ao mesmo tempo baixar a voz,
ao mesmo tempo penetrar, transpor, atravessar, invadir.

Abro calas ao som que me transpõe.
Baixo o som – pra fora – do que me invade, penetra.
Gravo com dedos e anzóis as linhas de corte do meu silêncio.

Imponho meu silêncio aos seus ouvidos.
Abafo e transponho para mim todos os sentidos.

Cala-me n’alma esse som batido,
silencioso e oco da palavra caindo ao chão.


Encontro assim, portanto a minha definição de agora para ‘calar’:
Imprimir n’alma a palavra que não sairá mais da boca.



... .. . ... .. . ... .. . ... .. .
Calar¹
Do lat. vulg. *callare, ‘baixar’, esp. ‘baixar a voz’,
Calar²
Do lat. calare, ‘fazer baixar’, ‘fazer penetrar’, gr. chalãn, ‘soltar’, ‘baixar’



quinta-feira, agosto 16, 2007

... um pouco mais de paciência

Ô coisa doída é matar um sentimento!!!
A gente morre um bocado ...

Resta agora procurar onde ainda há vida aqui.


...

"mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
a vida não para"

segunda-feira, agosto 13, 2007

E eu que jurava que estava esquecendo ... ou Ao Homem de Lata ou Já que eu não aprendo.


Eliminar lembranças.
Naquela caixa vou guardar
todas as que ainda me causam saudades.
O primeiro olhar com cheiro de espiga de São João.
A primeira noite que traçou sem piedade e pressa nosso fim.
A primeira saudade que de tão guardada já eu nem recordava mais.

As primeiras reais palavras.
A minha primeira convulsão no peito.
A primeira vontade de desistir ...
Seguida do primeiro encontro de lábios.
A primeira despedida.
E toda a conquista ... Displicente, para ambos???
Todo o despertar do desejo ...
E toda a necessidade ...
Toda a falta ...
Toda a contínua e aflitiva vontade.
E todas aquelas (estas) lágrimas também.

Dobro e ponho no fundo da caixa
(nada de ordem cronológica)
nossos corpos deitados lado a lado,
o cheiro da sua pele,
seu rosto de criança ao dormir,
sua respiração ...

Elimino as lembranças do meu dia-a-dia
e guardo-as muito bem conservadas nesta caixa.
Em meu peito não cabem mais tantas recordações
sua saudade ocupou mais espaço do que havia.

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sexta-feira, agosto 03, 2007

Homicídio amargamente qualificado

foto by: Gilson Rodrigues

Estou ao pé de minha dor
Derramo agora por ela minhas derradeiras lágrimas.
Estou ao pé de seu jardim (jazigo).
Não que ela esteja agora morta,
mas a estou sepultando.
Não sei bem ao certo ainda se quero mesmo mata-la.
Quero olhar um longo tempo para esta dor
e vê-la pouco a pouco morrendo,
lentamente, pelas mão de um algoz desconhecido..

Aparecerão os primeiros fios de cabelos brancos
em minha esperança.
Quase nada de certeza.
Quase nada de paixão.
Quase nada de misterioso e bom nesta vida.
Mas esta é a vida.
A única vida que tenho.

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segunda-feira, julho 30, 2007

"... e agora a chuva em meu rosto me faz chorar"

domingo, julho 22, 2007

Às vezes é bom visitar antigos sítios.
Tudo se trata do momento certo.
Eu realmente não quero continuar residindo no “misterioso país das lágrimas”.
Mas sair dele não depende só da vontade.
Eu preciso enxergar algo a minha frente.
Viver sem nada nas mãos, sem nada por colher, sem nada esperar ...
Seria o ideal, mas é vazio demais pra que eu possa suportar.
Não sei viver sem paixão, não mesmo.
E não concebo que alguém consiga respirar sem ela, muito embora por vezes ela nos tire o ar e ...

Quando eu era criança desejava saber como era viver num apartamento.
Desejava subir na parte mais alta da igreja em frente a minha casa.
Desejava fazer um passeio sozinha pela rua.
Uma vez escapei de meu pai no Museu do Ipiranga em pleno desfile de 7 de setembro.
Dei uma bela volta sozinha e livre pelo jardim do museu. Quando retornei meu pai estava pálido, morrendo de medo de eu ter me perdido. Acho que foi minha primeira grande aventura.
Eu deseja ter um irmão.
Desejava que não tivesse mais enchentes.
Desejava estudar à tarde pra não ter que acordar tão cedo.
Desejava

Acho que meus desejos (outros, não estes da infância) estão perto demais de se tornarem realidade ou outros são improváveis demais de se realizarem algum dia. Talvez por isso eu me sinta tão inerte, tão sem perspectivas e ilusões. Se bem que as ilusões nunca foram muito boas comigo, mas é triste admitir que sem elas é pior e que são elas que fazem a gente ter coragem de agir e sair do lugar. Assim como a Utopia ...
O que se faz quando não se espera mais nada? Quando não se acredita em mais nada? Quando não se acredita em surpresas nem em milagres? Quando se está cético para tudo e todos? Quando não se crê mais no amor e nas amizades?
Será esse o mal de uma geração?
Será esse um mal particular?
Como voltar a crer e esperar depois de tantas coisas destruídas?
Existem realidades das quais tomamos conta que nos transformam para sempre.
É impossível fingir não saber de nada, apagar da mente e continuar.
Há dores que nos destroem a ponto de não nos permitir mais amar.

Falta-me fé em mim mesma.
Faltam-me desejos.
Ou falta-me a coragem de torná-los realidade.

Quando se é criança podemos de tudo sonhar, tudo está tão longe de deixar de ser sonho.

terça-feira, julho 17, 2007

Ao Anjo da Lucidez

Pobres das pedras que não choram, não sangram, nem tremem de amor.

Eu não sou pedra, nem quero tornar-me uma!!!


Conserva-me a lucidez desse instante! Caralho*, eu sou feliz!


“Faça bom proveito do seu coração de lata.
Como o sol minh'alma continua intacta”
[Zeca Baleiro]

... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. .


*descobri q o word é deveras puritano ...

quarta-feira, julho 11, 2007

Carta de um breve adeus a uma breve (?) paixão.

Despeço-me aos poucos de meus sentimentos por você
Não entendo o porquê de gostar tanto de sentir isso ainda...
Aquela terrível sensação de estar perdendo algo fundamental,
de estar deixando algo que me fará eterna falta.
Fico sempre a me perguntar se sentirei tudo isso novamente.
Tenho medo, independente de qual for a resposta que o tempo venha me dar.
“Foi a última vez”, eu digo toda vez...
Foi nada demais “então pra quê chorar?
Quem está no fogo está pra se queimar, então pra quê chorar”

Despeço-me a cada palavra, a cada silêncio,
a cada lágrima que você não vê nem verá.
Perdi qualquer certeza que eu pudesse ter
acreditado possuir na minha vida.
Acho até bom não ter certezas.
Idéia louca que me bateu agora... E se você lesse isso?
Você lerá, porque resolvi agora que vou te mandar isso.
Sabe, num estou mais preocupada.
O que eu tenho a perder é o mesmo que tenho a ganhar...
Não sei como eu reagiria no seu lugar, não quero nem pensar nisso.
Tudo que escrevi nesse bendito blog
nos últimos muitos dias (alguns meses) tem sido pra você.
Não quero continuar com a certeza de que você não leu.
Não vai mudar nada.

Não sou criança como possa vir a parecer,
sou mulher e isso em matéria de coração partido
é imensamente mais drástico, pode acreditar.
Pode ser que se diga "como ela é boba, se iludiu porque quis,
eu nunca insinuei que corresponderia a todos esses sentimentos".
E eu com isso!?
Sempre soube... EU APENAS PRECISO DIZER EM LETRAS GARRAFAIS PRA VER SE ISSO SAI DE DENTRO DE MIM.
Não quero mais me esconder.
Só quero esgotar isso tudo.

“Quero lembrar de você até perder a memória”
Quero que termine já que não poderá viver.
Quero abortar esse feto natimorto que é meu ‘querer-bem’ por você.
Porque ele precisa do seu sangue pra viver,
mas este encontra-se temporariamente congelado não é mesmo...
Pense o que quiser e diga o que quiser
ou não pense e não diga nada se assim quiser.
Não apago minhas palavras nem os meus atos,
mas preferia apagar alguns sentimentos...
Não me entenda mal.
Ausento-me de mágoas, raiva ou algo semelhante.
Quero que permaneça apenar a ternura,
mas por enquanto há mais que isso...

Enquanto não posso mudar pra outro sistema solar
(ou enquanto meu coração não desiste)
eu fico por aqui desviando dos meus sentimentos inúteis
e das minhas vontades estéreis.

terça-feira, julho 03, 2007

Você entenderia se te contasse da minha saudade???
Se dissesse que meus dias têm sido uma espera, um desejar

e um tentar esquecer constantes???
Tenho uma certeza cortante que me diz que dentro da tua frieza

não encontrarei respostas.
Não sei como sair.
Não recordo por onde entrei...

"Turn, I'll turn this slowly 'round
Burn, burn to feel alive again"

segunda-feira, junho 25, 2007

Hoje ...

“Vontade de te abrigar em meu colo,
beijar suas pálpebras
e te embalar por um Tempo sem fim ...”

quinta-feira, junho 21, 2007

"Se há pote de ouro no final dele eu não sei.
Pra mim ouro é essa beleza, tão pobremente
retratada por minha humilde câmera.
Sim, ele surge após as lágrimas... Após a chuva...
E isso sim é ouro"
[21.06 / 17:05]
"Oh baby, como dói ser só...
Garoa!

Ainda me encanto ao ver meu
coração capaz de se encantar.
Ainda fico encantada como ele é capaz de querer.
Não mensuro mais nada.
Não preciso contar dias nem horas nem beijos...
Meu coração cresceu,
mas não deixou de ser criança.
Ai, como ele dói neste instante.
Como ele pode ainda doer nesse instante?
Como ele pode ainda doer e querer tanto?"


“It burns, burns, burns”

terça-feira, junho 19, 2007


.............................................
Assim como a praia,
eu me encho, preencho e esvazio,
vazio.
As ondas vêem, me beijam e se vão,
em vão?
Ficaram-me os sulcos na face, no peito,
desfeito.
Ficaram-me os pingos de mar,
de mar ...

Afoga teu fogo no colchão,
paixão.
Joga as cinzas da tua saudade na esquina,
tua sina!
...

Ponha as rimas no bolso
E chore a sua dor em verso branco.



[Carolina Miquelassi]
...........................................

domingo, junho 17, 2007

branco, preto e cinza, muito cinza.

Falta energia.
O que fazer no silêncio e na escuridão???
Pensar na vida torna-se inevitável.
Boa parte de tudo aquilo que nos distrai da
realidade está apagado.
Só há um lugar para o qual fugir: pra dentro.
Algumas crianças gritam na rua...
Falta de luz sempre é festa quando se é criança.
Mas eu não quero pensar.
Não agora que está tudo tão fresco.
Não é bom.
Não de TPM.
Então eu lembro do bendito mp3
(quase dois meses esperando pela caixinha
do correio e eu esqueço dele).
Música.
O que seria de mim sem esse gozo ...
E as músicas me fazem pensar no que

eu não quero, mas de forma diferente.
Quando a tristeza é muito grande
só podemos aceita-la em forma de arte.
Não vou pensar agora no que me aflige
porque me faltam pontos, virgulas e pingos nos “is”.
Que ironia.
Falta-me o TEMPO adequado pra sentir.


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"a vida é um parafuso sem fim

Que a cada volta
Aperta mais
E nunca afrouxa
Para trás
Só então saberás que
Desde o início eu já era assim

Você me dói agudo e isso é grave, grave"

[A outra volta do parafuso - Moska]

terça-feira, junho 12, 2007

Devoro uma latinha de moça fiesta beijinho...
Eu me devia algum prazer esta noite.

Agora, docinha por dentro...

FELIZ DIA DOS NAMORADOS
meu amor!!!

Onde quer que você esteja

Espero nos encontrarmos ainda...

“... se eu peco é na vontade
de ter
um amor de verdade.”
...

domingo, junho 10, 2007

Sempre quis roubar essa janela pra mim... e esse vermelho.
Inspirado pobremente em um posto do blog do VERTOV ...
como dificilmente ele vai chegar aqui algum dia ...

1. sete coisas que faço bem:
omelete de queijo com ervas finas; escrever (embora eu nuca goste do que escrevo); draminha; trabalhos manuais; afastar as pessoas de mim; digitar com dois dedos; apaixonar-me.

2. sete coisas que não sei fazer:
namorar; paquerar (tô ferrada...); resumo; cálculo de qualquer espécie; contar piada; esquecer; mentir... ah, são só sete né, tsc?!

3. sete coisas que me atraem no sexo oposto:
cultura; ironia; bom humor; panturrilha grossinha; fofura; sinceridade; olhos nos olhos.

4. sete coisas que não suporto no sexo oposto:
autoritarismo; criancice; canalhice; falta de atitude; inhaca; exibicionismo; desapego.
5. sete coisas que digo com frequência:
cara; cara perfeito!; putz!; definitivamente eu não sei; owww não foi isso que eu disse; me perdi novamente; esqueci.

6. sete atores/atrizes que eu gosto:
jack nicholson; gerard depardieu; lázaro ramos; morgan freeman; juliette binoche; isabelle adjani; maryl streep.

7. sete atores/atrizes que eu detesto:
canastrões e modelinhos em geral.

8. sete filmes que eu adoro:
que fale das inúmeras possibilidades de se manipular o tempo e a memoria (presente/passado/futuro) – eternal sunshine of the spotless mind, the butterfly effect, investigações/policial, romances possíveis e com o mínimo possível de clichês - lost in translation; dramas inteligentes – damage, les invasions barbares, Léon; ficções cientificas que não me chamem de idiota – AI; comédias que me emocionem

9. sete filmes que eu detesto:
violência gratuita; romance pra justificar cenas de violência gratuita; comédia pastelão; erotismo pra segurar enredo e história ruins; romances clichês; muitos efeitos especiais, ação e sexo pra segurar a falta de argumento.

10. sete livros favoritos:
encontro marcado; o grande mentecapto; livro do desassossego; crime e castigo; estrela da vida inteira; a teus pés; inéditos e dispersos.

11. sete lugares favoritos:
museu do ipiranga; poa; lago paranoá; uma sala escura de um cinema qualquer; qualquer lugar sob o por-do-sol; qualquer barzinho em boa e alegre companhia; Setor II da UFRN nos bons e velhos tempos.
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"...resgatando minhas memórias e afetos... pq me perdi novamente, pq não sei pra onde estou indo, pq não sei quando volto, pq não sei..."

quinta-feira, junho 07, 2007

Hoje eu realmente parei ...


e o vi nascer ...

é lindo, mas ainda prefiro quando ele está indo embora.
Estranha atração por despedidas ...
"Você já leu Kafka???"

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São 5:34 da manhã.
Estou com frio.
Vou dormir!!!
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lembrei-me de uma antiga dúvida infantil:

"que cor pintar o meu céu professora???"

... ela sempre deixava a escolha por minha conta.

quarta-feira, junho 06, 2007



"Nunca choramingue suas aflições pelo MSN.

Ninguém quer realmente saber, entende!?
Nunca mais se esqueça disso!!!

E outra, realmente deixa pra lá, esqueça.
A menos que você queira mesmo enlouquecer.

“Anjos nem sempre caem do céu”
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Eu quero respirar fundo e voar,
Mas pra isso preciso me livrar da internet
e depois preciso não sentir falta dela... nem dele...
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Cabeça vazia, oficina do Djabu!!!
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Deixei até de falar da minha ida ao cinema e do filme que gostei... Tem também as jujubassssss, hummmmm...
Parte doce e colorida no meu dia cinza!!!"
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Amor é bom anjo negro... e como!!!

segunda-feira, junho 04, 2007


Entendas quando digo que te preciso.
Não me queiras adivinhar os pensamentos.
Não queira, em ti, reprimir as saudades.

O tempo me ajuda a não dormir
e mesmo assim eu sonho.
Com esse rever que eu tanto espero,
com esse querer que eu tanto quero.

Não me apague das tais lembranças.
Mesmo que a magia do verde já não exista...
E tua ‘paixão’ tenha mudado de cor.

Não fujo das minhas palavras
Não apago meus impulsos...
Mas sei morrer quando é preciso

e também sei mudar os planos.


[Carolina Miquelassi]

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[Versos Perdidos - Zeca Baleiro]

As frases são minhas

As verdades são tuas
Enquanto te desejo
Me vejo chorando no meio da rua
Beijo teu sorriso num dia de sol
Que entra pela porta
E canta pela janela

A noite mãe do dia
Molhava tua boca
Na língua da poesia
Oh meu grande amor de versos perdidos
Murmurando na chuva como um refrão
Que só faz sentido
No fundo da cama

terça-feira, maio 29, 2007


Neruda hoje fala melhor sobre mim do que eu...

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.


[Pablo Neruda]


"na busca por amor, tendo a acreditar que tudo na vida o é
mesmo sabendo não ser... Essa procura/espera talvez inútil

me corta toda por dentro.
Estou renovando olhares, reescolhendo caminhos, re(conhecendo)
amigos, re(caminhando) sobre alguns passos dados - apagando
alguns vestígios - ...
Mais uma vez cansei.
Busco agora, mais uma vez, recomeçar. Mas dessa vez estou
muito perdida..."

domingo, maio 27, 2007

Nasci pra sentimentos e momentos arrebatadores,
intensos.
Nada morno.
Ou quente ou gelado.
Extremos.

Ou tudo ou nada.
Sofro com o meio termo.
O meio do caminho é o pior lugar pra mim.
A não ser que eu não sinta meus pés no chão.
Faça-me voar e me terá ao seu lado.
Deixe-me no chão e me terá voando, longe de você.

"- Essa menina é 8 ou 80...
- E quando bebe ela dança com as mãos.
- Essa menina olha esquisito,
como se quisesse ver por dentro.
- Ela realmente quer.
- O que ela realmente quer???"

Se ela soubesse...
Se ela dissesse...
Se ela quisesse...
Você talvez não acreditasse...



27.05
20:55

quinta-feira, maio 24, 2007

"Relutei muito antes de por uma letra de música aqui...
Toda resistência tem seu fim"


Tudo sem nada ter
Canto Dos Malditos Na Terra do Nunca

Pra toda fome tudo que some ,

por que tem que ser
Tudo tem nome
São tantos nomes ,
sem nada ter
Sou todo ao tempo e todo tempo tento me satisfazer

Para os que acham ,
que a vida é falta do que fazer
Não se acha mais a solução
tudo as vezes so é falta de opção
quando se tem ou não tem razão
Pra toda fome tudo que some ,
por que tem que ser
Tudo tem nome
São tantos nomes ,
sem nada ter
O que será da vida dos que não tem nada a perder
Não se acha mais a solução
tudo as vezes so é falta de opção
quando se tem ou não tem razão

quarta-feira, maio 23, 2007

“Tudo me quieta, me suspende.”

"...estou sem ar...


Porque meu coração para na espera de algo que não vem???
Ainda quero que me ensinem a “ter o casco duro e o coração mole”

Estou desesperando-me.
Por vezes acho que perdi o rumo mais uma vez...

Sobretudo estou viva e ainda não sei qual saldo disso tudo.

Enterro as unhas na garganta para respirar... Me vem teu cheiro no primeiro sopro..."



http://www.youtube.com/watch?v=A_eBS0sjumw

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segunda-feira, maio 21, 2007

Nos dias em que me esqueces as horas não passam.
Nos dias em que me deixas o tempo não flutua, tomba como chumbo ao chão.
Nos dias em que me faltas, anestesio-me. Paro e conto apenas a tua lembrança.

Já não há mais como fugir, e por isso fujo.
Já não há mais cuidados, e por isso cuido de te esquecer...

sábado, maio 19, 2007


Ano passado, nesta mesma época as borboletas amarelas estavam sobrevoando a cidade e meu coração não sabia de nada.
Dei por conta da presença delas novamente esta semana.
Meu coração ainda não sabe...
Estou querendo encontrar o local no qual residem os meus desejos.
Estou perdida entre tantos e tão dispersos...

Preciso urgentemente ganhar na Mega-Sena!!!
Não quero ter mais nenhum problema por limitação financeira.
Quero passar a vida inteira fazendo apenas o que me da prazer.
Quero viajar pelo mundo a fora, aprendendo línguas, culturas e praticando o Kama-Sutra... hahaha...
E só parar quando eu quiser.

Definitivamente não me moldo as necessidades.
Parece que quanto mais eu preciso manter algo mais me desapego à este algo.
Não sei mais se amo, se quero, se desejo, se sofro...
Não sei mais onde está meu coração melão...


Ai vai um textinho dos idos de 2005.
Aparentemente pouco mudou, mas lembrem-se que as aparências enganam!

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Borboletas amarelas

Ingênuos são os pretextos de quem parte sem nada deixar.

No meu disparatado intento de tudo deixar sem nada levar, sem nada querer pra mim senão aquilo que já era meu desde o princípio.Retorno, no entanto, com os braços cheios de fuga e algo mais que o meu fervente desejo por sua presença. Um ramo de inconstância e um cesto transbordante de ternura.A impaciência dos golpes implacáveis deste motor que vive a sangrar. E como sempre, cada gota ao cair não faz mais que devolver a vida ao invés de arrancar.Prolongando assim este torturante estado de prazer, fazendo do meu amor uma tarefa.Apropriando-se, vacilante e alegre, de todos os meus momentos, de cada arrancar da respiração, e quase exclusivamente, de todo sentimento que venha brincar entorno de cada instante.Despreocupadamente retirando a vã possibilidade de um ordinário amor que não poderá corresponder-me.


Carolina Miquelassi
13.03.05
"O amor, o que procuro desde sempre, ás vezes me parece tão distante, tão diferente de mim..." [Melissa Panarello - Cem escovadas antes de ir para a cama]

terça-feira, maio 15, 2007

Agora é a vez da Ana falar!!!


Protuberância
Este sorriso que muitos chamam de boca
É antes um chafariz, uma coisa louca
Sou amativa antes de tudo
Embora o mundo me condene
Devo falar em nariz(as pontas rimam por dentro)
Se nos determos amanhã
Pelo menos não haverá necessidades frugais nos espreitando
Quem me emprestar seu peito ma madrugada
E me consolar, talvez tal vez me ensine um assobio
Não sei se me querem, escondo-me sem impasses
E repitamos a amadora sou
Armadora decerto atrás das portas
Não abro para ninguém, e se a pena é lépida, nada me detém
É sem dúvida inútil o chuvisco de meus olhos
O círculo se abre em circunferências concêntricas que se
Fecham sobre si mesmas
No ano 2001 terei (2001-1952=) 49 anos e serei uma rainha
Rainha de quem, quê, não importa
E se eu morrer antes disso
Não verei a lua mais de perto
Talvez me irrite pisar no impisável
E a morte deve ser muito mais gostosa
Recheada com marchemélou
Uma lâmpada queimada me contempla
Eu dentro do templo chuto o tempo
Um palavra me delineia
VORAZ
E em breve a sombra se diluir
Se perde o anjo
[Ana Cristina Cesar]

sábado, maio 12, 2007

Meu Adriano

O que fazer se não consigo dormir enquanto não puser essas palavras no papel pra te entregar? Levanto da cama e vou à escrivaninha então.

Você me deu e tirou tudo. Você me tirou todo o medo, toda a dor, toda a ansiedade e também toda a paz. O que fazes comigo Adriano desde que nos olhamos pela primeira vez? Será ilusão tudo que penso sentir? Será que estou enlouquecida? Será que me encontro tão dissociada de você que ao ouvir me perguntarem meu nome pronuncio o seu? Sim, estou.

Por quanto tempo viva não poderei deixar que não façam parte dos meus dias as lembranças doces de cada olhar que me deste, de cada puxão de cabelos ou de orelha, de cada telefonema nas horas menos esperadas e nas muitas esperadas também. És o amor maior de minha vida e isso me deixa tão tranqüila pela calma da certeza de ter encontrado o que tantos atravessam a vida toda a buscar... No entanto amado meu eterno, me deixas neste mesmo instante. Me das às costas e finges até nem mesmo teres me amado um dia.
Parece loucura meu anjo se pareço não morrer por este abandono? Parece loucura se te digo que minha certeza de nosso amor ser infinito me supre de forma inequívoca?
Não. Vejo tudo isso como um sonho ruim.

Lembra de tantas tardes ao sol? Tantas conversas enviesadas antes daquele primeiro beijo... Roubado? Por quem mesmo? Lembro-me de tuas cartas quando começaste a escrever-me em absoluto estado de torpor... Acho que sonhara meu doce anjo. Acho que tanta felicidade só pode ser fruto de uma loucura sem precedentes. Acho que antes eu era louca e hoje sou...

Adriano sou eu. Não submissa, mas amante. Não frágil, mas inteira. Olha-me e diz refletindo cada movimento de seus lábios em minhas retinas, dize-me a mim que não mais me tens amor. Dize-me para que eu poça morrer de um só sopro, sem dor, porque não viveria um só segundo sob está realidade. Pelo simples fato de que só existo para o seu amor e para além dele nada de mim persiste. Nem pele, nem ossos, nem sangue, nem cabelos, nem sorriso, nem olhos, muito menos dor, amor ou suspiros...

Sim, eu mentia. Não há em mim nenhuma serenidade. Como pode haver equilíbrio em um lar sem paredes. Não há sono que me sossegue, nem brisa que me seque as lágrimas da alma. Não há paz sem esse amor.
Apaga, apaga, apagaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa todas as minhas palavras e ações.
Apaga de mim todas as certezas de amor.
Apaga de mim a lembrança desse inútil amor!
Apaga de mim essa necessidade infinita de te ter ao meu lado como um amigo que seja. Apaga de mim a dor de rasgo que me parte os olhos ao imaginar seu amor a outro alguém.
Corta-me todo o corpo e dê de alimento aos peixes no mar.
Queime-me viva e lentamente em praça pública. Expurgue de mim esse amor que não deveria me dominar assim.
Mata-me Adriano, mas não vá.
Morrerei eternamente até o dia em que cansem da minha dor e me dêem o direito de descansar.
Morrerei a cada passo que der sem ti. Morrerei a cada sabor que não compartilhes comigo. Morrerei a cada descoberta que não puder vir da cor de seus olhos nos meus. Morrerei a cada tarde e sempre que me lembrar da tua ausência. Morrerei enfim em cada sorriso que não conseguir abrir por não tê-lo mais em mim.
Morrerei até que morra este amor em mim. E aí então mais uma vez te amarei só para então poder deixar que me matem da única doença da qual vale a pena morrer: você!

Tua Elisa

(Fragmentos de uma carta de amor)