Danae

Danae
Klimt, Gustav

quarta-feira, agosto 11, 2010



Está tão raso o mar das tuas 'intenções'


Queria me atirar, mas ela é poça breve de emoção antiga
Raso imenso pra minha paixão oceânica

domingo, agosto 08, 2010




Quando nos encontramos pelo tempo aberto e sem paixão, as horas dos dias passam acompanhadas do incomodo soar silencioso do vazio.
O oco no peito é oco na alma, oco nas mãos. Oco em todas as partes que pedem complemento, extensão, invasão.
Tudo que a boca engole tem a ardência e o amargo do vinho esquecido há meses na garrafa aberta.
Quando não se tem paixão, as músicas não lembram... Não se ouve nada 16 vezes seguidas, não se copia nenhuma letra, não se decora trechos inteiros de poesia quando não se tem paixão. Nada nos diz.
Um calor formigante invade nuca e boca do estômago. É a certeza de que nada há para fazer nesta tarde tão linda de sol em que se podia (devia) estar amando. O belo fica meio sem cor...
Nenhuma dor parece assustar tanto quando este cômodo vazio de janelas escancaradas como braços, aguardando outros braços, aguardando passos, ocupação. A espera de cabides, cadeiras, sapatos pelo chão.
Quando não se sente paixão, o sono vem ou não, mas não se fecha os olhos pra sonhar antes de dormir.
Acorda-se pelo dever, levanta-se pra não se perder. Toma-se banho ou só um gole de café. Engole-se um pouco de tudo sem nada querer.
Não há horas quando não há paixão, há contêineres de tempo vazando pela baia de uma espera que só termina quando a tormenta começa a nos assanhar os cabelos, o sexo e a barra do vestido.

07.08.19/02:43 – 08.08.10/14:19

Insolação



http://www.youtube.com/watch?v=ry_uYl0i57Y

 
“Digo-lhe com toda sinceridade que não sou a pessoa que talvez imagine que eu sou. Nunca me aconteceu nada nem mesmo remotamente parecido com isso. Como tudo que é mundano e comum se torna terrível e selvagem quando o coração é destruído por felicidade e amor em excesso.”

"Meu filho, guarda-te bem do amor. Teme esta felicidade!"  

"O amor não foi feito para sermos felizes, mas para nos sentirmos vivos."

sábado, julho 31, 2010


O que é isto que não sabe se mora, vai embora ou pede carona?
Difícil ser pós moderna com tanto coração em jogo.
Ao menos a poesia ainda não soprou.
Ou é um consolo ou sinal de que mesmo ela desistiu de me fazer entender.
Devia ser pior no século XVIII [?]
Dizem que hoje nós temos escolhas.
Quem disse isso mesmo?

Se alguém ainda freqüenta este espaço (fora eu e os 4 ou 5 visitantes diários) e a minha sugestão puder influenciar alguma coisa...


http://www.myspace.com/validuate
Ouçam!
Tudo que puderem.
Prestem atenção...
Num universo de lixos, cacas, gagas e biebers, ainda existem ostras premiadas produzindo pérolas reconfortantes... 

Vai ser bom assim lá no Piauí.

terça-feira, julho 27, 2010

Pra que servem as coisas lindas?

Eu devia não me preocupar, devia não anoitecer nas tardes frias, devia não doer quando sinto saudades.
Eu não devia tentar entender, não devia procurar explicar, não devia recusar a esquecer.

domingo, julho 25, 2010



Me perdi, me perdi, me perdi...
Era tudo o que sussurrava entre dentes em minha cabeça (quando algo conseguia ocupar minha mente), além da explosão do momento.
Eu gostaria mesmo de me perder mais e mais e mais. E quando não parecesse mais possível, continuar perdida ali, no momento/espaço tão seguro quanto um abismo, tão quente e gostoso como mais nada soube ser.


Decidir resistir a um desejo tão grande requer inúmeras estratégias de fuga. Admito ter batido vários recordes de resistência, e haja criatividade... Mas alguns mistérios nos buscam com tamanha insistência ou seriedade que nos faz encarar o inevitável [?]
Resta saber como agir depois de sucumbir. Restam agora as perguntas que já me fazia... Embora as respostas não tenham a menor importância...

Amarrada no insondável desejo que não se cala
Calada pela boca que colada, me afogava
Explodi incontáveis fogos e por artifício
fui inteira, caí fundo e não consigo retornar ao antes.

sábado, julho 10, 2010




Às vezes pensamos que até poderia ser se fosse (verdade). Mas que é três vezes imensamente melhor quando não era e não é e nem nunca será, porque nunca fora (verdade).
Não há mágoas, nem dores (até pensei que houvera...), nem sequer frustrações. O que eu queria era tão distante assim do que obtive? Definitivamente não.
Eu só não gosto de mentiras.
Diga pra mim com um sorriso no rosto “Quero te tomar algo e sair correndo” Que de repente eu até te dou (ou deixo que “roubes”). Mas não me prometa recompensas. Mesmo que eu não as queira e sequer tenha pedido. Não prometa, não jure, não declare. Não pise o chão da mentira quando estiver caminhando até mim.
O que eu sou capaz de fazer? Muito, muito mais do que eu mesma sei. Mas o que eu gosto mesmo é de dar as costas pra uma boa mentira e sair assobiando com passadas de Carlitos. Porque não há o que lamentar ou remendar quando nada há.

PS: Colocar no caderninho "Urubú tem asas, mas num é anjo não" (;

sábado, julho 03, 2010


Não olhe muito bem para sua dor. Olhe com os olhos vesgos ou busque um foco mais embaçado. Aquele com o qual você, míope e astigmático de quatro graus e meio, uma vez sem os óculos, numa noite escura e de chuva, vê as luzes dos carros que passam pela rua. Ver embaçado ajuda muito quando se trata de dor. Lembrar da dor como algo impreciso, distorcido, faz dela algo menos assustador. É um avesso do olhar de Quixote; você enxerga meros moinhos de vento onde deveria haver gigantes.

sexta-feira, julho 02, 2010

A volta do que em mim não se foi



 Como faz pra lidar com toda essa mediocridade da vida e das relações? Onde foi parar meu olhar positivo? Ele estava aqui agora mesmo. Ainda sinto seu cheiro. Não sei por onde saiu. Ainda sou tão influenciável assim pelas pessoas? Eu me achava imune há duas horas. Estou louca? Por favor, alguém me fale, porque não consigo mais discernir sobre o que eu vejo, ouço e sinto. Alguém bata forte em meu rosto, me faça sentir gosto de sangue, assassinem alguém na minha frente pra me mostrar o que realmente faz doer. Por que isso aqui não é dor. Tem qualquer outro nome que minha demência momentânea não me permite encontrar no dicionário. Eu não entendo, não enxergo. Onde (quem eu até pouco era) estou? Será que ainda me falta moer tanta pedra até me tornar matéria semelhante? É orgulho ferido toda essa agonia na boca do estomago e esse gosto indecifrável na garganta? Quantas voltas ainda dar pra cair e do chão passar? Haverá a derradeira?
Preciso vomitar minha alma. Agora!

quarta-feira, junho 30, 2010



Dando o primeiro passo...
Um, dois, três...

sexta-feira, junho 25, 2010



 "O que é que dizem dos opostos mesmo!?
Nem quero pensar... Sentir é tudo que me faz bem."


Encontro
[ Maria Gadú ]
 
Sai de si
Vem curar teu mal
Te transbordo em som
Poe juizo em mim
Teu olhar me tirou daqui
Ampliou meu ser
Quero um pouco mais
Não tudo
Pra gente não perder a graça no escuro
No fundo
Pode ser até pouquinho
Sendo só pra mim, sim


Olhe só
Como a noite cresce em glória
E a distância traz
Nosso amanhecer
Deixa estar que o que for pra ser vigora
Eu sou tão feliz
Vamos dividir

Os sonhos
Que podem transformar o rumo da história
Vem logo
Que o tempo voa como eu
Quando penso em você


http://www.youtube.com/watch?v=NV_7sQ6jhxY

quarta-feira, junho 23, 2010



Gostaria que alguém me dissesse que eu posso me sentir assim tão leve sem medo que estourem o balão da minha alegria.

domingo, junho 20, 2010

sábado, junho 12, 2010



Partiste e não vou ficar aqui olhando pros espaços vazios. [Readequei os móveis dentro de mim.] Nem vou desfilar de braço dado com a tristeza. Nunca estive com tão pouco medo da minha solidão. Por isso acredito que estou pronta pra ficar acompanhada. Mas comigo nada é a jato. Nem paixão, nem comida, nem sequer as decisões. 
[Se me tocar com calma e vontade. Puder esperar o momento dos olhos fechados pra não falar nada e apenas sentir. Se puder sentir. Poderei estar ao seu lado. Mas antes de tudo estou comigo. E estou muito bem, obrigada.]
Sentimentos na temperatura certa. Estou morninha e solta na poltrona, pernas esticadas sob o puf alto e macio. Meus braços estão separados, nada impede um abraço. Meus lábios gostam muito de beijo, minha boca deseja mordidas e saliva quente. Mas também posso ficar aqui, ouvindo Billie e bebendo meu café. Posso ir até aí. Mas também posso ficar.

quinta-feira, junho 03, 2010



"Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo."

Um Sopro de Vida (Pulsações) - Clarice Lispector
Editora Nova Fronteira, 1978
3ª edição

domingo, maio 30, 2010




Dizer que estou sem rumo é muito vago e demasiado clichê.
Estou à deriva. Posso ir pra um lado, pra outro. Tenho direções, mas nada que não me force a largar muitas coisas pelo caminho. Tenho os caminhos, mas quero ficar. Poucas vezes quis tanto permanecer. Logo eu que gosto tanto das partidas, das novas paisagens. Algumas serão impossíveis de desvencilhar. Embora o tempo, eterno e cruel reclame, sempre nos faça recordar do quanto dele não temos mais. Eu tenho saudades...
Amanhã será domingo e sei o que vou fazer, só não sei como será. Poucas vezes estive tão só e tão consciente do que isso representa em mim. Depois de amanhã já não sei mais. Só sei que não vou parar pra ver as paredes em volta ruírem. Não! Os últimos três meses me ensinaram mais que os últimos três anos. E o tempo que se gasta aprendendo nunca é perdido... Quando se aprende a lição. O tempo pra frente vai me mostrar se aprendi.
Eu não tenho pena de ninguém!

quinta-feira, abril 15, 2010


Dedos sobre o teclado,
nos olhos a tela clara,
fios conectados,
as palavras.
O sentir...?

Carolina Miquelassi