Danae

Danae
Klimt, Gustav

sábado, julho 10, 2010




Às vezes pensamos que até poderia ser se fosse (verdade). Mas que é três vezes imensamente melhor quando não era e não é e nem nunca será, porque nunca fora (verdade).
Não há mágoas, nem dores (até pensei que houvera...), nem sequer frustrações. O que eu queria era tão distante assim do que obtive? Definitivamente não.
Eu só não gosto de mentiras.
Diga pra mim com um sorriso no rosto “Quero te tomar algo e sair correndo” Que de repente eu até te dou (ou deixo que “roubes”). Mas não me prometa recompensas. Mesmo que eu não as queira e sequer tenha pedido. Não prometa, não jure, não declare. Não pise o chão da mentira quando estiver caminhando até mim.
O que eu sou capaz de fazer? Muito, muito mais do que eu mesma sei. Mas o que eu gosto mesmo é de dar as costas pra uma boa mentira e sair assobiando com passadas de Carlitos. Porque não há o que lamentar ou remendar quando nada há.

PS: Colocar no caderninho "Urubú tem asas, mas num é anjo não" (;

sábado, julho 03, 2010


Não olhe muito bem para sua dor. Olhe com os olhos vesgos ou busque um foco mais embaçado. Aquele com o qual você, míope e astigmático de quatro graus e meio, uma vez sem os óculos, numa noite escura e de chuva, vê as luzes dos carros que passam pela rua. Ver embaçado ajuda muito quando se trata de dor. Lembrar da dor como algo impreciso, distorcido, faz dela algo menos assustador. É um avesso do olhar de Quixote; você enxerga meros moinhos de vento onde deveria haver gigantes.

sexta-feira, julho 02, 2010

A volta do que em mim não se foi



 Como faz pra lidar com toda essa mediocridade da vida e das relações? Onde foi parar meu olhar positivo? Ele estava aqui agora mesmo. Ainda sinto seu cheiro. Não sei por onde saiu. Ainda sou tão influenciável assim pelas pessoas? Eu me achava imune há duas horas. Estou louca? Por favor, alguém me fale, porque não consigo mais discernir sobre o que eu vejo, ouço e sinto. Alguém bata forte em meu rosto, me faça sentir gosto de sangue, assassinem alguém na minha frente pra me mostrar o que realmente faz doer. Por que isso aqui não é dor. Tem qualquer outro nome que minha demência momentânea não me permite encontrar no dicionário. Eu não entendo, não enxergo. Onde (quem eu até pouco era) estou? Será que ainda me falta moer tanta pedra até me tornar matéria semelhante? É orgulho ferido toda essa agonia na boca do estomago e esse gosto indecifrável na garganta? Quantas voltas ainda dar pra cair e do chão passar? Haverá a derradeira?
Preciso vomitar minha alma. Agora!

quarta-feira, junho 30, 2010



Dando o primeiro passo...
Um, dois, três...

sexta-feira, junho 25, 2010



 "O que é que dizem dos opostos mesmo!?
Nem quero pensar... Sentir é tudo que me faz bem."


Encontro
[ Maria Gadú ]
 
Sai de si
Vem curar teu mal
Te transbordo em som
Poe juizo em mim
Teu olhar me tirou daqui
Ampliou meu ser
Quero um pouco mais
Não tudo
Pra gente não perder a graça no escuro
No fundo
Pode ser até pouquinho
Sendo só pra mim, sim


Olhe só
Como a noite cresce em glória
E a distância traz
Nosso amanhecer
Deixa estar que o que for pra ser vigora
Eu sou tão feliz
Vamos dividir

Os sonhos
Que podem transformar o rumo da história
Vem logo
Que o tempo voa como eu
Quando penso em você


http://www.youtube.com/watch?v=NV_7sQ6jhxY

quarta-feira, junho 23, 2010



Gostaria que alguém me dissesse que eu posso me sentir assim tão leve sem medo que estourem o balão da minha alegria.

domingo, junho 20, 2010

sábado, junho 12, 2010



Partiste e não vou ficar aqui olhando pros espaços vazios. [Readequei os móveis dentro de mim.] Nem vou desfilar de braço dado com a tristeza. Nunca estive com tão pouco medo da minha solidão. Por isso acredito que estou pronta pra ficar acompanhada. Mas comigo nada é a jato. Nem paixão, nem comida, nem sequer as decisões. 
[Se me tocar com calma e vontade. Puder esperar o momento dos olhos fechados pra não falar nada e apenas sentir. Se puder sentir. Poderei estar ao seu lado. Mas antes de tudo estou comigo. E estou muito bem, obrigada.]
Sentimentos na temperatura certa. Estou morninha e solta na poltrona, pernas esticadas sob o puf alto e macio. Meus braços estão separados, nada impede um abraço. Meus lábios gostam muito de beijo, minha boca deseja mordidas e saliva quente. Mas também posso ficar aqui, ouvindo Billie e bebendo meu café. Posso ir até aí. Mas também posso ficar.

quinta-feira, junho 03, 2010



"Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo."

Um Sopro de Vida (Pulsações) - Clarice Lispector
Editora Nova Fronteira, 1978
3ª edição

domingo, maio 30, 2010




Dizer que estou sem rumo é muito vago e demasiado clichê.
Estou à deriva. Posso ir pra um lado, pra outro. Tenho direções, mas nada que não me force a largar muitas coisas pelo caminho. Tenho os caminhos, mas quero ficar. Poucas vezes quis tanto permanecer. Logo eu que gosto tanto das partidas, das novas paisagens. Algumas serão impossíveis de desvencilhar. Embora o tempo, eterno e cruel reclame, sempre nos faça recordar do quanto dele não temos mais. Eu tenho saudades...
Amanhã será domingo e sei o que vou fazer, só não sei como será. Poucas vezes estive tão só e tão consciente do que isso representa em mim. Depois de amanhã já não sei mais. Só sei que não vou parar pra ver as paredes em volta ruírem. Não! Os últimos três meses me ensinaram mais que os últimos três anos. E o tempo que se gasta aprendendo nunca é perdido... Quando se aprende a lição. O tempo pra frente vai me mostrar se aprendi.
Eu não tenho pena de ninguém!

quinta-feira, abril 15, 2010


Dedos sobre o teclado,
nos olhos a tela clara,
fios conectados,
as palavras.
O sentir...?

Carolina Miquelassi

segunda-feira, março 22, 2010




Como eu sempre (que posso) posto aqui tudo o que me consome...
Que a imagem fale por si só.

Mas como um pouco de texto nunca é demais. Lá vai.

Sem lirismo nem muita emoção.
Estou trabalhando a beça e sem muito tempo pro namorado (tomara que ele realmente me ame rs...).
Não vou falar das dores nos pés. Isso foi só nas primeiras duas semanas, agora não sinto mais.
Pode pisar nos meus dedos q eu nem vou gritar. Adormeceram.
Enfim, é o que tem me garantido algum conforto como o de poder estar agora às 00:35 digitando isto do meu quarto, novamente depois de quase um ano de ausência digital domiciliar...

Algo me angustiou hoje. Não sei se o calor ou apenas um daqueles dias que seria melhor não sair de casa e nem falar com ninguém sequer ao telefone porque parece que a mínima reação poderá provocar uma catástrofe. Mas estou com uma ponta de angustia... Espero que o sono me ajude.

Não vou à aula mais tarde, professora! Me entenda. Agora eu bato cartão e ler o mesmo texto que li há quase 8 anos na minha primeira graduação e fazer o mesmíssimo fichamento não tem me atraído muito. Se eu tivesse encontrado o trabalho antigo só redigitaria, mas nem isso eu consegui. Dê-me um desconto.

Beijo pra quem for de beijo (até parece que eu tou falando com alguém, em em em...)


Carolina Miquelassi


terça-feira, fevereiro 23, 2010



Se existe algo que devo ao ano de 2009 é a criação da minha casca.
Sempre disseram que eu precisava de uma. Agora tenho.
Ando precisando de sonhos novos. Uma vida nova não seria nada mau. Mas acabo de lembrar que precisamos ter muito cuidado com o que desejamos.
Os sonhos que tenho não me pesam, voam de mim. Preciso de algo vil para pô-los em prática. Algo vil e valioso que tem me faltado demais. Eles tornam meus sonhos um pouco vis.
Faltou luz e me recordei das madrugadas em frente ao PC [faço figas].
Madrugadas silenciosas (nem sempre e não completamente), sem a balburdia da TV que tanto nos impede de pensar com clareza e nem damos conta.
Clara e ordenadamente minhas idéias vão saltando de dentro pra fora.
Tornou-se quase impossível escrever com lápis e papel. Recorro mais a lentidão das teclas miúdas do celular. Coisa de maluco.
Escrevo, escrevo, escrevo. Guardo por dias até ter ânimo de ir à Lan House e, uma vez diante da tela e do teclado, desanimo a reescrever (sempre detestei tal tarefa).
Ao mesmo tempo em que sinto falta do meu computador, adquiri um extremo desconforto com relação à alguns vícios antigos, alguns sites, inclusive aquele costumeiramente azul e que agora pode receber qualquer cor, embora tenha perdido muito de seu glamour.
Espero!
É desconfortável quando tudo que se pode fazer é aguardar que algo venha e quebre a bolha que te imobiliza para só então poder voltar a cometer novos erros e acertos.
Estranho... Já houve o tempo dos minutos longos como dias e dos dias vorazes. Dos anos que pareceram uma vida toda a parte e das horas que se arrastaram moles sob o sol do meio-dia.
Agora não importa o que ocorra, tudo voa.
Carolina Miquelassi

quarta-feira, fevereiro 03, 2010



O silêncio é mais doce que a(s) palavra(s)...

segunda-feira, novembro 16, 2009




O corpo apodrecia há dias na cadeira onde sua vida dera o último suspiro.

Não o havia enterrado por questões sentimentais. Tanto tempo de vida juntos, de apego...

Acreditava não poder viver com aquela ausência. Então o deixaram ali até se habituar à idéia da perda.

A presença física lhe causava horas repulsa horas um estranho conforto - ter morto e presente o que se deseja vivo acima de tudo.

Com o passar de semanas não conseguia mais desejá-lo ali. Apesar da saudade, a presença tornara-se insuportável. No entanto não tinha a coragem necessária para fazer o que devia ser feito. Mover o cadáver, remexer, catar pedaços, limpar as manchas, providenciar todas as formalidades... Reviver o dia da morte enfim.

De certo que não era mais o mesmo, sem suas observações peculiares, respostas engraçadas e a ranzinzice de costume.



Um dia, amanhecera e ele não estava mais lá. Ao despertar já sentira a ausência de seu odor.

Com a pá do jardim, deu cabo de sua própria existência.

Carolina Miquelassi
03:17
16.11

quarta-feira, novembro 04, 2009




Aguardando que me concedam a graça de ter em minha província a oportunidade de assistir...
Poucos sabem com que ânsia aguardarei.


[Falta tanto tempo pra escrever]

terça-feira, outubro 13, 2009




A lua linda
e eu ainda
espero.
Quando ao teu lado,
agora longe de mim,
distante do amor
que me fazia
ver na esfera branca,
ao escuro da noite,
uma verdade pra sonhar.
Te encontrava,
de olhos cerrados,
em mim.
A lua ali
e eu escrevendo
[versos num dedo só].
Silêncio...
É noite funda
A lua ainda
E eu só.

Carolina Miquelassi