"O resultado fatal de eu viver é o ato de escrever."
[Clarice Lispector]
Danae
Klimt, Gustav
sexta-feira, setembro 03, 2010
Mundo voraz.
Devoras
minha calma,
meu consolo,
as flores do caminho,
os cantos celestiais
e os batuques vindos do inferno.
Só deixas incólume
minhas lembranças
que de tão dolentes
nem tu queres carregar.
domingo, agosto 29, 2010
À Clara (que não chora)
Desate o nó
Desate em choro
Dissolva em água e sal
o dia que pesa o corpo
E durma lavada;
face e alma.
sábado, agosto 28, 2010
Sinto fome. Não vontade de comer. O que desperta meu apetite, seja pelo olfato ou pela estética de apelo gustativo, pode simular a sensação de aumento da fome. Mas é só apetite. O colorido dos olhos, o calor dos sorrisos, as marotices, trejeitos, quantos tantos em comum. Apetite. Vontade de por na boca e sentir o gosto. Ver como o sabor muda de acordo com o ponto que encosta da língua. O quanto a textura muda ao mastigar e produz consistência, realçando o sabor. Até engolir. E querer mais. Ou não. Gosto perdido é gosto desfeito. Desgosto.
Posso perder o apetite, mas que ainda reste-me a Fome. O gosto. O paladar e a curiosidade.
Twitter é um saco; sair de casa é sempre bom mesmo que seja ruim; meladinha roubou o lugar do vinho nas minhas preferências festivas; eu beijava (principalmente se não tivesse que falar sobre isso depois); um dinheirinho e uma mochila nas costas me levaria prum lugar deserto e montanhoso agora; esses jogos da net viciam, mas eu enjôo de tudo sempre mesmo...; freqüentarei mais bares com chorinho ao vivo; eu quero, mas se não quiser avisa logo que o quanto antes eu trato de esquecer; depois de Validuaté ta difícil achar alguma coisa nova tão boa.
sexta-feira, agosto 13, 2010
Declaro neste momento que deixo de ser uma pessoa de confiança, que expressa o que sente e o que espera da vida, das pessoas e do amanhã. Nem tudo que eu escrever será subjetivo e o que for estará distribuído entre muita informação externa. Eu continuo não mentindo, mas isso não faz de mim alguém confiável (muito pelo contrário). Não mentir estará de mãos dadas com muito criatividade, a verdade é minha, portanto só eu a conheço.
O que eu ganhei fugindo? Tempo perdido.
O que eu ganhei cedendo? Memórias tatuadas.
O que eu ganho calando? Hidratação facial ao modo tradicional.
O que eu ganharia abrindo a janela? (Se eu soubesse talvez já tivesse pulado)
Boa sexta-feira 13 e, por favor, poupemos os gatinhos pretos da nossa ignorância.
Se a minha amiga louca não der pra trás, hoje conhecerei o tão comentado Buraco da Catita.
Na boa que eu sou a única pessoa de Natal que curte chorinho e nunca pôs os pezinhos lá. Por pouco tempo...
quinta-feira, agosto 12, 2010
No momento, vejo a paixão como a junção de um papo bacana, um beijo gostoso, uma pegada que não se esquece e muita falta de outra coisa pra fazer.
quarta-feira, agosto 11, 2010
Está tão raso o mar das tuas 'intenções'
Queria me atirar, mas ela é poça breve de emoção antiga
Raso imenso pra minha paixão oceânica
domingo, agosto 08, 2010
Quando nos encontramos pelo tempo aberto e sem paixão, as horas dos dias passam acompanhadas do incomodo soar silencioso do vazio.
O oco no peito é oco na alma, oco nas mãos. Oco em todas as partes que pedem complemento, extensão, invasão.
Tudo que a boca engole tem a ardência e o amargo do vinho esquecido há meses na garrafa aberta.
Quando não se tem paixão, as músicas não lembram... Não se ouve nada 16 vezes seguidas, não se copia nenhuma letra, não se decora trechos inteiros de poesia quando não se tem paixão. Nada nos diz.
Um calor formigante invade nuca e boca do estômago. É a certeza de que nada há para fazer nesta tarde tão linda de sol em que se podia (devia) estar amando. O belo fica meio sem cor...
Nenhuma dor parece assustar tanto quando este cômodo vazio de janelas escancaradas como braços, aguardando outros braços, aguardando passos, ocupação. A espera de cabides, cadeiras, sapatos pelo chão.
Quando não se sente paixão, o sono vem ou não, mas não se fecha os olhos pra sonhar antes de dormir.
Acorda-se pelo dever, levanta-se pra não se perder. Toma-se banho ou só um gole de café. Engole-se um pouco de tudo sem nada querer.
Não há horas quando não há paixão, há contêineres de tempo vazando pela baia de uma espera que só termina quando a tormenta começa a nos assanhar os cabelos, o sexo e a barra do vestido.
“Digo-lhe com toda sinceridade que não sou a pessoa que talvez imagine que eu sou. Nunca me aconteceu nada nem mesmo remotamente parecido com isso. Como tudo que é mundano e comum se torna terrível e selvagem quando o coração é destruído por felicidade e amor em excesso.”
"Meu filho, guarda-te bem do amor. Teme esta felicidade!"
"O amor não foi feito para sermos felizes, mas para nos sentirmos vivos."
sábado, julho 31, 2010
O que é isto que não sabe se mora, vai embora ou pede carona?
Difícil ser pós moderna com tanto coração em jogo.
Ao menos a poesia ainda não soprou.
Ou é um consolo ou sinal de que mesmo ela desistiu de me fazer entender.
Devia ser pior no século XVIII [?]
Dizem que hoje nós temos escolhas.
Quem disse isso mesmo?
Se alguém ainda freqüenta este espaço (fora eu e os 4 ou 5 visitantes diários) e a minha sugestão puder influenciar alguma coisa...
http://www.myspace.com/validuate
Ouçam!
Tudo que puderem.
Prestem atenção...
Num universo de lixos, cacas, gagas e biebers, ainda existem ostras premiadas produzindo pérolas reconfortantes...
Eu devia não me preocupar, devia não anoitecer nas tardes frias, devia não doer quando sinto saudades.
Eu não devia tentar entender, não devia procurar explicar, não devia recusar a esquecer.
domingo, julho 25, 2010
Me perdi, me perdi, me perdi...
Era tudo o que sussurrava entre dentes em minha cabeça (quando algo conseguia ocupar minha mente), além da explosão do momento.
Eu gostaria mesmo de me perder mais e mais e mais. E quando não parecesse mais possível, continuar perdida ali, no momento/espaço tão seguro quanto um abismo, tão quente e gostoso como mais nada soube ser.
Decidir resistir a um desejo tão grande requer inúmeras estratégias de fuga. Admito ter batido vários recordes de resistência, e haja criatividade... Mas alguns mistérios nos buscam com tamanha insistência ou seriedade que nos faz encarar o inevitável [?]
Resta saber como agir depois de sucumbir. Restam agora as perguntas que já me fazia... Embora as respostas não tenham a menor importância...
Amarrada no insondável desejo que não se cala
Calada pela boca que colada, me afogava
Explodi incontáveis fogos e por artifício
fui inteira, caí fundo e não consigo retornar ao antes.
sábado, julho 10, 2010
Às vezes pensamos que até poderia ser se fosse (verdade). Mas que é três vezes imensamente melhor quando não era e não é e nem nunca será, porque nunca fora (verdade).
Não há mágoas, nem dores (até pensei que houvera...), nem sequer frustrações. O que eu queria era tão distante assim do que obtive? Definitivamente não.
Eu só não gosto de mentiras.
Diga pra mim com um sorriso no rosto “Quero te tomar algo e sair correndo” Que de repente eu até te dou (ou deixo que “roubes”). Mas não me prometa recompensas. Mesmo que eu não as queira e sequer tenha pedido. Não prometa, não jure, não declare. Não pise o chão da mentira quando estiver caminhando até mim.
O que eu sou capaz de fazer? Muito, muito mais do que eu mesma sei. Mas o que eu gosto mesmo é de dar as costas pra uma boa mentira e sair assobiando com passadas de Carlitos. Porque não há o que lamentar ou remendar quando nada há.
PS: Colocar no caderninho "Urubú tem asas, mas num é anjo não" (;
sábado, julho 03, 2010
Não olhe muito bem para sua dor. Olhe com os olhos vesgos ou busque um foco mais embaçado. Aquele com o qual você, míope e astigmático de quatro graus e meio, uma vez sem os óculos, numa noite escura e de chuva, vê as luzes dos carros que passam pela rua. Ver embaçado ajuda muito quando se trata de dor. Lembrar da dor como algo impreciso, distorcido, faz dela algo menos assustador. É um avesso do olhar de Quixote; você enxerga meros moinhos de vento onde deveria haver gigantes.
Como faz pra lidar com toda essa mediocridade da vida e das relações? Onde foi parar meu olhar positivo? Ele estava aqui agora mesmo. Ainda sinto seu cheiro. Não sei por onde saiu. Ainda sou tão influenciável assim pelas pessoas? Eu me achava imune há duas horas. Estou louca? Por favor, alguém me fale, porque não consigo mais discernir sobre o que eu vejo, ouço e sinto. Alguém bata forte em meu rosto, me faça sentir gosto de sangue, assassinem alguém na minha frente pra me mostrar o que realmente faz doer. Por que isso aqui não é dor. Tem qualquer outro nome que minha demência momentânea não me permite encontrar no dicionário. Eu não entendo, não enxergo. Onde (quem eu até pouco era) estou? Será que ainda me falta moer tanta pedra até me tornar matéria semelhante? É orgulho ferido toda essa agonia na boca do estomago e esse gosto indecifrável na garganta? Quantas voltas ainda dar pra cair e do chão passar? Haverá a derradeira?