Na sala de estar com Ana C., tomando chá das cindo em meio à gruffets.
Minha vida amorosa e a sua...
Ainda prefiro ser passarinho.
Não poder sentir
sob hipótese alguma
o sangue nas veias gélidas,
o sorriso petrificado nos cantos da boca,
o coração a bombear instintivo,
sem sobressaltos
ou qualquer descompasso.
Enfim a dor latente,
a dor de não sentir
o dor de não doer,
a dor de não viver inteiro
e inteiramente ser
apenas
a dor
do nada.
E já não dói,
mas há o frio repuxar
do músculo inerte,
da carne exposta
em contato com o ar
que parece que anuncia:
velas no peito
um cadáver a respirar.
Carolina Miquelassi
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Qualquer semelhança com minha vida real, rogo que seja mera coincidência.