Danae

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Klimt, Gustav
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segunda-feira, outubro 08, 2007

Quando a gente acha que não sabe mais pra onde ir deve vir pra dentro!
=*

terça-feira, outubro 02, 2007


Não encoste sua palavra em mim... A pele queima.
Não imprima seu verbo aqui... A alma geme.
Não toque firme meu desejo... A paixão começa.
Não explore meus silêncios... A boca delira.
Não aqueça meu ventre em profusão... O rumor emana.
Não transpareça minha cor... As mãos aguardam.
Não violente minhas saudades...
.
Agora é tarde, porque todos os meus pedidos foram negados no momento errado...
Eu sempre andei pelos caminhos errados...
Eu sempre cheguei atrasada em todos os lugares...
Eu sempre enxerguei muito tempo depois de ter visto...
.
.
"Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes
Jamais se detém Kronos, cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo."

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

domingo, setembro 09, 2007

Camille Claudel

Eu permaneço a andar em círculos dentro da minha cabeça.
Algum som de realejo vindo lá de fora me hipnotiza.
Me faz seguir a rodopiar em torno do meu eixo perdido.

Ensurdeço com o som do meu silêncio.
Quem foi que disse o silêncio não grita?

...
Coração adúltero, perverso, promíscuo,
salaz, confuso, extremo, insatisfeito,
eternamente faminto de mais e mais ...
Vazio, desértico, oco.
É quase tudo sempre pouco,
quase um etíope de tanta fome.
Quase um catálogo,
quase uma esquina,
um show de rock,
uma arquibancada das Diretas
Já!
O é e sempre há de ser
a tempestade em ventos e chuva
que leva e lava os esquecimentos.
Que molha e lambe os meus desejos
(In)Finita fome!
Infame!
Insana!
Insone!

...
Pra quem não dorme,
pra quem a fome não passa,
pra quem a falta não acaba,
pra quem não sabe o que é amor
e no entanto não vive sem ele
a lhe estourar no peito
sempre como uma promessa
de nada querer, de nada lhe dar.
.

[23:30]


sexta-feira, setembro 07, 2007


o que começou como uma resposta ao coment. de Dyego no post anterior ...

:(
o meu querido poeta já dizia 'o pra sempre, sempre acaba' ... ele só dura enquanto é pra sempre. Daí vem outro poeta que diz 'que seja eterno enquanto dure' ...
mas eu nem sei se acredito mais no amor, não no amor que sempre acreditei.
Sempre amei errado, sempre quis mais do que devia, sempre chorei nas horas impróprias, sempre fiz planos quando não podia.
Não, não creio mais nesse amor.
E se ele é uma escolha, como me disseram, como escolher a pessoa que queira receber nosso amor???
Não me venham com mais nenhuma teoria. O meu amor está morrendo 'o meu amor, o meu amor, Maria’* que era sempre o mesmo assim como ‘o fio telegráfico da estrada’* , entrou em curto circuito, explodiu. E nenhuma andorinha foi ferida ...

.
.
Eu continuo esperando ardorosamente o momento de não sentir mais NADA.
.
*Poeminha sentimental de Mario Quintana

segunda-feira, agosto 13, 2007

E eu que jurava que estava esquecendo ... ou Ao Homem de Lata ou Já que eu não aprendo.


Eliminar lembranças.
Naquela caixa vou guardar
todas as que ainda me causam saudades.
O primeiro olhar com cheiro de espiga de São João.
A primeira noite que traçou sem piedade e pressa nosso fim.
A primeira saudade que de tão guardada já eu nem recordava mais.

As primeiras reais palavras.
A minha primeira convulsão no peito.
A primeira vontade de desistir ...
Seguida do primeiro encontro de lábios.
A primeira despedida.
E toda a conquista ... Displicente, para ambos???
Todo o despertar do desejo ...
E toda a necessidade ...
Toda a falta ...
Toda a contínua e aflitiva vontade.
E todas aquelas (estas) lágrimas também.

Dobro e ponho no fundo da caixa
(nada de ordem cronológica)
nossos corpos deitados lado a lado,
o cheiro da sua pele,
seu rosto de criança ao dormir,
sua respiração ...

Elimino as lembranças do meu dia-a-dia
e guardo-as muito bem conservadas nesta caixa.
Em meu peito não cabem mais tantas recordações
sua saudade ocupou mais espaço do que havia.

... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. .

domingo, junho 10, 2007

Sempre quis roubar essa janela pra mim... e esse vermelho.
Inspirado pobremente em um posto do blog do VERTOV ...
como dificilmente ele vai chegar aqui algum dia ...

1. sete coisas que faço bem:
omelete de queijo com ervas finas; escrever (embora eu nuca goste do que escrevo); draminha; trabalhos manuais; afastar as pessoas de mim; digitar com dois dedos; apaixonar-me.

2. sete coisas que não sei fazer:
namorar; paquerar (tô ferrada...); resumo; cálculo de qualquer espécie; contar piada; esquecer; mentir... ah, são só sete né, tsc?!

3. sete coisas que me atraem no sexo oposto:
cultura; ironia; bom humor; panturrilha grossinha; fofura; sinceridade; olhos nos olhos.

4. sete coisas que não suporto no sexo oposto:
autoritarismo; criancice; canalhice; falta de atitude; inhaca; exibicionismo; desapego.
5. sete coisas que digo com frequência:
cara; cara perfeito!; putz!; definitivamente eu não sei; owww não foi isso que eu disse; me perdi novamente; esqueci.

6. sete atores/atrizes que eu gosto:
jack nicholson; gerard depardieu; lázaro ramos; morgan freeman; juliette binoche; isabelle adjani; maryl streep.

7. sete atores/atrizes que eu detesto:
canastrões e modelinhos em geral.

8. sete filmes que eu adoro:
que fale das inúmeras possibilidades de se manipular o tempo e a memoria (presente/passado/futuro) – eternal sunshine of the spotless mind, the butterfly effect, investigações/policial, romances possíveis e com o mínimo possível de clichês - lost in translation; dramas inteligentes – damage, les invasions barbares, Léon; ficções cientificas que não me chamem de idiota – AI; comédias que me emocionem

9. sete filmes que eu detesto:
violência gratuita; romance pra justificar cenas de violência gratuita; comédia pastelão; erotismo pra segurar enredo e história ruins; romances clichês; muitos efeitos especiais, ação e sexo pra segurar a falta de argumento.

10. sete livros favoritos:
encontro marcado; o grande mentecapto; livro do desassossego; crime e castigo; estrela da vida inteira; a teus pés; inéditos e dispersos.

11. sete lugares favoritos:
museu do ipiranga; poa; lago paranoá; uma sala escura de um cinema qualquer; qualquer lugar sob o por-do-sol; qualquer barzinho em boa e alegre companhia; Setor II da UFRN nos bons e velhos tempos.
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"...resgatando minhas memórias e afetos... pq me perdi novamente, pq não sei pra onde estou indo, pq não sei quando volto, pq não sei..."