Danae

Danae
Klimt, Gustav
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quarta-feira, janeiro 21, 2009


"... e se viu ferido justo na garganta"

Pequenos e invisíveis tubos sugaram através de minha boca e narinas todo o ar existente em meu corpo naquele instante. Minúsculas luzes amarelas e piscantes acenderam diante de minhas retinas e pareceram fazer minha garganta arder e se fechar. Nenhuma palavra foi possível, apenas lágrimas quentes escorrendo nas bochechas em brasa. Já não via mais nada. O tempo eu já não sabia mais se passado ou presente. Quem era eu e o que me feria? Qual a razão ou era sua ausência que me fazia cair numa armadilha feita pra pegar passarinho ferido. Ferida, caí. Fui pega, tomada, sufocada até a inconsciência absoluta. Acordei no chão e já não podia levantar, porque me faltava parte do corpo.

quinta-feira, julho 24, 2008

Seria assim
Tão séria sua fisionomia
Caso o amor não lhe tivesse traído as ilusões?
Tão amargos os olhos
Destilando o fel que lhe envenena a alma?
Seria tão breve seu peito
Estreito lar em que não cabe mais?
Suas palavras estariam tão empedradas n’alma
Seriam tão frias e sem intenção?
Suas vontades seriam tão incertas
E tão sem pulso sua paixão?
Quereria recuperar a dor perdida
em troca de novamente não respirar?
Ela agora sente medo de não poder voltar
ao tão conhecido canto frio de parede
no qual parece não mais caber...
Seu corpo tenta encontrar posição,
suas palavras tentam sentir o sangue.
Morde os lábios, arranca os cantos dos dedos.
Não sangra mais por dentro.
Nenhum oceano que pudesse produzir
conseguira banhá-la como antes,
Como quando podia enlouquecer sem sequer
dar conta de como principiara o devaneio.
E ainda não desejava o fim. Mas o fim estava aqui.


°
Ele diz que há amor. Fala tanto em amor e eu nem sei o que é isso. É como receber um “fica com Deus” sendo ateu. Eu sou ateia de Deus e de Amor.
Acha que isso é literatura, poesia? Desde o início isso sempre foi apenas aflição... E nem eu mesma era capaz de entender. O que trazem meus dedos no escuro, com dor por tudo, a transformar tanto tédio e incoerência em mais tédio e incoerência gráficas.
Eu só queria que esse mar não carregasse ninguém pra tão longe. Eu não posso segurar por muito tempo. O sal, a água, fazem os dedos afrouxarem. Não sou caminho seguro, como posso ajudar um cego perdido? Há mesmo tempo certo pra eu poder me equilibrar antes de me arremessar novamente? Ninguém da resposta as nossas mais aflitas perguntas. E quando eu explodir novamente, as pessoas normais as quais tentei me integrar sentirão pena e cumprirão seu papel de humanidade... Seremos mais dois loucos comento poeira de estrelas num bloco de carnaval.

quarta-feira, julho 23, 2008




Se endireito-me,
esquerdamente vou para trás.
Se penso prosseguir,
Permaneço penso,
entre um lado e outro,
longo tempo a decidir.
E quando marco em ponto,
a fuga já é velha
e meu aparelho, desmontado.
Marca sempre atrasado o ponteiro.
E quando não inteiro,
meio parado.
O passo adiante ultrapassa,
alcança a pressa com língua de fora.
Conversa fiada,
matando tempo,
puxando no fio de prosa
a hora morta
do dia adiante.
Com o tempo nas mãos,
passa de um lado pro outro
da ampulheta
a areia das horas contadas.
Carolina Miquelassi


domingo, julho 06, 2008

Quanto menos, menos.


Seja por si só, sozinho.
Mas não dê por entender isso à ninguém.
Todos, mais cedo ou mais tarde, te deixarão na mão,
embora todos, igualmente, adorem dizer que estão aqui “pro que der e vier”.
Não é culpa deles, não é culpa de ninguém...
Não subverta a ordem
[ que na verdade não há ],
mas se quiser mudá-la, tornar-se-á inteiramente responsável por todo o caos existente.
Aceite, sorria, cale, mas não tanto.
Tens de saber as doses dos outros.
Pra não parecer (aos outros), passivo, bobo, arrogante ou estranho.
Eles podem ser, podem tudo.
Mas apenas eles.
A impressão é esta mesmo; de que todos sabem a regra do jogo menos você.
Está no lugar certo, mas segundos antes da hora marcada.
Não serve.
Tem que saber chegar,
mesmo que ninguém tenha te dito nada sobre isso.
Tem de saber!
Precisa saber que decisões tomar.
Porquê, certas ou erradas, irão te culpar por tê-las tomado, ou não.
Não diga que vai,
promessa (suas), quando não cumpridas, deporão contra você.
Muito menos dê certeza de não comparecer
Mais de três vezes certa e nunca mais te convidarão.
Nunca, em hipótese alguma, seja a primeira a dar opinião.
Se for negativa, vão dizer que reclama de tudo.
Se for positiva, darão um jeito de voltá-la contra ti.
Seja, ou não seja.
Mas só quando for pra ser.
Quando?
Não espere que alguém lhe diga.
Todos acham que já deves saber.

°
“I like it in the city
When two worlds collide

You get the people

And the government

Everybody taking
Different sides”
Adele

segunda-feira, junho 30, 2008

Retrocesso lírico, etílico e sentimental.

Carta sem destinatário, remetente ou endereço certos, depositada num envelope sem selo, guardado embaixo da fronha de um travesseiro...

“Detesto quando pareço, em tua presença, hesitante.
Não saber o que eu digo, não dizer o que quero,
Por não ter certeza de querer.
Logo eu que sempre pareci saber muito bem o que querer
Encontro-me agora afundada numa banheira de medo,
A água fria até o queixo, todo o corpo a tremer.
Acontece que comigo agora cada dor fala mais alto diante da minha própria voz.
Não queria te ouvir dizer pra eu não ter medo.
Queria que me pudesse mostrar que o medo é pouco perto do que tem pra mim.
Eu queria poder entender...
Estranho é eu não deixar que entre
E algo teu já existir aqui
Algo além da pura lembrança
Algo que parece lembrança do que nunca existiu.
O que eu quero mesmo, o que preciso
É que me queira com sofreguidão
Que lute por mim com a paciência e a determinação
De um monge em busca de paz interior.
Pra me apaixonar tem que chegar do nada
E tomar conta de tudo antes mesmo que eu note a sua presença
Tomar-me de surpresa e no ímpeto de um beijo
Dissolver na boca todo o meu medo.
Teria que ser mais forte que o meu pavor,
Maior que minha dor
Mais conturbado que minhas lembranças
E mais incerto que meus tempos verbais.
A única certeza que necessitas ter
É a de me querer conquistar
De me querer ao lado e não me deixar,
Não permitir transparecer que existiu vida
Antes de nós...
[ Embora os amores perdidos já me tenham mostrado
Que essa certeza não há, e você também já deve saber... ]
Tudo isso era que deveria te dar também.
Isso – teus olhos mostram – é o que procuras nos meus.
Como te oferecer o que busco fora?
Como encontrar em mim o que não me dás?
Não são versos o que escrevo agora
Não tenho mais a menor intenção de rimar.
Preciso de uma palavra pra poder ter certeza
Do que posso e consigo sentir ainda
Como que um sopro de vida – mesmo que já vivida.
Mas quando dois têm medo, difícil pra um acreditar.”

°
Eu não sei quem escreveu...

E a propósito, sou uma recém graduada em Letras.
Por enquanto, não me pergunte o que penso a respeito...

sexta-feira, junho 06, 2008

"... hoje eu tenho cem anos e meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado"



As músicas do Zeca são quase sempre o que mais se aproxima da perfeição... Isso imaginando o que seja essa tal de perfeição... (Não tem jeito, tudo que penso, faço, escrevo, nego, calo... Tudo lembra você e nossas conversas... Você é o único que tem conseguido me fazer chorar só por existir, mesmo lá longe... E se depender de mim cada vez mais longe... Só eu sei por que) Mas essa letra hoje ta mais do que tudo, mais do que em tantos outros momentos... Até poucos dias estar sozinha era tudo que me dava prazer, hoje já não sei. Não sou de companhia, não sei ser, nunca soube e tenho uma profunda preguiça de aprender e tentar. Não quero que ninguém se aproxime, quero! Desejo, anseio, sonho, busco, desisto. Escrevo, envio, recebo, apago, não respondo. Não quero entender, analiso! Quero ir, combino, chamo, não vou, tenho dor de cabeça, cansaço, sono, tristeza. Aaaaaaahhhhh!
Alguma garrafa, por favor, um pedido de socorro que me salve!
Eu preciso amanhecer.

°
Respondendo ao a.
A gente põe a nossa solidão com fantasia de carnaval a desfilar passos coreografados pelas ruas de papel e chama isso de poesia.

°
"Não é que eu ache que o mundo tenha salvação

Mas como diria o intrépido cowboy, fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio"