Danae

Danae
Klimt, Gustav
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domingo, dezembro 07, 2008

Li num livro

" A felicidade é uma ilusão de ótica, dois espelhos que refletem entre si a mesma imagem ao infinito. Nem tente buscar a imagem original, não existe nenhuma.
Não diga que a felicidade é efêmera. O sentimento que se sente e é tomado como felicidade quando se está apaixonado , quando se teve sucesso em alguma coisa, é uma liberdade condicional antes de conhecer a pena: o ser amado não se parece com nada, o que você conseguiu não serve para nada. Isso não a faz infeliz, mas consciente. A felicidade não acaba, ela apenas se retifica.
Nós inventamos a luz para negar a escuridão. Colocamos as estrelas no céu, plantamos postes a cada dois metros nas ruas. E lâmpadas dentro de nossas cassas. Apague as estrelas e contemple o céu. O que você vê? nada. Você está diante do infinito que o seu espírito limitado é incapaz de conceber, de forma que você nada mais enxerga. E isso o angustia. É angustiante estar diante do infinito. Fique calmo; os seus olhos sempre encontrarão estrelas obstruindo a trajetória deles e não irão mais longe. De forma que o vazio dissimulado por elas será ignorado por você.
Apague a Luz e arregale os olhos ao máximo. Você nada verá."

"Desenganada antes do tempo, vomito sobre os sentimentos artificiais. O que a gente chama de amor é apenas o álibi consolador da união de um perverso com uma puta, é somente o véu rosado que cobre o rosto assustador da Solidão invencível. Vesti uma carapaça de cinismo, meu coração é castrado, sou a Dependência lamentável, a zombaria do Engodo universal; Eros com uma foice enfiada na sua alcova. Amor, isto é tudo que a gente encontrou para alienar a depressão pós cópula, para justificar a fornicação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do Belo, do Bem, do Verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha. Os escritores prediletos, o mal estar de viver, o porquê de sair todas as noites, a primeira noite, seguida de outras mis, não ter mais nada o que dizer, foder pra preencher os vazios, perder até a vontade de foder, se afastar, mas ficando mesmo assim junto, brigar, se reconciliar escondendo que no fim existe o tudo e o nada, ir foder com outras, e depois mais nada. Sofrer..."


Hell-Paris 75016 [Lolita Pille]

sexta-feira, junho 27, 2008

Já te disse que a Ana já me disse?


"Intratável.

Não quero mais pôr poemas no papel

nem dar a conhecer minha ternura.
Faço ar de dura,
muito sóbria e dura (...)"

Ana Cristina Cesar
[Cabeceira]

quarta-feira, maio 14, 2008


“porque aquele que eu mais amo dormia a meu lado sob a mesma manta na noite fria. na quietude daquele luar de outono o seu rosto estava inclinado para mim e o seu braço repousava levemente sobre o meu peito - e nessa noite eu fui feliz.”
(Walt Whitman)

terça-feira, maio 15, 2007

Agora é a vez da Ana falar!!!


Protuberância
Este sorriso que muitos chamam de boca
É antes um chafariz, uma coisa louca
Sou amativa antes de tudo
Embora o mundo me condene
Devo falar em nariz(as pontas rimam por dentro)
Se nos determos amanhã
Pelo menos não haverá necessidades frugais nos espreitando
Quem me emprestar seu peito ma madrugada
E me consolar, talvez tal vez me ensine um assobio
Não sei se me querem, escondo-me sem impasses
E repitamos a amadora sou
Armadora decerto atrás das portas
Não abro para ninguém, e se a pena é lépida, nada me detém
É sem dúvida inútil o chuvisco de meus olhos
O círculo se abre em circunferências concêntricas que se
Fecham sobre si mesmas
No ano 2001 terei (2001-1952=) 49 anos e serei uma rainha
Rainha de quem, quê, não importa
E se eu morrer antes disso
Não verei a lua mais de perto
Talvez me irrite pisar no impisável
E a morte deve ser muito mais gostosa
Recheada com marchemélou
Uma lâmpada queimada me contempla
Eu dentro do templo chuto o tempo
Um palavra me delineia
VORAZ
E em breve a sombra se diluir
Se perde o anjo
[Ana Cristina Cesar]

quinta-feira, março 29, 2007

Gota a gota


[Ana Cristina César]


Cada busca inútil me traz uma impressão longínqua de despedaçar-se: chegou-se a algum lugar, afinal, pois chegamos quando nos dispomos a continuar; mas a que custo! Seria talvez mais desejável para nos, gente, não chegar, achando quem sabe um último suspiro depois de um último passo.Cada noite que desce sobre uma espera vã traz-me à boca um gosto de vinagre, aos ouvidos um som qualquer que ensurdeça. Ninguém se disse adeus, e na ausência de luz alguém está morrendo sozinho.Cada vez que não morremos parece-me que demos mais um passo pra trás, progredimos no sentido inverso, chegamos, pois que nos levantamos para prosseguir. E nestes dias de indolência, oco, ânsia oculta, uma sensação de interminabilidade sobe, sobe, pelas veias sobe. Nada. Esta falta de segredo é uma chegada, no seu verdadeiro significado: chegada é sempre escala; ponto para respirar; pela penúltima vez, quem sabe.
Esta brisa marinha semimágica que entra tão sub-repticiamente pela janela denuncia o quê? Ou liquefaz meus suspiros em mistério tátil e tácito. Meu Deus, de novo a brisa a me desalienar e desalinhar, despertando o borbulhar que o ano inteirinho pressentiu. Suspirosa e oleosa, uma tonta. Ligo o rádio. Será que eu fui engolida inteira? Faz de conta que a minha digestão é fácil, que as grandes partes se derreteram já, que os ossos cuspidos estão arrumados, insensíveis e ressecando [...] A noite despencou e quebrou três estrelas.

quinta-feira, março 01, 2007


"...é que há em mim agora uma dor profunda específica, com tantas facetas quanto os olhos de uma mosca, e devo dar à luz essa monstruosidade de modo a ficar novamente leve."

Os Diários de Sylvia Plath

quinta-feira, fevereiro 01, 2007




“Tem dias que não sei se devo parar de respirar definitivamente ou se fico em apnéia durante todo o tempo que me resta. Dias em que debaixo das cobertas respiro e engulo minhas lágrimas sentindo o sabor delas na língua. Levanto de uma cama desarrumada com os cabelos despenteados e com a pele violentada. Nua, diante de um espelho. Observo meu corpo. Vejo uma lágrima escorrendo dos olhos pelas faces, enxugo com um dedo e arranho um pouco a bochecha com a unha. Passo as mãos nos cabelos, puxo para trás, faço uma careta só para parecer simpática e rir de mim mesma: mas não consigo, quero chorar, quero me punir. Vou até a primeira gaveta da mesinha. Primeiro examino tudo o que tem dentro, depois separo com cuidado o que quero vestir.” Cem escovadas antes de ir para cama" [Melissa Panarello]