Danae

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Klimt, Gustav
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sexta-feira, janeiro 04, 2008

Olha as fotos do nosso amor!


Tantos "amores maiores que tudo", tão instantâneos e alarmantes.
Tantos "te amo mais que minha vida" de pessoas que se conhecem há apenas dois meses.
Tantos homens e mulheres uns das vidas dos outros que sequer se olharam direito nos olhos por pura falta de tempo...
Sou eu que enlouqueço de despeito e amargura ou as relações estão cada vez mais vazias?
Orkut é um closer – perto demais... Algumas pessoas nós nunca vimos, difícil avaliar, mas outras conhecemos ou um ou outro membro do casal de seres que se tornou um só... (detesto essa idéia de perda da individualidade...) da certa desconfiança de tamanha exposição e alarde desses relacionamentos.
Belas fotos maquiadas, descrições com juras eternas de sentimentos infalíveis e... Perto demais é que se sabe.
Se passamos mais de um mês sem olhar direito o ORKUT dos amigos podemos tomar grandes sustos. Encontrar seu amigo de pose sorridente ao lado de uma moça que não era a namorada dele há alguns dias... Embora o rodapé da foto parecesse ser o mesmo.
Quando se está perto demais de alguns desses casais ou quando se presencia ou vive estórias que te negam toda aquela verdade de amor que nos mostram álbuns, scrap com coraçõezinhos e depoimentos carregados de poesias copiadas com a ajuda do Google, o que pensar?
Há poucos dias uma amiga me mostrou indignada o perfil do ORKUT de um carinha.
Bonitão e no status do perfil, que não possui quase nenhum detalhe, estava muito bem legível ‘casado/a’.
O rapaz não era casado mesmo, mas esta é a forma como muitas pessoas colocam quando julgam ou querem demonstrar que seus relacionamentos são mesmo sérios.
Fui ao álbum (enquanto perguntava pra amiga de quem se tratava), lá havia poucas fotos e a última me chamou a atenção. A foto era absolutamente linda e eu juro que me comovi com a descrição do rodapé que, apesar de manjada e clichê, fez meu coração romântico se alegrar por ver um rapaz tão jovem apaixonado daquela forma. Os dois eram lindos e estavam sublimes, perfeitos, de dar inveja a qualquer um. Continuei ao MSN perguntando a minha amiga de quem se tratava, se era algum amigo ou amiga dela...
Ela me contou que tinha ido há uma boatezinha universitária - bem conhecida da cidade - na noite anterior e que havia sido paquerada por um rapaz durante boa parte da noite e que, com sua insistência e charme, acabou a convencendo em ‘ficarem’. Pois bem, beijinhos e detalhes aos quais não me prenderei a parte, o carinha pediu o telefone.
- Dou não.
- Pois então pega o meu.
Depois de mais um pouco de beijinhos etílicos ela acabou dando... O telefone, calma.
No dia seguinte, em frente ao pc, nessas férias animadérrimas daqui de Natal, ela fuçou (e quem procura acha) e encontrou o ORKUT do tal fulano (que por acaso havia dito que não tinha).
Bom, o resto já se sabe. O moço tinha namorada, uma linda (mas linda mesmo) garota loira de 19 anos, estudante de Direito de uma dessas 439 faculdades particulares existente na nossa pequena cidade. Adentrando às páginas do perfil encontramos muitos scraps apaixonados e depoimentos que me deixaram de queixo caído. Fui ao perfil dela também, tamanha a curiosidade e falta de algo melhor pra fazer que me moviam naquele instante. E o que encontramos lá foi só uma extensão do já visto só que com um pouco mais de cor de rosa e purpurina.
Eu fiquei mesmo muito enraivecida e nem foi pela minha amiga que só tinha ficado com o carinha uma vez. Eu fiquei pensando naquela menina de 19 anos. Quando a realidade que tanto eu quanto minha amiga já sentimos a nos amargar boca e coração respingasse também na sua alegria de amor fotogênico.

Eu já namorei um mentiroso compulsivo, portanto é compreensível minha descrença quase que absoluta nos seres do sexo masculino. O que me da raiva é que até as criaturas que não fazem parte da minha vida insistem em contribuir com a minha falta de fé nos relacionamentos verdadeiros.
Sei que eu ainda carrego no coração uns pacotes da pipoca açucarada das paixões literárias e das comédias românticas de Hollywood, mas sacanagem é sacanagem em qualquer lugar e a qualquer hora.
Olho também pras carinhas de criança que figuram estas ‘histórias de amor’ e me pergunto se tudo não passa do exagero e irresponsabilidade normais da idade. Afinal, eu me sinto uma velha caquética a cada dia que passa com tantas criaturas de 19 e 20 anos a minha volta...
Eu ainda quero acreditar em relacionamentos verdadeiros. Sei que pra isso precisamos de pessoas maduras, mas como será que essas pessoas vão chegar à minha idade com tanta superficialidade envolvendo seus sentimentos?
Espero que menos feridas que eu.
.
Carolina Miquelassi

4 de janeiro de 2OO8 às 04:18

sábado, maio 12, 2007

Meu Adriano

O que fazer se não consigo dormir enquanto não puser essas palavras no papel pra te entregar? Levanto da cama e vou à escrivaninha então.

Você me deu e tirou tudo. Você me tirou todo o medo, toda a dor, toda a ansiedade e também toda a paz. O que fazes comigo Adriano desde que nos olhamos pela primeira vez? Será ilusão tudo que penso sentir? Será que estou enlouquecida? Será que me encontro tão dissociada de você que ao ouvir me perguntarem meu nome pronuncio o seu? Sim, estou.

Por quanto tempo viva não poderei deixar que não façam parte dos meus dias as lembranças doces de cada olhar que me deste, de cada puxão de cabelos ou de orelha, de cada telefonema nas horas menos esperadas e nas muitas esperadas também. És o amor maior de minha vida e isso me deixa tão tranqüila pela calma da certeza de ter encontrado o que tantos atravessam a vida toda a buscar... No entanto amado meu eterno, me deixas neste mesmo instante. Me das às costas e finges até nem mesmo teres me amado um dia.
Parece loucura meu anjo se pareço não morrer por este abandono? Parece loucura se te digo que minha certeza de nosso amor ser infinito me supre de forma inequívoca?
Não. Vejo tudo isso como um sonho ruim.

Lembra de tantas tardes ao sol? Tantas conversas enviesadas antes daquele primeiro beijo... Roubado? Por quem mesmo? Lembro-me de tuas cartas quando começaste a escrever-me em absoluto estado de torpor... Acho que sonhara meu doce anjo. Acho que tanta felicidade só pode ser fruto de uma loucura sem precedentes. Acho que antes eu era louca e hoje sou...

Adriano sou eu. Não submissa, mas amante. Não frágil, mas inteira. Olha-me e diz refletindo cada movimento de seus lábios em minhas retinas, dize-me a mim que não mais me tens amor. Dize-me para que eu poça morrer de um só sopro, sem dor, porque não viveria um só segundo sob está realidade. Pelo simples fato de que só existo para o seu amor e para além dele nada de mim persiste. Nem pele, nem ossos, nem sangue, nem cabelos, nem sorriso, nem olhos, muito menos dor, amor ou suspiros...

Sim, eu mentia. Não há em mim nenhuma serenidade. Como pode haver equilíbrio em um lar sem paredes. Não há sono que me sossegue, nem brisa que me seque as lágrimas da alma. Não há paz sem esse amor.
Apaga, apaga, apagaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa todas as minhas palavras e ações.
Apaga de mim todas as certezas de amor.
Apaga de mim a lembrança desse inútil amor!
Apaga de mim essa necessidade infinita de te ter ao meu lado como um amigo que seja. Apaga de mim a dor de rasgo que me parte os olhos ao imaginar seu amor a outro alguém.
Corta-me todo o corpo e dê de alimento aos peixes no mar.
Queime-me viva e lentamente em praça pública. Expurgue de mim esse amor que não deveria me dominar assim.
Mata-me Adriano, mas não vá.
Morrerei eternamente até o dia em que cansem da minha dor e me dêem o direito de descansar.
Morrerei a cada passo que der sem ti. Morrerei a cada sabor que não compartilhes comigo. Morrerei a cada descoberta que não puder vir da cor de seus olhos nos meus. Morrerei a cada tarde e sempre que me lembrar da tua ausência. Morrerei enfim em cada sorriso que não conseguir abrir por não tê-lo mais em mim.
Morrerei até que morra este amor em mim. E aí então mais uma vez te amarei só para então poder deixar que me matem da única doença da qual vale a pena morrer: você!

Tua Elisa

(Fragmentos de uma carta de amor)

segunda-feira, abril 23, 2007



“Words are flowing out like endless rain into a paper
cup,
They slither wildly as they slip away across the
universe.
Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my
opened mind,
Possessing and caressing me.
Jai guru deva. Om.”


Across The Universe

Lennon / McCartney



Me arraso,
rasgo
e costuro

sou de carne mesmo,
costurada
a frio
fio a fio

e em sangue
me reconstruo,
duro,
mas puro amor

mordo o beijo
a carne crua,
madura,
desejo

nessa matéria
pura,
costura
o rasgado amor

costuro no tempo,
na espera,
o rasgo
sangrou

e seja,
e dure
ou não,
Rasgou.

Carolina Miquelassi




02:38 (conclusão)

domingo, abril 15, 2007


detesto lapsos e brancos espaços!!!



não começar nada, este é o segredo...


não fumar o cigarro da saudade e morrer de cede em frente à moringa de barro friinha...





...



"Mas as coisas não são assim não é vovó. Tem coisas que a gente não escolhe nunca. As coisas do coração não é vovó, elas são como são..."