Danae

Danae
Klimt, Gustav
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sexta-feira, outubro 24, 2008


Descobri que o que me faz pensar ser poeta nunca foi a paixão e sim a dor


Lanço a taça de cristal contra a parede
Com medo que me quebre nas mãos
e os cacos me cortem por cima das cicatrizes.

Lanço a taça contra a parede e choro sobre os cacos “derramados”.
Lanço a taça contra a parece e me consolo com o sangue
entre os cacos, entre as mãos.

Mais cicatrizes,
mais cacos,
menos taças,
mesmas mãos.

Carolina Miquelassi



Quem colocou esse muro
onde ontem
havia um abraço?
Decerto eu o ergui
com gestos mudos e herméticos
compostos pelas palavras que me vieram à boca,
mas não disse.
Esqueço-me que a matéria das coisas todas
é muito diversa da minha
matéria de sombra e sal
na qual tudo que se cala
ganha maior gosto e relevância,
cresce na forma e agiganta-me,
mas deforma o sentido do olhar.
Quem colocou esse muro
onde ontem
havia um abraço?
Decerto eu...

Carolina Miquelassi

quinta-feira, outubro 09, 2008



fugit, fugit...


O tempo presente se alonga.
Vive-se sem fim. Sem fundo.

Não corre, pois é
corrido. Corroído,
seguro pela fé(rugem).

Longo presente vivido,
curt(id)o. Ao sabor do vento

o tempo. Transpassa
o passado, mas não enlaça
as mechas do porvir.

Viver o tempo metade
Pra não perder sua areia
Segura na mão – saudade –
perdida no meio dos dedos
vertida no meio dos medos
de não viver de verdade

Carolina Miquelassi

PS:

O poema acima foi descaradamente e consentidamente plagiado

do poema Num sopro II.

E no dia de hoje ele me (re)caiu como uma luva cheia de formigas lava-pé.



terça-feira, setembro 04, 2007

Camille Claudel, "O Abandono", 1905

Pra ser lido ao som de Hallelujah - Jeff Buckley
http://br.youtube.com/watch?v=AratTMGrHaQ


poema/concerto para quatro mãos in câmara escura

As cordas de minha pele
há algum tempo adormecidas,
mal tocadas, feridas, mutiladas ...

Os acordes de minha carne
emudecidos, imolados, duramente abafados,
esquecidos de seu som ...

Acalentados por um sopro
distante, oloroso e quente.
Em meio ao sonho ‘luxurioso’
do qual não conseguem despertar.

Tocadas no aço que se fez tremura
por dedos inflamados de paixão,
num átimo, condenados ...
Não eram mais frios os meus acordes exaltados.

Concerto pulsante de fulgor e medo.
Entre lágrimas e ânsias,
entre o que ganho e o que peco (perco).
Em melodia suspirosa amanhecemos.
.
[11:48 __________ 00:12 / 04-05.09]
... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. .
.
"Eu lucro pela cor do trigo.
Eis, o meu trigo!"
.
[Carolina Miquelassi]