Danae

Danae
Klimt, Gustav

quarta-feira, agosto 22, 2007

Lições sobre o silêncio

Silenciar o que calo aqui dentro
É tarefa de carpinteiro.
E você não entenderia, não, não entenderia.

Tão difícil quanto compreender o sentido real de ‘calar’ ...

Ao mesmo tempo baixar a voz,
ao mesmo tempo penetrar, transpor, atravessar, invadir.

Abro calas ao som que me transpõe.
Baixo o som – pra fora – do que me invade, penetra.
Gravo com dedos e anzóis as linhas de corte do meu silêncio.

Imponho meu silêncio aos seus ouvidos.
Abafo e transponho para mim todos os sentidos.

Cala-me n’alma esse som batido,
silencioso e oco da palavra caindo ao chão.


Encontro assim, portanto a minha definição de agora para ‘calar’:
Imprimir n’alma a palavra que não sairá mais da boca.



... .. . ... .. . ... .. . ... .. .
Calar¹
Do lat. vulg. *callare, ‘baixar’, esp. ‘baixar a voz’,
Calar²
Do lat. calare, ‘fazer baixar’, ‘fazer penetrar’, gr. chalãn, ‘soltar’, ‘baixar’



quinta-feira, agosto 16, 2007

... um pouco mais de paciência

Ô coisa doída é matar um sentimento!!!
A gente morre um bocado ...

Resta agora procurar onde ainda há vida aqui.


...

"mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
a vida não para"

segunda-feira, agosto 13, 2007

E eu que jurava que estava esquecendo ... ou Ao Homem de Lata ou Já que eu não aprendo.


Eliminar lembranças.
Naquela caixa vou guardar
todas as que ainda me causam saudades.
O primeiro olhar com cheiro de espiga de São João.
A primeira noite que traçou sem piedade e pressa nosso fim.
A primeira saudade que de tão guardada já eu nem recordava mais.

As primeiras reais palavras.
A minha primeira convulsão no peito.
A primeira vontade de desistir ...
Seguida do primeiro encontro de lábios.
A primeira despedida.
E toda a conquista ... Displicente, para ambos???
Todo o despertar do desejo ...
E toda a necessidade ...
Toda a falta ...
Toda a contínua e aflitiva vontade.
E todas aquelas (estas) lágrimas também.

Dobro e ponho no fundo da caixa
(nada de ordem cronológica)
nossos corpos deitados lado a lado,
o cheiro da sua pele,
seu rosto de criança ao dormir,
sua respiração ...

Elimino as lembranças do meu dia-a-dia
e guardo-as muito bem conservadas nesta caixa.
Em meu peito não cabem mais tantas recordações
sua saudade ocupou mais espaço do que havia.

... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. .

sexta-feira, agosto 03, 2007

Homicídio amargamente qualificado

foto by: Gilson Rodrigues

Estou ao pé de minha dor
Derramo agora por ela minhas derradeiras lágrimas.
Estou ao pé de seu jardim (jazigo).
Não que ela esteja agora morta,
mas a estou sepultando.
Não sei bem ao certo ainda se quero mesmo mata-la.
Quero olhar um longo tempo para esta dor
e vê-la pouco a pouco morrendo,
lentamente, pelas mão de um algoz desconhecido..

Aparecerão os primeiros fios de cabelos brancos
em minha esperança.
Quase nada de certeza.
Quase nada de paixão.
Quase nada de misterioso e bom nesta vida.
Mas esta é a vida.
A única vida que tenho.

... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. .


segunda-feira, julho 30, 2007

"... e agora a chuva em meu rosto me faz chorar"

domingo, julho 22, 2007

Às vezes é bom visitar antigos sítios.
Tudo se trata do momento certo.
Eu realmente não quero continuar residindo no “misterioso país das lágrimas”.
Mas sair dele não depende só da vontade.
Eu preciso enxergar algo a minha frente.
Viver sem nada nas mãos, sem nada por colher, sem nada esperar ...
Seria o ideal, mas é vazio demais pra que eu possa suportar.
Não sei viver sem paixão, não mesmo.
E não concebo que alguém consiga respirar sem ela, muito embora por vezes ela nos tire o ar e ...

Quando eu era criança desejava saber como era viver num apartamento.
Desejava subir na parte mais alta da igreja em frente a minha casa.
Desejava fazer um passeio sozinha pela rua.
Uma vez escapei de meu pai no Museu do Ipiranga em pleno desfile de 7 de setembro.
Dei uma bela volta sozinha e livre pelo jardim do museu. Quando retornei meu pai estava pálido, morrendo de medo de eu ter me perdido. Acho que foi minha primeira grande aventura.
Eu deseja ter um irmão.
Desejava que não tivesse mais enchentes.
Desejava estudar à tarde pra não ter que acordar tão cedo.
Desejava

Acho que meus desejos (outros, não estes da infância) estão perto demais de se tornarem realidade ou outros são improváveis demais de se realizarem algum dia. Talvez por isso eu me sinta tão inerte, tão sem perspectivas e ilusões. Se bem que as ilusões nunca foram muito boas comigo, mas é triste admitir que sem elas é pior e que são elas que fazem a gente ter coragem de agir e sair do lugar. Assim como a Utopia ...
O que se faz quando não se espera mais nada? Quando não se acredita em mais nada? Quando não se acredita em surpresas nem em milagres? Quando se está cético para tudo e todos? Quando não se crê mais no amor e nas amizades?
Será esse o mal de uma geração?
Será esse um mal particular?
Como voltar a crer e esperar depois de tantas coisas destruídas?
Existem realidades das quais tomamos conta que nos transformam para sempre.
É impossível fingir não saber de nada, apagar da mente e continuar.
Há dores que nos destroem a ponto de não nos permitir mais amar.

Falta-me fé em mim mesma.
Faltam-me desejos.
Ou falta-me a coragem de torná-los realidade.

Quando se é criança podemos de tudo sonhar, tudo está tão longe de deixar de ser sonho.

terça-feira, julho 17, 2007

Ao Anjo da Lucidez

Pobres das pedras que não choram, não sangram, nem tremem de amor.

Eu não sou pedra, nem quero tornar-me uma!!!


Conserva-me a lucidez desse instante! Caralho*, eu sou feliz!


“Faça bom proveito do seu coração de lata.
Como o sol minh'alma continua intacta”
[Zeca Baleiro]

... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. .


*descobri q o word é deveras puritano ...

quarta-feira, julho 11, 2007

Carta de um breve adeus a uma breve (?) paixão.

Despeço-me aos poucos de meus sentimentos por você
Não entendo o porquê de gostar tanto de sentir isso ainda...
Aquela terrível sensação de estar perdendo algo fundamental,
de estar deixando algo que me fará eterna falta.
Fico sempre a me perguntar se sentirei tudo isso novamente.
Tenho medo, independente de qual for a resposta que o tempo venha me dar.
“Foi a última vez”, eu digo toda vez...
Foi nada demais “então pra quê chorar?
Quem está no fogo está pra se queimar, então pra quê chorar”

Despeço-me a cada palavra, a cada silêncio,
a cada lágrima que você não vê nem verá.
Perdi qualquer certeza que eu pudesse ter
acreditado possuir na minha vida.
Acho até bom não ter certezas.
Idéia louca que me bateu agora... E se você lesse isso?
Você lerá, porque resolvi agora que vou te mandar isso.
Sabe, num estou mais preocupada.
O que eu tenho a perder é o mesmo que tenho a ganhar...
Não sei como eu reagiria no seu lugar, não quero nem pensar nisso.
Tudo que escrevi nesse bendito blog
nos últimos muitos dias (alguns meses) tem sido pra você.
Não quero continuar com a certeza de que você não leu.
Não vai mudar nada.

Não sou criança como possa vir a parecer,
sou mulher e isso em matéria de coração partido
é imensamente mais drástico, pode acreditar.
Pode ser que se diga "como ela é boba, se iludiu porque quis,
eu nunca insinuei que corresponderia a todos esses sentimentos".
E eu com isso!?
Sempre soube... EU APENAS PRECISO DIZER EM LETRAS GARRAFAIS PRA VER SE ISSO SAI DE DENTRO DE MIM.
Não quero mais me esconder.
Só quero esgotar isso tudo.

“Quero lembrar de você até perder a memória”
Quero que termine já que não poderá viver.
Quero abortar esse feto natimorto que é meu ‘querer-bem’ por você.
Porque ele precisa do seu sangue pra viver,
mas este encontra-se temporariamente congelado não é mesmo...
Pense o que quiser e diga o que quiser
ou não pense e não diga nada se assim quiser.
Não apago minhas palavras nem os meus atos,
mas preferia apagar alguns sentimentos...
Não me entenda mal.
Ausento-me de mágoas, raiva ou algo semelhante.
Quero que permaneça apenar a ternura,
mas por enquanto há mais que isso...

Enquanto não posso mudar pra outro sistema solar
(ou enquanto meu coração não desiste)
eu fico por aqui desviando dos meus sentimentos inúteis
e das minhas vontades estéreis.

terça-feira, julho 03, 2007

Você entenderia se te contasse da minha saudade???
Se dissesse que meus dias têm sido uma espera, um desejar

e um tentar esquecer constantes???
Tenho uma certeza cortante que me diz que dentro da tua frieza

não encontrarei respostas.
Não sei como sair.
Não recordo por onde entrei...

"Turn, I'll turn this slowly 'round
Burn, burn to feel alive again"

segunda-feira, junho 25, 2007

Hoje ...

“Vontade de te abrigar em meu colo,
beijar suas pálpebras
e te embalar por um Tempo sem fim ...”

quinta-feira, junho 21, 2007

"Se há pote de ouro no final dele eu não sei.
Pra mim ouro é essa beleza, tão pobremente
retratada por minha humilde câmera.
Sim, ele surge após as lágrimas... Após a chuva...
E isso sim é ouro"
[21.06 / 17:05]
"Oh baby, como dói ser só...
Garoa!

Ainda me encanto ao ver meu
coração capaz de se encantar.
Ainda fico encantada como ele é capaz de querer.
Não mensuro mais nada.
Não preciso contar dias nem horas nem beijos...
Meu coração cresceu,
mas não deixou de ser criança.
Ai, como ele dói neste instante.
Como ele pode ainda doer nesse instante?
Como ele pode ainda doer e querer tanto?"


“It burns, burns, burns”

terça-feira, junho 19, 2007


.............................................
Assim como a praia,
eu me encho, preencho e esvazio,
vazio.
As ondas vêem, me beijam e se vão,
em vão?
Ficaram-me os sulcos na face, no peito,
desfeito.
Ficaram-me os pingos de mar,
de mar ...

Afoga teu fogo no colchão,
paixão.
Joga as cinzas da tua saudade na esquina,
tua sina!
...

Ponha as rimas no bolso
E chore a sua dor em verso branco.



[Carolina Miquelassi]
...........................................

domingo, junho 17, 2007

branco, preto e cinza, muito cinza.

Falta energia.
O que fazer no silêncio e na escuridão???
Pensar na vida torna-se inevitável.
Boa parte de tudo aquilo que nos distrai da
realidade está apagado.
Só há um lugar para o qual fugir: pra dentro.
Algumas crianças gritam na rua...
Falta de luz sempre é festa quando se é criança.
Mas eu não quero pensar.
Não agora que está tudo tão fresco.
Não é bom.
Não de TPM.
Então eu lembro do bendito mp3
(quase dois meses esperando pela caixinha
do correio e eu esqueço dele).
Música.
O que seria de mim sem esse gozo ...
E as músicas me fazem pensar no que

eu não quero, mas de forma diferente.
Quando a tristeza é muito grande
só podemos aceita-la em forma de arte.
Não vou pensar agora no que me aflige
porque me faltam pontos, virgulas e pingos nos “is”.
Que ironia.
Falta-me o TEMPO adequado pra sentir.


.~..~.~.~..~.~.~..~.~.~..~.~.~..~.~.~..~.~.~..~.~.~..~.~

"a vida é um parafuso sem fim

Que a cada volta
Aperta mais
E nunca afrouxa
Para trás
Só então saberás que
Desde o início eu já era assim

Você me dói agudo e isso é grave, grave"

[A outra volta do parafuso - Moska]

terça-feira, junho 12, 2007

Devoro uma latinha de moça fiesta beijinho...
Eu me devia algum prazer esta noite.

Agora, docinha por dentro...

FELIZ DIA DOS NAMORADOS
meu amor!!!

Onde quer que você esteja

Espero nos encontrarmos ainda...

“... se eu peco é na vontade
de ter
um amor de verdade.”
...

domingo, junho 10, 2007

Sempre quis roubar essa janela pra mim... e esse vermelho.
Inspirado pobremente em um posto do blog do VERTOV ...
como dificilmente ele vai chegar aqui algum dia ...

1. sete coisas que faço bem:
omelete de queijo com ervas finas; escrever (embora eu nuca goste do que escrevo); draminha; trabalhos manuais; afastar as pessoas de mim; digitar com dois dedos; apaixonar-me.

2. sete coisas que não sei fazer:
namorar; paquerar (tô ferrada...); resumo; cálculo de qualquer espécie; contar piada; esquecer; mentir... ah, são só sete né, tsc?!

3. sete coisas que me atraem no sexo oposto:
cultura; ironia; bom humor; panturrilha grossinha; fofura; sinceridade; olhos nos olhos.

4. sete coisas que não suporto no sexo oposto:
autoritarismo; criancice; canalhice; falta de atitude; inhaca; exibicionismo; desapego.
5. sete coisas que digo com frequência:
cara; cara perfeito!; putz!; definitivamente eu não sei; owww não foi isso que eu disse; me perdi novamente; esqueci.

6. sete atores/atrizes que eu gosto:
jack nicholson; gerard depardieu; lázaro ramos; morgan freeman; juliette binoche; isabelle adjani; maryl streep.

7. sete atores/atrizes que eu detesto:
canastrões e modelinhos em geral.

8. sete filmes que eu adoro:
que fale das inúmeras possibilidades de se manipular o tempo e a memoria (presente/passado/futuro) – eternal sunshine of the spotless mind, the butterfly effect, investigações/policial, romances possíveis e com o mínimo possível de clichês - lost in translation; dramas inteligentes – damage, les invasions barbares, Léon; ficções cientificas que não me chamem de idiota – AI; comédias que me emocionem

9. sete filmes que eu detesto:
violência gratuita; romance pra justificar cenas de violência gratuita; comédia pastelão; erotismo pra segurar enredo e história ruins; romances clichês; muitos efeitos especiais, ação e sexo pra segurar a falta de argumento.

10. sete livros favoritos:
encontro marcado; o grande mentecapto; livro do desassossego; crime e castigo; estrela da vida inteira; a teus pés; inéditos e dispersos.

11. sete lugares favoritos:
museu do ipiranga; poa; lago paranoá; uma sala escura de um cinema qualquer; qualquer lugar sob o por-do-sol; qualquer barzinho em boa e alegre companhia; Setor II da UFRN nos bons e velhos tempos.
-----------------------------------------

"...resgatando minhas memórias e afetos... pq me perdi novamente, pq não sei pra onde estou indo, pq não sei quando volto, pq não sei..."

quinta-feira, junho 07, 2007

Hoje eu realmente parei ...


e o vi nascer ...

é lindo, mas ainda prefiro quando ele está indo embora.
Estranha atração por despedidas ...
"Você já leu Kafka???"

-----------------------------------

São 5:34 da manhã.
Estou com frio.
Vou dormir!!!
---------------------

lembrei-me de uma antiga dúvida infantil:

"que cor pintar o meu céu professora???"

... ela sempre deixava a escolha por minha conta.

quarta-feira, junho 06, 2007



"Nunca choramingue suas aflições pelo MSN.

Ninguém quer realmente saber, entende!?
Nunca mais se esqueça disso!!!

E outra, realmente deixa pra lá, esqueça.
A menos que você queira mesmo enlouquecer.

“Anjos nem sempre caem do céu”
--------------

Eu quero respirar fundo e voar,
Mas pra isso preciso me livrar da internet
e depois preciso não sentir falta dela... nem dele...
-------------

Cabeça vazia, oficina do Djabu!!!
-------------
Deixei até de falar da minha ida ao cinema e do filme que gostei... Tem também as jujubassssss, hummmmm...
Parte doce e colorida no meu dia cinza!!!"
-------------
Amor é bom anjo negro... e como!!!

segunda-feira, junho 04, 2007


Entendas quando digo que te preciso.
Não me queiras adivinhar os pensamentos.
Não queira, em ti, reprimir as saudades.

O tempo me ajuda a não dormir
e mesmo assim eu sonho.
Com esse rever que eu tanto espero,
com esse querer que eu tanto quero.

Não me apague das tais lembranças.
Mesmo que a magia do verde já não exista...
E tua ‘paixão’ tenha mudado de cor.

Não fujo das minhas palavras
Não apago meus impulsos...
Mas sei morrer quando é preciso

e também sei mudar os planos.


[Carolina Miquelassi]

~.~.~.~..~.~.~.~..~.~.~.~..~.~.~.~..~.~.~.~..~.~.~.~

[Versos Perdidos - Zeca Baleiro]

As frases são minhas

As verdades são tuas
Enquanto te desejo
Me vejo chorando no meio da rua
Beijo teu sorriso num dia de sol
Que entra pela porta
E canta pela janela

A noite mãe do dia
Molhava tua boca
Na língua da poesia
Oh meu grande amor de versos perdidos
Murmurando na chuva como um refrão
Que só faz sentido
No fundo da cama