Danae

Danae
Klimt, Gustav

quarta-feira, julho 30, 2008

e se você desse chance à esse tempo que passa...


Me faz ficar aqui pensando em você e some. Me põe idéias, vontades, conflitos e segue cuidando da própria vida. Era o que eu deveria fazer se tivesse uma vida. Silencia. Ninguém me tira do lugar por muito tempo sem soprar forte e constante. Se criamos saudades para nos fazer companhia, também podemos criar satisfação e contentamento com nossa vida de sombras. Mas nada é perene. E como a areia não para a não ser que se arremesse no chão a ampulheta , resta-me duas direções; partir antes da chegada ou forçar mais um passo para alguma direção.
O que eu busco em você e nessa historia que estou querendo inventar? O que eu busco em mim? Não consigo me apoiar no que sou porque não me encontro mais quando me busco. Eu estou criando alguém pra quem sabe poder novamente me apaixonar e mais uma vez não dar certo porque eu não encontro pessoas e relacionamentos reais e daí mais uma vez terei uma hemoptise verborrágica açucarada no princípio e que no fim terá gosto de chocolate amargo e cheiro de café requentado. Estou buscando algo que me faça mais uma vez ter toda a dor de viver nas pontas dos dedos. E se você lê-se isso poderia entender o quanto sou louca (a loucura que mencionei) e saltaria fora antes mesmo de entrar porque ninguém mais merece estar à procura de cortes pra escrever com o próprio sangue.
Ia te enviar isso, mas achei melhor por aqui, ao alcance. Você não acha mesmo esse lugar, não vem aqui, parece nem dar conta. Por alguns instantes eu me encantei, mas a solidão opera tantas coisas em nós. Sinto que me apaixono durante algumas horas. Me apaixono por você ou por uma odeia qualquer que tenha traços seus. Me apaixono por esse ‘meu você’ pouco antes de dormir. Durmo com ele e é a cada noite um ‘meu você’ diferente. Estou me tornando promíscua e a culpa é sua. Alguém que sequer beijei.

°
Ah, eu assisti o filme... Depois comento sobre isso. Ta fervilhando em mim.

domingo, julho 27, 2008



Meus cacos de vida no chão.
Venha de coturnos
ou vá pela outra rua.


°

quinta-feira, julho 24, 2008

Seria assim
Tão séria sua fisionomia
Caso o amor não lhe tivesse traído as ilusões?
Tão amargos os olhos
Destilando o fel que lhe envenena a alma?
Seria tão breve seu peito
Estreito lar em que não cabe mais?
Suas palavras estariam tão empedradas n’alma
Seriam tão frias e sem intenção?
Suas vontades seriam tão incertas
E tão sem pulso sua paixão?
Quereria recuperar a dor perdida
em troca de novamente não respirar?
Ela agora sente medo de não poder voltar
ao tão conhecido canto frio de parede
no qual parece não mais caber...
Seu corpo tenta encontrar posição,
suas palavras tentam sentir o sangue.
Morde os lábios, arranca os cantos dos dedos.
Não sangra mais por dentro.
Nenhum oceano que pudesse produzir
conseguira banhá-la como antes,
Como quando podia enlouquecer sem sequer
dar conta de como principiara o devaneio.
E ainda não desejava o fim. Mas o fim estava aqui.


°
Ele diz que há amor. Fala tanto em amor e eu nem sei o que é isso. É como receber um “fica com Deus” sendo ateu. Eu sou ateia de Deus e de Amor.
Acha que isso é literatura, poesia? Desde o início isso sempre foi apenas aflição... E nem eu mesma era capaz de entender. O que trazem meus dedos no escuro, com dor por tudo, a transformar tanto tédio e incoerência em mais tédio e incoerência gráficas.
Eu só queria que esse mar não carregasse ninguém pra tão longe. Eu não posso segurar por muito tempo. O sal, a água, fazem os dedos afrouxarem. Não sou caminho seguro, como posso ajudar um cego perdido? Há mesmo tempo certo pra eu poder me equilibrar antes de me arremessar novamente? Ninguém da resposta as nossas mais aflitas perguntas. E quando eu explodir novamente, as pessoas normais as quais tentei me integrar sentirão pena e cumprirão seu papel de humanidade... Seremos mais dois loucos comento poeira de estrelas num bloco de carnaval.

quarta-feira, julho 23, 2008




Se endireito-me,
esquerdamente vou para trás.
Se penso prosseguir,
Permaneço penso,
entre um lado e outro,
longo tempo a decidir.
E quando marco em ponto,
a fuga já é velha
e meu aparelho, desmontado.
Marca sempre atrasado o ponteiro.
E quando não inteiro,
meio parado.
O passo adiante ultrapassa,
alcança a pressa com língua de fora.
Conversa fiada,
matando tempo,
puxando no fio de prosa
a hora morta
do dia adiante.
Com o tempo nas mãos,
passa de um lado pro outro
da ampulheta
a areia das horas contadas.
Carolina Miquelassi


sexta-feira, julho 11, 2008



Bate estaca mental.
Esquizofrenia sanguínea.
O coração?
No chão!
Na boca?
A mão!
No peito?
Aquele trecho da música que cantamos no por - do - sol.
E no pulso
a marca do beijo,
desenxabido desejo que partiu mais depressa que a luz.
No fim da rua
um poste,
lâmpada
queimada.
Poça d’água.
Escorregão.
Carolina Miquelassi


domingo, julho 06, 2008

Quanto menos, menos.


Seja por si só, sozinho.
Mas não dê por entender isso à ninguém.
Todos, mais cedo ou mais tarde, te deixarão na mão,
embora todos, igualmente, adorem dizer que estão aqui “pro que der e vier”.
Não é culpa deles, não é culpa de ninguém...
Não subverta a ordem
[ que na verdade não há ],
mas se quiser mudá-la, tornar-se-á inteiramente responsável por todo o caos existente.
Aceite, sorria, cale, mas não tanto.
Tens de saber as doses dos outros.
Pra não parecer (aos outros), passivo, bobo, arrogante ou estranho.
Eles podem ser, podem tudo.
Mas apenas eles.
A impressão é esta mesmo; de que todos sabem a regra do jogo menos você.
Está no lugar certo, mas segundos antes da hora marcada.
Não serve.
Tem que saber chegar,
mesmo que ninguém tenha te dito nada sobre isso.
Tem de saber!
Precisa saber que decisões tomar.
Porquê, certas ou erradas, irão te culpar por tê-las tomado, ou não.
Não diga que vai,
promessa (suas), quando não cumpridas, deporão contra você.
Muito menos dê certeza de não comparecer
Mais de três vezes certa e nunca mais te convidarão.
Nunca, em hipótese alguma, seja a primeira a dar opinião.
Se for negativa, vão dizer que reclama de tudo.
Se for positiva, darão um jeito de voltá-la contra ti.
Seja, ou não seja.
Mas só quando for pra ser.
Quando?
Não espere que alguém lhe diga.
Todos acham que já deves saber.

°
“I like it in the city
When two worlds collide

You get the people

And the government

Everybody taking
Different sides”
Adele

segunda-feira, junho 30, 2008

Retrocesso lírico, etílico e sentimental.

Carta sem destinatário, remetente ou endereço certos, depositada num envelope sem selo, guardado embaixo da fronha de um travesseiro...

“Detesto quando pareço, em tua presença, hesitante.
Não saber o que eu digo, não dizer o que quero,
Por não ter certeza de querer.
Logo eu que sempre pareci saber muito bem o que querer
Encontro-me agora afundada numa banheira de medo,
A água fria até o queixo, todo o corpo a tremer.
Acontece que comigo agora cada dor fala mais alto diante da minha própria voz.
Não queria te ouvir dizer pra eu não ter medo.
Queria que me pudesse mostrar que o medo é pouco perto do que tem pra mim.
Eu queria poder entender...
Estranho é eu não deixar que entre
E algo teu já existir aqui
Algo além da pura lembrança
Algo que parece lembrança do que nunca existiu.
O que eu quero mesmo, o que preciso
É que me queira com sofreguidão
Que lute por mim com a paciência e a determinação
De um monge em busca de paz interior.
Pra me apaixonar tem que chegar do nada
E tomar conta de tudo antes mesmo que eu note a sua presença
Tomar-me de surpresa e no ímpeto de um beijo
Dissolver na boca todo o meu medo.
Teria que ser mais forte que o meu pavor,
Maior que minha dor
Mais conturbado que minhas lembranças
E mais incerto que meus tempos verbais.
A única certeza que necessitas ter
É a de me querer conquistar
De me querer ao lado e não me deixar,
Não permitir transparecer que existiu vida
Antes de nós...
[ Embora os amores perdidos já me tenham mostrado
Que essa certeza não há, e você também já deve saber... ]
Tudo isso era que deveria te dar também.
Isso – teus olhos mostram – é o que procuras nos meus.
Como te oferecer o que busco fora?
Como encontrar em mim o que não me dás?
Não são versos o que escrevo agora
Não tenho mais a menor intenção de rimar.
Preciso de uma palavra pra poder ter certeza
Do que posso e consigo sentir ainda
Como que um sopro de vida – mesmo que já vivida.
Mas quando dois têm medo, difícil pra um acreditar.”

°
Eu não sei quem escreveu...

E a propósito, sou uma recém graduada em Letras.
Por enquanto, não me pergunte o que penso a respeito...

sexta-feira, junho 27, 2008

Já te disse que a Ana já me disse?


"Intratável.

Não quero mais pôr poemas no papel

nem dar a conhecer minha ternura.
Faço ar de dura,
muito sóbria e dura (...)"

Ana Cristina Cesar
[Cabeceira]

segunda-feira, junho 23, 2008

Kate Winslet, blues, o cigarro que eu não fumei e minhas primeiras impressões sobre tudo.


Que eu tenho problemas além dos mentais e financeiros isso não é novidade pra ninguém. Mas um dos meus grandes problemas é o de não dar ouvidos quando alguém me diz
- Hei, aquela cantora pow... massa demais, vc devia ouvir, ta todo mundo ouvindo!
- unhum
Não é que eu tenha problemas em seguir conselhos, quer dizer eu tenho, mas não é bem o caso. O problema mesmo é esse trechinho “ta todo mundo ouvindo”. Essa idéia de que é bom porque todo mundo ta dizendo que é ou porque passou no Fantástico, no Globo Repórter e até o programa do Jô... Tenho quase que alergia a essas opiniões unânimes. Lembro que devia ter uns 14 anos quando estreou Titanic e eu me recusava a assistir porque todo mundo dizia que era maravilho, que já tinha assistido 5 vezes, que eu não podia perder e blá, blá, blá... Criei abuso antecipado ao nome da Celine Dion e daquela música horrível (hoje eu digo que é horrível porque é mesmo). Não podia ouvir falar em Leonardo Di Caprio que me dava dor de dente. Vim assistir Titanic aos 21 e detestei... Talvez porque a época deu ter achado ele bom já tivesse passado, talvez porque meu senso crítico relacionado ao cinema já estava sendo beneficamente contaminado por influencias européias ou talvez porque o filme fosse mesmo uma droga, cheio de cenas apelativas, atuações forçadas e um final tão imprevisível quanto o da paixão de cristo. Ok, isso aqui nunca teve a intenção de se tornar uma critica ao ‘clássico’ meloso/pop/anos 90 e me perdoem os fãs da Kate Winslet, todo mundo tem um passado negro, mas procurem assistir O expresso de Marrakesh, ou Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança ou qualquer filme dela antes ou depois de Titanic, por favor.

Nossa, eu realmente me perco.
Mas eu pretendia falar de música, ó... tsc, tsc, tsc.
Bem, desde que me apresentaram a Amy Winehouse com a infeliz comparação à Billie Holiday que estragaram tudo. Se tivessem colocado o fone no meu ouvido e dito “Escuta isso aqui!” teria sido muito melhor.
Eu particularmente adoro compartilhar e indicar as coisas que descubro e gosto, mas procuro evitar análises, julgamentos ou comparações prévias. Da minha impressão eu procuro dizer apenas que “Tow curtindo” e mandar o conteúdo adiante.
O que acontece é que sou fã da Billie, adoro Jazz e Blues, então claro que eu já fui com ouvidos de crítica especialista, oclinhos na ponta do nariz a boquinha de nojo: não achei nada demais. Mas eu também detestava Caetano na infância e achei as músicas dos Los Hermanos continuação uma da outra quando escutei Ventura pela primeira vez. Em suma, a minha primeira impressão musical, definitivamente, não é a que fica. As coisas comigo tem que seguir todo um processo pra serem bem ou mal aceitas, mas a sorte é que eu estou aberta a uma segunda chance, mas tem que ser bem espontâneo, o mais casual possível. Daí que agora pouco meu deu vontade de tirar a cabeça da droga do relatório de estágio que eu preciso concluir em no máximo 24 horas e fui fazer uma prece ao São Youtube, padroeiro dos entediados da TV aberta e desprovidos da TV a cabo. Eficiente o santo viu! Fui direto ao nome da Amy e vou confessar o motivo: ouvi o nome dela aqui do meu quarto, pela TV, foi sim, e foi no Fantástico, foi... Enfim... Num é que eu fui ouvindo assim como quem num quer nada e fui gostando! Apois foi... Poucos clips, a maioria são fotos dela com a música de fundo. Evitei o material ao vivo (detesto). Encontrei até uma versão dela mais gordinha (super linda), cabelos lisos e sem laquê e nenhuma das inúmeras tatuagens nos braços. Olhar voltado pro alto, a cara de abuso e raiva tentando disfarçar a indisfarçável timidez... E comparei com as imagens que a TV não me deixa deixar de ver. Deu pena. Parece que sempre teremos que presenciar casos de pessoas que nasceram com um puta talento, mas não conseguem conduzir suas vidas de maneira equilibrada e terminam por jogar muita coisa fora. Não estou julgando, longe de mim. Se há uma coisa que sei bem é sobre o quanto é difícil conseguir equilíbrio quando se tem alma e instintos a nos torturar, a diferença é que eu não sou famosa, nem tenho talento brilhante pra nada e ainda não parti pras drogas pesadas, heheh...
Se para que ela tenha aquele olhar tão cúmplice e aquela voz tão dolorosa é necessário se perder assim eu não sei, mas no final de cada música não consigo deixar de sentir pena e uma leve revolta pelo fato de certas coisas não mudarem nunca, nunca.

Conferir:

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Meus não agradecimentos a Mariana por ter colocado os fones nos meus ouvidos e a Priscilla por falar na Amy compulsivamente... Brincadeira ;)
°

terça-feira, junho 17, 2008

Hay que enternecer, pero sin perder la dentadura jamás!


Três dias seguidos em casa e pronto; já troco o dia pela noite. Daí que as pessoas acham estranho e chato (e deve ser mesmo) o fato do celular ficar desligado por toda a manhã. Quem liga pra minha casa recebe da minha mãe a sonora noticia de que “ela está dormindo, vou acordar”.
- Dormindo a essa hora!? Tenha vergonha!
A essa altura se eu for dizer que fui dormir às 5h ou 6h da manhã vai soar como desculpa esfarrapada...
- Eu sou um vampiro, há há há...
Isso às vezes soa melhor.
Bem, as minhas aulas de lingüística aplicada e meu trabalho sobre blog fizeram com que eu passasse a dar ao meu próprio uma cara mais de diário. Enfim... Essa disciplina e a amaldiçoada da professora estão me dando um medo danado de reprovação. Nunca aconteceu isso em... todos os anos de faculdade. Nunca fiquei em 4ª prova e as reprovações que constam em meu triste currículo têm explicações bem plausíveis.
Eu só queria que a minha querida docente (¬¬) entendesse que a aula dela não me estimula e sinceramente, pra quem não tem mais esperanças sobre a educação elementar nos moldes em que se segue no Brasil, não há muito sentido estudar a aplicação de textos ao ensino de língua materna em sala de aula. Lindo! Admiro verdadeiramente quem crê e se dedica à educação, mas não possuo tal abnegação e realmente não quero possuir. Quero ter prazer no meu trabalho e a sala de aula me esgota, suga todas as minhas energias e não me retribui com nada que eu possa tirar proveito. É triste, mas é fato.
Meus trabalhos acadêmicos definitivamente estão se reproduzindo. Temo, qualquer hora dessas, encontrar no meu quarto alguma forma mutante fruto de uma fusão da lingüística com a história da língua portuguesa, meus post’s na net e os ofícios que tento digitar pra conseguir verba e finalmente conhecer São João del-Rei nas férias com o pessoal do curso de História (eu bem que mereço ir...)
Descobri hoje que meus planos de entrar como aluna especial da graduação em Ciências Sociais terão que ser adiados por um semestre. Isso mesmo! O novo e maravilhoso regulamento da minha universidade diz que o estudante não pode ingressar como aluno especial mesmo com todo o currículo da graduação anterior integralizado. Precisa ter o diploma e isso só lá pra outubro, novembro...
Muito produtivo um semestre inteiro em casa. Mais do que nunca preciso de um emprego.
Poucas palavras de uma ébria me fizeram muito bem agora de noite...
Ontem eu descobri que além do meu computador ter abortado o MSN ele também apagou todos os meus favoritos. Mas a vida é bela :D (¬¬)
Neste exato momento tento blogar e descubro que o site deve ter aproveitado a chuvinha e ido dormir, só pode.
Acho que vou fazer o mesmo.
04:12

quinta-feira, junho 12, 2008


Não há paixão que dure
Nem amor que cure
O meu vício por solidão.

segunda-feira, junho 09, 2008




Parece liberdade, parece fuga.
Parece doença e há quem diga que é cura.
Parece moda ou revanchismo.
Aceitação ou achismo?
Experimento ou encontro?
Perdição ou da partida o ponto?
Fim dos tempos ou retorno ao principio?
Precipício, ribanceira?
Fim da estrada, corredeira?
Ou bóia salva vidas pra tantas ditas que se perderam?
Perderam o paço, o tato, o juízo.
Perderam o tino e o gosto pela solidão.
Agarro o toque, o abraço, o amasso.
O gosto no que faço.
Eu te caço por aqui e guardo
Somente a água que não quiser me afogar.
Pra quem não tem o que procura
E acha que dura a vida um breve instante...
Avante à sua sede de carícia
Na pressa da vida não se reconhece o amante.
E é diante dessa dúvida que se perde, me perco,
Encontro, acho, a fonte.

Carolina Miquelassi

sexta-feira, junho 06, 2008

"... hoje eu tenho cem anos e meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado"



As músicas do Zeca são quase sempre o que mais se aproxima da perfeição... Isso imaginando o que seja essa tal de perfeição... (Não tem jeito, tudo que penso, faço, escrevo, nego, calo... Tudo lembra você e nossas conversas... Você é o único que tem conseguido me fazer chorar só por existir, mesmo lá longe... E se depender de mim cada vez mais longe... Só eu sei por que) Mas essa letra hoje ta mais do que tudo, mais do que em tantos outros momentos... Até poucos dias estar sozinha era tudo que me dava prazer, hoje já não sei. Não sou de companhia, não sei ser, nunca soube e tenho uma profunda preguiça de aprender e tentar. Não quero que ninguém se aproxime, quero! Desejo, anseio, sonho, busco, desisto. Escrevo, envio, recebo, apago, não respondo. Não quero entender, analiso! Quero ir, combino, chamo, não vou, tenho dor de cabeça, cansaço, sono, tristeza. Aaaaaaahhhhh!
Alguma garrafa, por favor, um pedido de socorro que me salve!
Eu preciso amanhecer.

°
Respondendo ao a.
A gente põe a nossa solidão com fantasia de carnaval a desfilar passos coreografados pelas ruas de papel e chama isso de poesia.

°
"Não é que eu ache que o mundo tenha salvação

Mas como diria o intrépido cowboy, fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio"

sexta-feira, maio 30, 2008

Muro


Preciso aprender a fazer versos de pedra
E com cada um deles construir o meu muro.
Por trás dele estarei sentada, na grama verde
Olhos por cima dos óculos de sol.
O quem vem de baixo... Sim, também atinge.

Carolina Miquelassi

domingo, maio 25, 2008

Do cinza às cores fortes


No momento algumas poucas e basilares coisas me atormentam:
O aniversário que já aponta ali na esquina. Há tão pouco tempo dezoito, daqui a três anos trinta. Nossa..
A formatura que está cada vez mais certa e inevitável. Ui! Sempre tive um medo terrível de crescer e querendo ou não, com a minha idade e um diploma... Vou nem perguntar o que fazer com o canudo pra não ouvir desaforo.
Ter que ir pra sala de aula pra poder pagar minhas contas. Eu definitivamente não quero fazer isso.
Quanto à presença da minha mãe na minha vida... Nem quero falar muito. Ela é meu melhor lugar, o único e verdadeiro amor abnegado que terei na minha vida. Não que eu ache que todo amor deva ser abnegado... É que eu ando acreditando que essa palavra ‘amor’ só se materializa no tocante a essa relação entre mãe e filho, o resto é balela.
Agora não é um medo, mas o maior dos desejos; quero conhecer o outro lado desse amor. Um misto de vontade avassaladora e medo paralisante... Quem sabe daqui pros trinta...

Carolina Miquelassi

sábado, maio 17, 2008

Terra em que muito se pisa nenhuma grama nasce


Hoje eu troquei de perfume e muitas coisas em volta pareceram-me diferentes.
“Outro lar ao acordar de manhã”
Preciso despir-me.
Despir-me dessas lembranças ainda quentes, mas azedas.
Despir-me da minha pele, da sua pele ainda na minha.
Despir-me das pretensões literárias.
“Nunca jogue o que faz pra posteridade” ouvi certa vez.
Não sei o que se deu em tudo nessas últimas 48 horas, mas algo importante aconteceu aqui e isso não é só bipolaridade.
Adorei revisitar sabores ontem a noite jantando sushi com Pri e Mari. Foram boas e aflitivas as horas que passamos juntas e sem maiores detalhes quanto a isso.
Mariana me disse uma coisa na qual eu já havia pensado e de certa forma concordo; eu vivo substituindo uma pessoa por outra dentro de mim. Cada uma das pessoas com quem me envolvi nos últimos ‘sei lá quantos anos’ foi um tapa buraco de outra. Talvez por isso eu tenha me agarrado de tal maneira a cada uma delas, querendo fazer delas minha reta de chegada, o fim de uma corrida que eu não tinha consciência, até então, de estar disputando... E disputava comigo mesma. E daí as mesmas perguntas retornaram a minha cabeça; Será que eu gostei realmente de cada um desses homens que julguei terem sido minhas grandes paixões? Será que eu já gostei verdadeiramente de alguém? Será que a minha capacidade de dizer adeus pra sempre a algumas pessoas não é exatamente um sinal de que eu tenha percebido que um encantamento que eu sentia por elas acabara e quem sem isso nada restava?
Tantas outras perguntas...
É difícil admitir, mas (para uma pessoa considerada tão passional) acho que eu nunca amei alguém. Certamente por isso eu não acredite no amor da forma como as pessoas dizem sentir ou colocam como possível. Pensar nisso mexe com muitas das minhas outras descrenças. Mas isso é tema pra mais de dez anos de terapia intensa...
Estava escrevendo até agora dentro do ônibus. Não consegui resistir e ao passar pelo shopping decidi descer e comprar sushi pro meu almoço. Os rapazes ainda estão preparando e vai demorar uns vinte minutos. Agora posso me sentar em uma das mesas da praça de alimentação (sempre dou preferência as do sofá) e continuar a escrever sem os solavancos do ônibus. Mas parece incrível – assim como em tudo na minha vida – quando algo se mostra certo, possível, definido... Passo a não querer mais. Some de mim o interesse e já estou pensando em dar uma volta no supermercado do piso inferior.
Ai ai...
Só sei de umas poucas coisas; tudo parece estar conquistado uma nova ordem aqui dentro (tanto no que sinto quanto no que penso) não sei quanto tempo terei antes que apareça o próximo vendaval (eles sempre vêem depois da calma), mas eu posso dizer que estou me sentindo muito bem agora.

Carolina Miquelassi

sexta-feira, maio 16, 2008

acabo de retroceder cinco meses agora
eu não quero
mais
você [aqui]

"eu não sei como retirar tanta agonia de dentro de mim
acabo de retroceder cinco meses agora
em poucos minutos de conversa... nem preciso dizer com quem
preciso de um exorcismo, urgente!
o que é isso? o que pode ser isso?
eu estava tão bem inerte, dormindo, em coma dentro de um bloco de gelo.
como eu faço pra fechar a derradeira porta, sem Adeus e não voltar mais lá e nem deixar pistas para que cheguem até mim?
eu precisava agora de alguém que soubesse mensurar um pouco disso que estou sentindo.
eu estava a esquecer desse gosto salgado na minha boca..."

°
do texto que mandei há pouco para a Bolinho de Arroz.
isso aqui tá virando Diário e a culpa é das aulas de Lingüística Aplicada...

quarta-feira, maio 14, 2008


“porque aquele que eu mais amo dormia a meu lado sob a mesma manta na noite fria. na quietude daquele luar de outono o seu rosto estava inclinado para mim e o seu braço repousava levemente sobre o meu peito - e nessa noite eu fui feliz.”
(Walt Whitman)

domingo, maio 11, 2008



"alguns blogs que leio me deixam meio desanimada (despeitada seria a palavra certa) quanto a minha escrita pessoal.
pela simples razão deu perceber que algumas pessoas, conhecidas ou não, sempre conseguirão falar melhor do que eu sobre as coisas que sinto.
me cansa a minha monotematicidade. realmente, pareço não ter mais do que um modo de olhar as coisas a minha volta ou não ter a capacidade de descrever as coisas de forma eficiente.
isso acontece quando leio o blog de Adélia (e eu já nem falo mais isso pra ela, porque tenho receio de ser inconveniente) e isso aconteceu hoje ao fazer uma das costumeiras buscas de imagem para postar no fotolog e encontrei um blog que tive que ler de cabo a rabo.
a menina foi me deixando profundamente emocionada a cada post...

eu definitivamente sou uma amadora de mim mesma.
não sei escrever a não ser sobre minhas emoções e como eu estou fazendo até despacho na esquina pra não sentir mais nada nesse velho e maltrapilho peito eu deveria mesmo era deixar essa coisa de escrever pra quem realmente o sabe e faz com plena competência.

mas eu sou tão teimosa ou sei lá bem o quê que certamente ainda voltarei por aqui pra postar mais uma das percepções repetitivas e mal redigidas da minha realidade suuper interessante."


Carolina Miquelassi