Danae

Danae
Klimt, Gustav

quinta-feira, julho 24, 2008

Seria assim
Tão séria sua fisionomia
Caso o amor não lhe tivesse traído as ilusões?
Tão amargos os olhos
Destilando o fel que lhe envenena a alma?
Seria tão breve seu peito
Estreito lar em que não cabe mais?
Suas palavras estariam tão empedradas n’alma
Seriam tão frias e sem intenção?
Suas vontades seriam tão incertas
E tão sem pulso sua paixão?
Quereria recuperar a dor perdida
em troca de novamente não respirar?
Ela agora sente medo de não poder voltar
ao tão conhecido canto frio de parede
no qual parece não mais caber...
Seu corpo tenta encontrar posição,
suas palavras tentam sentir o sangue.
Morde os lábios, arranca os cantos dos dedos.
Não sangra mais por dentro.
Nenhum oceano que pudesse produzir
conseguira banhá-la como antes,
Como quando podia enlouquecer sem sequer
dar conta de como principiara o devaneio.
E ainda não desejava o fim. Mas o fim estava aqui.


°
Ele diz que há amor. Fala tanto em amor e eu nem sei o que é isso. É como receber um “fica com Deus” sendo ateu. Eu sou ateia de Deus e de Amor.
Acha que isso é literatura, poesia? Desde o início isso sempre foi apenas aflição... E nem eu mesma era capaz de entender. O que trazem meus dedos no escuro, com dor por tudo, a transformar tanto tédio e incoerência em mais tédio e incoerência gráficas.
Eu só queria que esse mar não carregasse ninguém pra tão longe. Eu não posso segurar por muito tempo. O sal, a água, fazem os dedos afrouxarem. Não sou caminho seguro, como posso ajudar um cego perdido? Há mesmo tempo certo pra eu poder me equilibrar antes de me arremessar novamente? Ninguém da resposta as nossas mais aflitas perguntas. E quando eu explodir novamente, as pessoas normais as quais tentei me integrar sentirão pena e cumprirão seu papel de humanidade... Seremos mais dois loucos comento poeira de estrelas num bloco de carnaval.

Um comentário:

A. disse...

raaaassga!!!
ô, abre alas que eu quero passar com a minha dor!