Danae

Danae
Klimt, Gustav

terça-feira, fevereiro 26, 2008




O verbo anda mudo
E nesse mundo cheio
Eu tenho o meio certo
De te trazer pra perto.
Mas mudo e meio
Permaneço cheio
Desse meu deserto.
Quando o verbo grita
Espia em medo
O meio copo
De saudades cheio.
Entornado ao seio
Nem mais cheio nem meio.
Oco e tanto.
Carolina Miquelassi

sábado, fevereiro 09, 2008

"... molha meu olho que não vê"

Miró


Sinto-me tão preza dos meus sentimentos
e eles tão certos e fincados como Baobás enraizados em minha lucidez.
Libertamente presa às coisas que se mostram tão certas embora erradas.
Comprometida com certezas que não busco ter.
Tocada por mãos distantes e internas.
Beijada pelas lembranças dos meus lábios em sua boca.
Acesa por um sopro de pecado tão puro e natural.
Navegada por seus dedos/barcos atracados aos meus seios.
Inundada por seu mar/saliva/gozo, espuma doce e quente.
Corrompida por uma saudade oceânica e revoltosa.
Espancada por ondas monumentais de ausência e procura.
Penetrada por um sol que não me aquece.
Contemplada por uma lua que cotidianamente me abandona nua.

Carolina Miquelassi
13.12 / 00:33

sábado, janeiro 26, 2008




Enlouquece-lhe o que é efêmero [enlouquecida em ausência
inunda-se do instante que já não é [inundada em horas
abandona-se na saudade que não é mais [abandonada em tentativas
essa saudade que não é, que se vai, que não a pertence e que só lhe atravessa, ultrapassa e abandona.
Sozinha de saudade. Sozinha de paixão. Sozinha de futuro. Sozinha de presente. Sozinha de alma. Sozinha de passos. Sozinha de vontades. Sozinha de recomeços.

[O chá é gelado e a dor se espalha cintura abaixo.
Engole indiferente o que a boca já sentiu amargo]

Tudo soa como mesmo, como repetição.
Tudo soa como o mesmo velho sino que badala por costume ou profissão.
A palavra escrita, a ligação, a voz ao telefone, o mesmo som.
É muito, é suficiente e sempre faz falta.
É a outra volta no ponteiro dos minutos, a hora inteira, a madrugada.

A falta da palavra efetiva.
A falta da palavra.
A falta.
A falta que espessa o ar.
A falta que alonga as unhas.
A falta que finda o dia.

Momentaneamente, ela escreve cartas que não vai endereçar.
Pontualmente, ela perde o sono e põe a culpa no calor.
Ela respira, sente saudades e chora.
Ela enxuga lágrimas, fecha as janelas e acende a luz do amanhã.

Carolina Miquelassi

21.01_23:09

sábado, janeiro 19, 2008


"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."
Clarice Lispector
...
A vida, em todos os seus aspectos, tem me enfadado em demasia.
É um sono tão poderoso que cai sobre mim, me domina inteira.
Eu sequer desejo reagir a esse torpor.
Não espero que nada de bom aconteça, nenhuma surpresa virá.
Nenhuma pessoa nova, nenhuma viagem ou premio acumulado da loteria.
Nenhuma pipa ou bola de vizinho cairá no meu quintal.
Nenhuma janela saltará na minha tela trazendo alegria virtual.
Nenhuma notícia que surpreenda ou mude minha existência.
Nenhum milagre transformador se dará dentro de mim.
Não, não há esperanças aqui.
O ano é novo e tudo continua igualmente antigo.

.
Carolina Miquelassi
às zero horas e 20 minutos do dia 17 de janeiro do ano de 2008

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Olha as fotos do nosso amor!


Tantos "amores maiores que tudo", tão instantâneos e alarmantes.
Tantos "te amo mais que minha vida" de pessoas que se conhecem há apenas dois meses.
Tantos homens e mulheres uns das vidas dos outros que sequer se olharam direito nos olhos por pura falta de tempo...
Sou eu que enlouqueço de despeito e amargura ou as relações estão cada vez mais vazias?
Orkut é um closer – perto demais... Algumas pessoas nós nunca vimos, difícil avaliar, mas outras conhecemos ou um ou outro membro do casal de seres que se tornou um só... (detesto essa idéia de perda da individualidade...) da certa desconfiança de tamanha exposição e alarde desses relacionamentos.
Belas fotos maquiadas, descrições com juras eternas de sentimentos infalíveis e... Perto demais é que se sabe.
Se passamos mais de um mês sem olhar direito o ORKUT dos amigos podemos tomar grandes sustos. Encontrar seu amigo de pose sorridente ao lado de uma moça que não era a namorada dele há alguns dias... Embora o rodapé da foto parecesse ser o mesmo.
Quando se está perto demais de alguns desses casais ou quando se presencia ou vive estórias que te negam toda aquela verdade de amor que nos mostram álbuns, scrap com coraçõezinhos e depoimentos carregados de poesias copiadas com a ajuda do Google, o que pensar?
Há poucos dias uma amiga me mostrou indignada o perfil do ORKUT de um carinha.
Bonitão e no status do perfil, que não possui quase nenhum detalhe, estava muito bem legível ‘casado/a’.
O rapaz não era casado mesmo, mas esta é a forma como muitas pessoas colocam quando julgam ou querem demonstrar que seus relacionamentos são mesmo sérios.
Fui ao álbum (enquanto perguntava pra amiga de quem se tratava), lá havia poucas fotos e a última me chamou a atenção. A foto era absolutamente linda e eu juro que me comovi com a descrição do rodapé que, apesar de manjada e clichê, fez meu coração romântico se alegrar por ver um rapaz tão jovem apaixonado daquela forma. Os dois eram lindos e estavam sublimes, perfeitos, de dar inveja a qualquer um. Continuei ao MSN perguntando a minha amiga de quem se tratava, se era algum amigo ou amiga dela...
Ela me contou que tinha ido há uma boatezinha universitária - bem conhecida da cidade - na noite anterior e que havia sido paquerada por um rapaz durante boa parte da noite e que, com sua insistência e charme, acabou a convencendo em ‘ficarem’. Pois bem, beijinhos e detalhes aos quais não me prenderei a parte, o carinha pediu o telefone.
- Dou não.
- Pois então pega o meu.
Depois de mais um pouco de beijinhos etílicos ela acabou dando... O telefone, calma.
No dia seguinte, em frente ao pc, nessas férias animadérrimas daqui de Natal, ela fuçou (e quem procura acha) e encontrou o ORKUT do tal fulano (que por acaso havia dito que não tinha).
Bom, o resto já se sabe. O moço tinha namorada, uma linda (mas linda mesmo) garota loira de 19 anos, estudante de Direito de uma dessas 439 faculdades particulares existente na nossa pequena cidade. Adentrando às páginas do perfil encontramos muitos scraps apaixonados e depoimentos que me deixaram de queixo caído. Fui ao perfil dela também, tamanha a curiosidade e falta de algo melhor pra fazer que me moviam naquele instante. E o que encontramos lá foi só uma extensão do já visto só que com um pouco mais de cor de rosa e purpurina.
Eu fiquei mesmo muito enraivecida e nem foi pela minha amiga que só tinha ficado com o carinha uma vez. Eu fiquei pensando naquela menina de 19 anos. Quando a realidade que tanto eu quanto minha amiga já sentimos a nos amargar boca e coração respingasse também na sua alegria de amor fotogênico.

Eu já namorei um mentiroso compulsivo, portanto é compreensível minha descrença quase que absoluta nos seres do sexo masculino. O que me da raiva é que até as criaturas que não fazem parte da minha vida insistem em contribuir com a minha falta de fé nos relacionamentos verdadeiros.
Sei que eu ainda carrego no coração uns pacotes da pipoca açucarada das paixões literárias e das comédias românticas de Hollywood, mas sacanagem é sacanagem em qualquer lugar e a qualquer hora.
Olho também pras carinhas de criança que figuram estas ‘histórias de amor’ e me pergunto se tudo não passa do exagero e irresponsabilidade normais da idade. Afinal, eu me sinto uma velha caquética a cada dia que passa com tantas criaturas de 19 e 20 anos a minha volta...
Eu ainda quero acreditar em relacionamentos verdadeiros. Sei que pra isso precisamos de pessoas maduras, mas como será que essas pessoas vão chegar à minha idade com tanta superficialidade envolvendo seus sentimentos?
Espero que menos feridas que eu.
.
Carolina Miquelassi

4 de janeiro de 2OO8 às 04:18

terça-feira, dezembro 25, 2007


Eu não sei ser só.
Meu coração não sabe estar vazio.
Também não consigo ser de companhia.
Quando junto, desejo estar sozinha.
Não sei ter paz, mas não declaro guerra.
Não sei amar, mas não carrego ódio.
Falta-me operância para a vida.
Falta-me uma alegria que sequer perdi.
Falta-me a paz para amar sem dor.
Falta-me o sol para amar sem amargura.
Falta-me a chuva para amar sem pena.
Falta-me outra vida e mais tempo.
Falta-me não ser mais quem sou agora.
Falta-me um quê que a vida não me deu.

Carolina Miquelassi
[25.12 / 19:54]
.
“...não estou postando esse texto aqui, estou enterrando. Preciso que todo este sentimento desapareça”

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Nunca há uma história de amor para ti.
Seus finais são sempre Casablanca
Nos quais você é Hunfrey Bogart sem cigarros pra consolar.
Não há lenço nas despedidas, apenas um mar de gotas salgadas.
O que amas não é teu, o que queres partiu... Em dois pedaços inteiros.
Nada é para ti.
Não peças amor se é delito querer demais.
Amor não há, amor não há.
É fruta do pé vizinho
Não podes provar.
Destino de Camélia, de dama da paixão
Não desejes nada nobre
Tua nobreza é o linho
Não és Simone de Beauvoir.
Mereces observar os destinos dos amantes
E ornar a vaidade dos homens com fantasias
Mas amor não é para ti, cretina!
Amor não há, amor não há.
Ocupas os sonhos mais lascivos dos homens, mas não seus corações.
És digna dos desejos dos homens, mas não de seus amores.
És merecedora das palavras dos homens, mas não de desfrutar de seu convívio mais profundo.
A você são voltados os beijos e os toques dos homens, mas não seus planos e seus futuros.
És colchão e prato pras fomes dos homens, mas nenhum deles (se)quer (pode) saciar tua verdadeira sede.
[Carolina Miquelassi]
[21.12 / 06.23]
... "Comecei esse texto há mais de 3 meses e terminei hoje, em meio a uma crise de TPM violentíssima. Não quero me sentir assim novamente, portanto vamos encarar isso tudo como uma obra ficcional em que qualquer semelhança com fatos reais seja mera coincidência." ;)

quarta-feira, dezembro 19, 2007

A ferida e o dedo


A ferida por vezes lateja,
Por vezes coça,
Por vezes inflama.

A ferida está em relevo
E se não a vejo
O dedo sente.

A ferida em dias de chuva
Alerta a chegada dos pingos
Avermelhadamente.

A ferida repuxa, descasca
E cicatrizada
Ainda é ferida viva.

Todo dedo quer uma ferida.
E ela do dedo se esquiva.
Ela do dedo tem medo.


[Carolina Miquelassi]
[19.12 / 04:35]

As vezes eu escrevo cada coisa besta...

quinta-feira, dezembro 06, 2007


Homem-anjo de fogo
Em toda a sua andança
Não esqueça a quebrança

Que sente este coração distante

Inoperante querer, mitigado
Anestesiante passagem das horas
Tantas horas que se fizeram vida
E da vida não posso esquecer

Homem-anjo de fogo
Fez-me
carvão incandescente
Fez-me cantante e demente
Mas nunca na vida infeliz

Ao puxar-me brasa
Não havia lugar para arder
Não havia tempo para amar
Mas havia pra não morrer

Homem-anjo de fogo e sangue
Colhe-me o que resta de amor
E sempre há de restar amor
Homem-anjo de fogo e sangue


[Carolina Miquelassi]
[06.11 / 16:01]

domingo, dezembro 02, 2007



Versos postumamente lúbricos.

Quero te dar meu corpo em negros lençóis azuis
de rubro cetim macio e brilhante.
Dar-te corpo apenas, nada mais.
Porque nada mais de mim necessitas.

Palmilhando cada poro teu
e deles fazer sangrar teu suor sacrifício.
Cada milímetro de pele memorizado.
Arrancar-te pequenos vestígios,
guardados sob as unhas.

Toda curva e ondulação, protuberância,
gravadas na memória táctil de minha língua.
E não saber mais onde finda minhas mãos
e principia teus cabelos.

Nos teus joelhos pousar um beijo
avançando longa e lentamente...
Doloroso prazer causar-te aos meus lábios
em que língua e leite não se separem.

Na garganta deixar brotar rouco
o som da fonte desse mistério.
E ver que o tudo é sempre tão pouco
sem alma, o teu amor estéril.


Carolina Miquelassi

...

abstrair vídeo, ouvir música
http://br.youtube.com/watch?v=KDf4Pnw0ngQ&feature=related

segunda-feira, novembro 19, 2007

°entre a fogueira e o mar°


Entre tantos sentimentos errados
que eu tenho que sufocar.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim restará?
Entre tantos conflitos armados
que tenho no coração.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim quer se achar?
Entre tanto azul e arame farpado
que o vôo não sabe a direção.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim voltará?

Entre a fogueira e o mar.
Entre arder e afogar.
Entre perder e deixar.
Não te sintas seguro no amor,
ele é afogador,
afaga todas as ilusões,
afoga todo o teu calor.


[Carolina Miquelassi]
[07-18.11 / 21:13]

domingo, novembro 11, 2007

enforquemos o cupido.


sou eu que penso,
pendo
e mudo de idéia
quantas vezes for possível... e um pouco mais

pode ser que eu nunca saiba pra onde
pode ser que eu nunca queira ir muito longe
não vou querer pra amanhã o que quero hoje.
quero o agora, este minuto que não responde.

daí que ninguém me acompanha.
daí que ninguém permanece.
porque a minha forma de viver
ou cessa de querer ou se esquece.

[Carolina Miquelassi]
[06-11.11 / 23:10]

.
.

"Tu e esse teu jeito de ser tudo"

segunda-feira, outubro 08, 2007

Quando a gente acha que não sabe mais pra onde ir deve vir pra dentro!
=*

domingo, outubro 07, 2007


É inútil querer reter nas mãos o que só o coração comporta.

Vou mudar
e mudar novamente
e mais uma vez...
Até enquanto eu puder,
até não ter mais poeira nos olhos,
até o velhinho na esquina ficar com a barba azul,
até meus peixinhos nadarem em cima da minha barriga

Não me faça perguntas!
Já disse; em mim não há nenhuma convicção!
Hoje quero, amanhã também (ou não)...
Não sou nada por muito tempo,
nem sempre consigo permanecer
ao mesmo tempo tenho tudo em mim
... guardado, num frasco de vidro marrom,
pílulas pra ficar acordado... (às vezes pra dormir)


.......................................................................................................

"— Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes
Que um outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes —
Um outro que eu não posso acorrentar..."


[Mario de Sá Carneiro]
.......................................................................................................
.
"eu venho importunando alguém pelas madrugadas solitárias
que já não são mais tão solitárias nem vazias, apenas aflitivas...
meu cérebro coracional me diz que não devo ter medo, muito menos
me culpar, mas algo chamado sensatez me manda ter vergonha na cara
e procurar algo de mais utilidade pra fazer...
- É útil sentatez!
- É errado, sua louca!
- É um erro louco... Paixão é arte e arte não precisa ser útil!
- ...
- É isso! E tenho dito! Vá dormir consciência falida!
- ..."

terça-feira, outubro 02, 2007


Não encoste sua palavra em mim... A pele queima.
Não imprima seu verbo aqui... A alma geme.
Não toque firme meu desejo... A paixão começa.
Não explore meus silêncios... A boca delira.
Não aqueça meu ventre em profusão... O rumor emana.
Não transpareça minha cor... As mãos aguardam.
Não violente minhas saudades...
.
Agora é tarde, porque todos os meus pedidos foram negados no momento errado...
Eu sempre andei pelos caminhos errados...
Eu sempre cheguei atrasada em todos os lugares...
Eu sempre enxerguei muito tempo depois de ter visto...
.
.
"Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes
Jamais se detém Kronos, cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo."

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

sábado, setembro 29, 2007

É isso aí. Não me peça explicação se eu tô dizendo que chegou ao fim minha paixão. Não me pergunte quanto tempo pode durar... Em mim então, um ano ou um dia... (e lembre-se que houve inanição) Só não muda a intensidade... Mas no fim é tudo nuvem, chuva e terra molhada. Não se preocupe em me entender...
Não perca tempo tentando decorar o formato de uma nuvem, de uma bolha de sabão. Nem tente ter nada disso nas mãos... Por muito tempo.
Não me julgue. Leviana... Não sei. Inconstante!!!

Ai montanha russa... Amanhã, não sei o quê!

[Qualquer semelhança com a vida real é (ou não é) mera coincidência]

[01:10 / 29.09]

terça-feira, setembro 25, 2007

O último tango em Paris


// Meu corpo está exalando mais palavras em gestos inoperantes
que minha mente muda que muda a todo instante... Não sabe mais calar//
[14.09]
.
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É uma vontade de não dizer que me toma.
Sensação de inutilidade em todas as coisas dizíveis.
Nada pior que palavras inúteis... Que sentimentos inúteis...
Nada pior?

Necessito-me calar.
Preciso de silêncio dentro de mim.
Venho buscando esse silêncio há tempos,
agora ele me cai como uma necessidade de ar.

faltadear...

Não estou encontrando final para nada do que escrevo...
Eu nunca soube mesmo terminar nada...




Quanto mais eu não digo mais as palavras falam dentro de mim.
Elas me surgem na hora em que me deito
como se para que eu (sempre eu) tivesse que fazer a escolha difícil,
levantar para não perde-las ou me deixar dominar pelo sono, pelo sono...?

[12:36 / 25.09]

sábado, setembro 15, 2007

Ao som d'O Teatro Mágico - O Anjo Mais Velho
.
.
Meu coração está explodindo em inúmeras sensações

novas,desconhecidas, reveladoras.
Portadoras e reveladoras de nenhuma verdade ou
segredo algum oculto no kósmos.
São estranhezas de mim. Sinto-me renovar.
Um ciclo, deve ser o ciclo do qual fala o horóscopo... No qual já não sei mais se creio.
.
As palavras estão perdendo o sentido.
Repita qualquer palavra muitas vezes, exaustivamente!
Não resta sentido.
Qualquer coisa deixa de ser o que era,
foi ou parecia ser...
Todos os significados me soam falsos e inconsistentes.
Falta-me fé ou falta poder de convencimento às palavras.
Tudo não passa de conceitos forjados em barro não cozido.
O constante sereno vai desfazendo a forma construída pelas mãos.
Um pouco mais de tempo e a forma já não é.
.
A palavra amor caiu de seu pedestal
assim como Deus, por mim, um dia,
foi destronada.
.
Amor pode ser criada, recriada, reinventada
reincorporada à nossa realidade ou necessidade
ou ser qualquer coisa que se queira que seja.
O amor não tem cara, nem cheiro, nem sexo
assim como Deus.
Portanto, Deus é aquilo que eu creio
e o amor pode ser também.
Sem regras criadas pelos homens,
sem obediência a ninguém.
.
.
Tudo é só o princípio de tudo.
“E o fim é belo incerto...”

domingo, setembro 09, 2007

Camille Claudel

Eu permaneço a andar em círculos dentro da minha cabeça.
Algum som de realejo vindo lá de fora me hipnotiza.
Me faz seguir a rodopiar em torno do meu eixo perdido.

Ensurdeço com o som do meu silêncio.
Quem foi que disse o silêncio não grita?

...
Coração adúltero, perverso, promíscuo,
salaz, confuso, extremo, insatisfeito,
eternamente faminto de mais e mais ...
Vazio, desértico, oco.
É quase tudo sempre pouco,
quase um etíope de tanta fome.
Quase um catálogo,
quase uma esquina,
um show de rock,
uma arquibancada das Diretas
Já!
O é e sempre há de ser
a tempestade em ventos e chuva
que leva e lava os esquecimentos.
Que molha e lambe os meus desejos
(In)Finita fome!
Infame!
Insana!
Insone!

...
Pra quem não dorme,
pra quem a fome não passa,
pra quem a falta não acaba,
pra quem não sabe o que é amor
e no entanto não vive sem ele
a lhe estourar no peito
sempre como uma promessa
de nada querer, de nada lhe dar.
.

[23:30]


sexta-feira, setembro 07, 2007


o que começou como uma resposta ao coment. de Dyego no post anterior ...

:(
o meu querido poeta já dizia 'o pra sempre, sempre acaba' ... ele só dura enquanto é pra sempre. Daí vem outro poeta que diz 'que seja eterno enquanto dure' ...
mas eu nem sei se acredito mais no amor, não no amor que sempre acreditei.
Sempre amei errado, sempre quis mais do que devia, sempre chorei nas horas impróprias, sempre fiz planos quando não podia.
Não, não creio mais nesse amor.
E se ele é uma escolha, como me disseram, como escolher a pessoa que queira receber nosso amor???
Não me venham com mais nenhuma teoria. O meu amor está morrendo 'o meu amor, o meu amor, Maria’* que era sempre o mesmo assim como ‘o fio telegráfico da estrada’* , entrou em curto circuito, explodiu. E nenhuma andorinha foi ferida ...

.
.
Eu continuo esperando ardorosamente o momento de não sentir mais NADA.
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*Poeminha sentimental de Mario Quintana