Danae

Danae
Klimt, Gustav

quinta-feira, maio 08, 2008


Dançando frevo no fio da navalha... Pensava nisso e acreditava que alguém já devia ter se sentido assim ou parecido. Balançava de um lado para o outro no banco do ônibus. Seus pensamentos seguiam para um rumo incerto embarcados em pequenos botes/bolinhas de sabão. Um enxame de perfumes lhe atacava sensações vermelhas e inchadas pela alma: alfazema, limão, bala de coco... Como alguém podia usar um perfume que lembrava bala de coco? Uma música quebra sua concentração, tão fina quanto casca de ovo... Branda, brincava a sua volta uma ciranda. Era a melodia de uma saudade que dialogava com a solidão, fazendo-lhe companhia... Menta e monóxido de carbono. Não buscava fazer nenhum relato mental das impressões sobre as últimas pancadas na porta após as onze da noite... Apenas reforçou o trinco, colocou mais um grosso cadeado e todas as noites antes de dormir encostava o espaldar de uma pesada cadeira na maçaneta da porta. Quando o problema se apresentava por demais complicado ou sem solução óbvia e aparente ela procurava não perder mais tempo pensando. Criar rugas no rosto antes dos trinta... Já lhe bastava saber que um dia elas seriam inevitáveis. Mas havia feito a descoberta de que as rugas n’alma não eram. Deveriam ser como rugas n’água, durando apenas o tempo necessário para a pedra, folha ou coisa qualquer mergulhar até o fundo e os movimentos da física e todas aquelas coisas das quais as aulas da matéria não lhe fizeram aprender fossem anulados. Mas irritantemente lembrou que as folhas bóiam e o vento sempre dá o ar da graça... Sua mais nova profissão: controladora de tempestades e naufrágios.

“Anda, se manda pro tempo não te pegar, pro tempo não te pegar”
[Mombojó]

Carolina Miquelassi
O8.O5.O8_11:OO

segunda-feira, maio 05, 2008

... fragmentos de um sonho ou realidade ...



"Sinto-me dentro de um aquário.
Quando falo ou me movimento é como se tudo estivesse em câmera lenta e rodeada de um líquido amniótico que, diferentemente daquele de há mais de 26 anos, não dá sensação alguma de segurança. Parece-me que posso ser expelida num parto doloridíssimo a qualquer momento, saindo da cama de volta pra minha vida de sempre.
Se não fossem os compromissos eu ia até gostar de passar umas duas semanas em casa curtindo essa doença que eu nem sei qual é... Depressão? Até parece, mas não estou com aquela tristeza e desesperança. Estranho... Eu não sinto nada. Tá bom aqui. Num tô sentindo falta de nada agora... Agora...
O gato subiu na cama e eu nem percebi quando. Acordo e ele está deitado, espachorrado aos meus pés... Folgado. Não consigo alcançar. Me deu dó de empurrá-lo com os pés. Deixo-o continuar dormindo lá. Só falta babar. Quando penso nisso percebo que eu mesma babava na fronha enquanto completava 15 horas deitada em minha cama. Entre o dorme e acorda. Alguns sonhos tão insólitos, alguns desejos tão escondidos de mim que realizei dormindo.
Estou empapada de suor. A febre cedeu.
Se eu pudesse tomar um banho frio sem ter que me levantar...
Não sinto fome, só enjôo.
Começa a chuva.
Removam o teto, por favor. Preciso urgentemente de um banho de céu."

Carolina Miquelassi

sábado, abril 19, 2008

"Eu tô curando a ferida"


Desfiam em seus cabelos os minutos, dias e luas do amado a não ver e não querer o beijo e o desejo sorvidos em doses de inconstância e certezas absurdas. Ela planta os pés na graminha e passa longos minutos a olhar as negras formigas a passearem-lhe pelos pés pálidos e de dedos tortos. As picadas já não lhe assustam, uma dor tão conhecida, mesmo assim ela as afasta antes que lhe apliquem o ácido. Não precisa arriscar mais uma vez.



°
Perdi o hábito de dialogar comigo irresponsavelmente e sem compromisso lírico.
Devo ter acreditado nos comentários quanto ao meu material escrito e tomei ares de intelectual pedante, hihihi
Minhas palavras norteiam-me silenciosamente através dos últimos dias e fatos.
Enquanto busco calar por dentro os dedos conjuntamente se negam a procriar.
Não determino datas ou rumos para tantas fugas.
Obtenho os silêncios e guardo em recipiente de vidro fosco minhas últimas tentativas de chorar.
Nada é terminantemente findo para que se façam malas com os cachecóis e grossas mantas de lã do último inverno.
Por vezes uma brisa ou réstia de sol atinge-me o rosto e fazem parecer que a primavera pode aparecer em qualquer estação, até na de trem.
Nada é perene.


Carolina Miquelassi

19.O4_14:58

sexta-feira, março 28, 2008


Descubro que não há lucros
e que há mais ilusões do que pombos na praça.

Muitas folhas de papel rasgadas,
tentativas de ser o que eu não digo.
E eu tanto digo o que sou sem conseguir...
Perdendo entre as falas mudas do dia
os poemas que não cabem nos papéis.
Respirações.
Unhas roídas.
Goelas secas.
Gotas de chuva, saliva ou sangue.

Imprimir no nada o meu verbo perdido.

Vamos falar com a pele ardida,
colar a palavra nas bocas unidas.
Viagem de dedos e tatos e unhas e marcas.

Impresso só o carinho.
Nada a mais.
Nada por dentro.
Como mostrar?
Como gravar?
Como esquecer?

Você volta que eu prossigo.
E digo e desdigo e repito e até grito...
O que for mais bonito que o beijo pedido,
perdido, o cafuné, o tesão.

Esse teu olho tão de perto
abrasa, acorda, arranca meu afeto.

sábado, março 15, 2008

Ela decidiu que, por enquanto, nunca mais vai gostar de alguém!

"Era como uma ausência quase que completa de sensações. Era enfim a inércia sensorial que tanto desejou. Mas porque então, nem mesmo assim, sentia-se bem? Será que nada seria capaz de lhe devolver a tranqüilidade?... Julgando saber o que fosse tranqüilidade.
Tentava não sentir tanta falta dos amigos e das pessoas que outrora desejava com doentia necessidade. Não que as tivesse esquecido ou não sentisse mais falta, só tentava não se importar. A precisão daquelas companhias a fazia possuidora de uma dor e uma profunda solidão por acreditar que seus minutos consigo mesma não importavam para ninguém, nem para si.
Por alguns dias conseguiu não ligar pra nada. Não ter as velhas necessidades, não esperar os contatos e telefonemas, passar as tardes sozinha e tudo isso quase sem chorar. No entanto seu processo de embrutecimento não estava concluído e já começava a notar algumas falhas de planejamento estrutural para executá-lo totalmente. A poesia (se é que havia mesmo existido) secara-lhe. As palavras sumiam antes de calarem-se por dentro. Sequer a cutucavam, empurrando-a para fora da cama de madrugada, como outrora. A madrugada! Seria pelo fato de agora estar tão exausta já no meio de seus dias que mal conseguia esperar pelo contato do corpo estendido e tenso no velho colchão de molas? Definitivamente faltava-lhe aquele ócio produtivo de que tanto falavam os mestres de literatura. O ócio do qual ela estava a fugir. Fugir de pensar para não sentir, não sentir para não pensar e com tudo isso não acontecendo ela também não escrevia mais.
Esse era o plano perfeito para não sofrer. Não sentir, não pensar, não escrever, não criar mais laços e não precisar mais de ninguém. Claramente que existia uma falha de execução nisso tudo. A menos que se isolasse por completo e isso não era ao menos provável, quanto mais possível de ser realizado no momento.
Estava habituada a gostar muito de algumas pessoas por algum tempo e depois esquecê-las, não se importando mais. Sempre fora assim e isso há tempos já havia deixado de incomodar. Não lutava mais contra a maneira com a qual os sentimentos se davam dentro dela. Acontece que também adquirira o terrível habito de se pensar. Se definir, ao menos um pouco, para poder ter uma breve noção não de quem era, mas de quem estava a ser naquele instante da definição. Ajudava um pouco a não se surpreender tanto com os julgamentos alheios, sempre tão diversos dos que se fazia. No fundo sempre soube que não suportava ver ninguém partir e sendo assim, algo dentro dela se despedia dos afetos antes que eles virassem-lhe as costas, algumas vezes sem sequer dizerem adeus. Foram tantas partidas, tantas saudades, tanta dor a lhe cortar a alma em tão finas postas que sentia que não podia mais. Via-se no limite, embora a realidade lhe desanimasse quanto a permanecer só, sabia que já não se tratava de mera escolha.
Tudo havia se agravado com um lampejo de lucidez que a fez deixar de crer nos mitos da infância. Descobriu só depois dos 25 que os romances eram coisa do cinema e dos livros. Foram muitas revelações em tão pouco tempo e sua sensibilidade protuberante não deixava nenhuma reação por menos. Não cria mais em muitas palavras. Percebia uma intenção oculta e controladora por trás de toda e qualquer definição de sentimento. Olhava para as pessoas a sua volta e notava claramente que ninguém partilhava dessas ‘revelações’. Todos ainda crédulos e felizes (ou não) e se não ao menos com a esperança dada pelas ilusões (essas sim compartilhadas). Se dissesse a eles porque tantos enlouqueceram e deram cabo de sua existência seria certamente chamada de louca e depressiva... Nenhuma originalidade nas alcunhas a ela dirigidas. Ria-se ao ver os outros julgando eternos seus instantes, mas após algum tempo já não havia graça. Nunca houve graça. Isso também era ilusão. Algo sempre a tocava por mais que se esquivasse. E as lágrimas derretiam sua convicção inabalável de não ter convicções e de não se deixar abalar. Nada mais a surpreendia. Nem as saudades, nem as paixões, nem as surpresas, nem os nadas da vida."

Carolina Miquelassi
02:08_15.03

terça-feira, fevereiro 26, 2008




O verbo anda mudo
E nesse mundo cheio
Eu tenho o meio certo
De te trazer pra perto.
Mas mudo e meio
Permaneço cheio
Desse meu deserto.
Quando o verbo grita
Espia em medo
O meio copo
De saudades cheio.
Entornado ao seio
Nem mais cheio nem meio.
Oco e tanto.
Carolina Miquelassi

sábado, fevereiro 09, 2008

"... molha meu olho que não vê"

Miró


Sinto-me tão preza dos meus sentimentos
e eles tão certos e fincados como Baobás enraizados em minha lucidez.
Libertamente presa às coisas que se mostram tão certas embora erradas.
Comprometida com certezas que não busco ter.
Tocada por mãos distantes e internas.
Beijada pelas lembranças dos meus lábios em sua boca.
Acesa por um sopro de pecado tão puro e natural.
Navegada por seus dedos/barcos atracados aos meus seios.
Inundada por seu mar/saliva/gozo, espuma doce e quente.
Corrompida por uma saudade oceânica e revoltosa.
Espancada por ondas monumentais de ausência e procura.
Penetrada por um sol que não me aquece.
Contemplada por uma lua que cotidianamente me abandona nua.

Carolina Miquelassi
13.12 / 00:33

sábado, janeiro 26, 2008




Enlouquece-lhe o que é efêmero [enlouquecida em ausência
inunda-se do instante que já não é [inundada em horas
abandona-se na saudade que não é mais [abandonada em tentativas
essa saudade que não é, que se vai, que não a pertence e que só lhe atravessa, ultrapassa e abandona.
Sozinha de saudade. Sozinha de paixão. Sozinha de futuro. Sozinha de presente. Sozinha de alma. Sozinha de passos. Sozinha de vontades. Sozinha de recomeços.

[O chá é gelado e a dor se espalha cintura abaixo.
Engole indiferente o que a boca já sentiu amargo]

Tudo soa como mesmo, como repetição.
Tudo soa como o mesmo velho sino que badala por costume ou profissão.
A palavra escrita, a ligação, a voz ao telefone, o mesmo som.
É muito, é suficiente e sempre faz falta.
É a outra volta no ponteiro dos minutos, a hora inteira, a madrugada.

A falta da palavra efetiva.
A falta da palavra.
A falta.
A falta que espessa o ar.
A falta que alonga as unhas.
A falta que finda o dia.

Momentaneamente, ela escreve cartas que não vai endereçar.
Pontualmente, ela perde o sono e põe a culpa no calor.
Ela respira, sente saudades e chora.
Ela enxuga lágrimas, fecha as janelas e acende a luz do amanhã.

Carolina Miquelassi

21.01_23:09

sábado, janeiro 19, 2008


"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."
Clarice Lispector
...
A vida, em todos os seus aspectos, tem me enfadado em demasia.
É um sono tão poderoso que cai sobre mim, me domina inteira.
Eu sequer desejo reagir a esse torpor.
Não espero que nada de bom aconteça, nenhuma surpresa virá.
Nenhuma pessoa nova, nenhuma viagem ou premio acumulado da loteria.
Nenhuma pipa ou bola de vizinho cairá no meu quintal.
Nenhuma janela saltará na minha tela trazendo alegria virtual.
Nenhuma notícia que surpreenda ou mude minha existência.
Nenhum milagre transformador se dará dentro de mim.
Não, não há esperanças aqui.
O ano é novo e tudo continua igualmente antigo.

.
Carolina Miquelassi
às zero horas e 20 minutos do dia 17 de janeiro do ano de 2008

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Olha as fotos do nosso amor!


Tantos "amores maiores que tudo", tão instantâneos e alarmantes.
Tantos "te amo mais que minha vida" de pessoas que se conhecem há apenas dois meses.
Tantos homens e mulheres uns das vidas dos outros que sequer se olharam direito nos olhos por pura falta de tempo...
Sou eu que enlouqueço de despeito e amargura ou as relações estão cada vez mais vazias?
Orkut é um closer – perto demais... Algumas pessoas nós nunca vimos, difícil avaliar, mas outras conhecemos ou um ou outro membro do casal de seres que se tornou um só... (detesto essa idéia de perda da individualidade...) da certa desconfiança de tamanha exposição e alarde desses relacionamentos.
Belas fotos maquiadas, descrições com juras eternas de sentimentos infalíveis e... Perto demais é que se sabe.
Se passamos mais de um mês sem olhar direito o ORKUT dos amigos podemos tomar grandes sustos. Encontrar seu amigo de pose sorridente ao lado de uma moça que não era a namorada dele há alguns dias... Embora o rodapé da foto parecesse ser o mesmo.
Quando se está perto demais de alguns desses casais ou quando se presencia ou vive estórias que te negam toda aquela verdade de amor que nos mostram álbuns, scrap com coraçõezinhos e depoimentos carregados de poesias copiadas com a ajuda do Google, o que pensar?
Há poucos dias uma amiga me mostrou indignada o perfil do ORKUT de um carinha.
Bonitão e no status do perfil, que não possui quase nenhum detalhe, estava muito bem legível ‘casado/a’.
O rapaz não era casado mesmo, mas esta é a forma como muitas pessoas colocam quando julgam ou querem demonstrar que seus relacionamentos são mesmo sérios.
Fui ao álbum (enquanto perguntava pra amiga de quem se tratava), lá havia poucas fotos e a última me chamou a atenção. A foto era absolutamente linda e eu juro que me comovi com a descrição do rodapé que, apesar de manjada e clichê, fez meu coração romântico se alegrar por ver um rapaz tão jovem apaixonado daquela forma. Os dois eram lindos e estavam sublimes, perfeitos, de dar inveja a qualquer um. Continuei ao MSN perguntando a minha amiga de quem se tratava, se era algum amigo ou amiga dela...
Ela me contou que tinha ido há uma boatezinha universitária - bem conhecida da cidade - na noite anterior e que havia sido paquerada por um rapaz durante boa parte da noite e que, com sua insistência e charme, acabou a convencendo em ‘ficarem’. Pois bem, beijinhos e detalhes aos quais não me prenderei a parte, o carinha pediu o telefone.
- Dou não.
- Pois então pega o meu.
Depois de mais um pouco de beijinhos etílicos ela acabou dando... O telefone, calma.
No dia seguinte, em frente ao pc, nessas férias animadérrimas daqui de Natal, ela fuçou (e quem procura acha) e encontrou o ORKUT do tal fulano (que por acaso havia dito que não tinha).
Bom, o resto já se sabe. O moço tinha namorada, uma linda (mas linda mesmo) garota loira de 19 anos, estudante de Direito de uma dessas 439 faculdades particulares existente na nossa pequena cidade. Adentrando às páginas do perfil encontramos muitos scraps apaixonados e depoimentos que me deixaram de queixo caído. Fui ao perfil dela também, tamanha a curiosidade e falta de algo melhor pra fazer que me moviam naquele instante. E o que encontramos lá foi só uma extensão do já visto só que com um pouco mais de cor de rosa e purpurina.
Eu fiquei mesmo muito enraivecida e nem foi pela minha amiga que só tinha ficado com o carinha uma vez. Eu fiquei pensando naquela menina de 19 anos. Quando a realidade que tanto eu quanto minha amiga já sentimos a nos amargar boca e coração respingasse também na sua alegria de amor fotogênico.

Eu já namorei um mentiroso compulsivo, portanto é compreensível minha descrença quase que absoluta nos seres do sexo masculino. O que me da raiva é que até as criaturas que não fazem parte da minha vida insistem em contribuir com a minha falta de fé nos relacionamentos verdadeiros.
Sei que eu ainda carrego no coração uns pacotes da pipoca açucarada das paixões literárias e das comédias românticas de Hollywood, mas sacanagem é sacanagem em qualquer lugar e a qualquer hora.
Olho também pras carinhas de criança que figuram estas ‘histórias de amor’ e me pergunto se tudo não passa do exagero e irresponsabilidade normais da idade. Afinal, eu me sinto uma velha caquética a cada dia que passa com tantas criaturas de 19 e 20 anos a minha volta...
Eu ainda quero acreditar em relacionamentos verdadeiros. Sei que pra isso precisamos de pessoas maduras, mas como será que essas pessoas vão chegar à minha idade com tanta superficialidade envolvendo seus sentimentos?
Espero que menos feridas que eu.
.
Carolina Miquelassi

4 de janeiro de 2OO8 às 04:18

terça-feira, dezembro 25, 2007


Eu não sei ser só.
Meu coração não sabe estar vazio.
Também não consigo ser de companhia.
Quando junto, desejo estar sozinha.
Não sei ter paz, mas não declaro guerra.
Não sei amar, mas não carrego ódio.
Falta-me operância para a vida.
Falta-me uma alegria que sequer perdi.
Falta-me a paz para amar sem dor.
Falta-me o sol para amar sem amargura.
Falta-me a chuva para amar sem pena.
Falta-me outra vida e mais tempo.
Falta-me não ser mais quem sou agora.
Falta-me um quê que a vida não me deu.

Carolina Miquelassi
[25.12 / 19:54]
.
“...não estou postando esse texto aqui, estou enterrando. Preciso que todo este sentimento desapareça”

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Nunca há uma história de amor para ti.
Seus finais são sempre Casablanca
Nos quais você é Hunfrey Bogart sem cigarros pra consolar.
Não há lenço nas despedidas, apenas um mar de gotas salgadas.
O que amas não é teu, o que queres partiu... Em dois pedaços inteiros.
Nada é para ti.
Não peças amor se é delito querer demais.
Amor não há, amor não há.
É fruta do pé vizinho
Não podes provar.
Destino de Camélia, de dama da paixão
Não desejes nada nobre
Tua nobreza é o linho
Não és Simone de Beauvoir.
Mereces observar os destinos dos amantes
E ornar a vaidade dos homens com fantasias
Mas amor não é para ti, cretina!
Amor não há, amor não há.
Ocupas os sonhos mais lascivos dos homens, mas não seus corações.
És digna dos desejos dos homens, mas não de seus amores.
És merecedora das palavras dos homens, mas não de desfrutar de seu convívio mais profundo.
A você são voltados os beijos e os toques dos homens, mas não seus planos e seus futuros.
És colchão e prato pras fomes dos homens, mas nenhum deles (se)quer (pode) saciar tua verdadeira sede.
[Carolina Miquelassi]
[21.12 / 06.23]
... "Comecei esse texto há mais de 3 meses e terminei hoje, em meio a uma crise de TPM violentíssima. Não quero me sentir assim novamente, portanto vamos encarar isso tudo como uma obra ficcional em que qualquer semelhança com fatos reais seja mera coincidência." ;)

quarta-feira, dezembro 19, 2007

A ferida e o dedo


A ferida por vezes lateja,
Por vezes coça,
Por vezes inflama.

A ferida está em relevo
E se não a vejo
O dedo sente.

A ferida em dias de chuva
Alerta a chegada dos pingos
Avermelhadamente.

A ferida repuxa, descasca
E cicatrizada
Ainda é ferida viva.

Todo dedo quer uma ferida.
E ela do dedo se esquiva.
Ela do dedo tem medo.


[Carolina Miquelassi]
[19.12 / 04:35]

As vezes eu escrevo cada coisa besta...

quinta-feira, dezembro 06, 2007


Homem-anjo de fogo
Em toda a sua andança
Não esqueça a quebrança

Que sente este coração distante

Inoperante querer, mitigado
Anestesiante passagem das horas
Tantas horas que se fizeram vida
E da vida não posso esquecer

Homem-anjo de fogo
Fez-me
carvão incandescente
Fez-me cantante e demente
Mas nunca na vida infeliz

Ao puxar-me brasa
Não havia lugar para arder
Não havia tempo para amar
Mas havia pra não morrer

Homem-anjo de fogo e sangue
Colhe-me o que resta de amor
E sempre há de restar amor
Homem-anjo de fogo e sangue


[Carolina Miquelassi]
[06.11 / 16:01]

domingo, dezembro 02, 2007



Versos postumamente lúbricos.

Quero te dar meu corpo em negros lençóis azuis
de rubro cetim macio e brilhante.
Dar-te corpo apenas, nada mais.
Porque nada mais de mim necessitas.

Palmilhando cada poro teu
e deles fazer sangrar teu suor sacrifício.
Cada milímetro de pele memorizado.
Arrancar-te pequenos vestígios,
guardados sob as unhas.

Toda curva e ondulação, protuberância,
gravadas na memória táctil de minha língua.
E não saber mais onde finda minhas mãos
e principia teus cabelos.

Nos teus joelhos pousar um beijo
avançando longa e lentamente...
Doloroso prazer causar-te aos meus lábios
em que língua e leite não se separem.

Na garganta deixar brotar rouco
o som da fonte desse mistério.
E ver que o tudo é sempre tão pouco
sem alma, o teu amor estéril.


Carolina Miquelassi

...

abstrair vídeo, ouvir música
http://br.youtube.com/watch?v=KDf4Pnw0ngQ&feature=related

segunda-feira, novembro 19, 2007

°entre a fogueira e o mar°


Entre tantos sentimentos errados
que eu tenho que sufocar.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim restará?
Entre tantos conflitos armados
que tenho no coração.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim quer se achar?
Entre tanto azul e arame farpado
que o vôo não sabe a direção.
Quanto de mim se perde?
Quanto de mim voltará?

Entre a fogueira e o mar.
Entre arder e afogar.
Entre perder e deixar.
Não te sintas seguro no amor,
ele é afogador,
afaga todas as ilusões,
afoga todo o teu calor.


[Carolina Miquelassi]
[07-18.11 / 21:13]

domingo, novembro 11, 2007

enforquemos o cupido.


sou eu que penso,
pendo
e mudo de idéia
quantas vezes for possível... e um pouco mais

pode ser que eu nunca saiba pra onde
pode ser que eu nunca queira ir muito longe
não vou querer pra amanhã o que quero hoje.
quero o agora, este minuto que não responde.

daí que ninguém me acompanha.
daí que ninguém permanece.
porque a minha forma de viver
ou cessa de querer ou se esquece.

[Carolina Miquelassi]
[06-11.11 / 23:10]

.
.

"Tu e esse teu jeito de ser tudo"

segunda-feira, outubro 08, 2007

Quando a gente acha que não sabe mais pra onde ir deve vir pra dentro!
=*

domingo, outubro 07, 2007


É inútil querer reter nas mãos o que só o coração comporta.

Vou mudar
e mudar novamente
e mais uma vez...
Até enquanto eu puder,
até não ter mais poeira nos olhos,
até o velhinho na esquina ficar com a barba azul,
até meus peixinhos nadarem em cima da minha barriga

Não me faça perguntas!
Já disse; em mim não há nenhuma convicção!
Hoje quero, amanhã também (ou não)...
Não sou nada por muito tempo,
nem sempre consigo permanecer
ao mesmo tempo tenho tudo em mim
... guardado, num frasco de vidro marrom,
pílulas pra ficar acordado... (às vezes pra dormir)


.......................................................................................................

"— Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes
Que um outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes —
Um outro que eu não posso acorrentar..."


[Mario de Sá Carneiro]
.......................................................................................................
.
"eu venho importunando alguém pelas madrugadas solitárias
que já não são mais tão solitárias nem vazias, apenas aflitivas...
meu cérebro coracional me diz que não devo ter medo, muito menos
me culpar, mas algo chamado sensatez me manda ter vergonha na cara
e procurar algo de mais utilidade pra fazer...
- É útil sentatez!
- É errado, sua louca!
- É um erro louco... Paixão é arte e arte não precisa ser útil!
- ...
- É isso! E tenho dito! Vá dormir consciência falida!
- ..."

terça-feira, outubro 02, 2007


Não encoste sua palavra em mim... A pele queima.
Não imprima seu verbo aqui... A alma geme.
Não toque firme meu desejo... A paixão começa.
Não explore meus silêncios... A boca delira.
Não aqueça meu ventre em profusão... O rumor emana.
Não transpareça minha cor... As mãos aguardam.
Não violente minhas saudades...
.
Agora é tarde, porque todos os meus pedidos foram negados no momento errado...
Eu sempre andei pelos caminhos errados...
Eu sempre cheguei atrasada em todos os lugares...
Eu sempre enxerguei muito tempo depois de ter visto...
.
.
"Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes
Jamais se detém Kronos, cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo."

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

sábado, setembro 29, 2007

É isso aí. Não me peça explicação se eu tô dizendo que chegou ao fim minha paixão. Não me pergunte quanto tempo pode durar... Em mim então, um ano ou um dia... (e lembre-se que houve inanição) Só não muda a intensidade... Mas no fim é tudo nuvem, chuva e terra molhada. Não se preocupe em me entender...
Não perca tempo tentando decorar o formato de uma nuvem, de uma bolha de sabão. Nem tente ter nada disso nas mãos... Por muito tempo.
Não me julgue. Leviana... Não sei. Inconstante!!!

Ai montanha russa... Amanhã, não sei o quê!

[Qualquer semelhança com a vida real é (ou não é) mera coincidência]

[01:10 / 29.09]

terça-feira, setembro 25, 2007

O último tango em Paris


// Meu corpo está exalando mais palavras em gestos inoperantes
que minha mente muda que muda a todo instante... Não sabe mais calar//
[14.09]
.
.
É uma vontade de não dizer que me toma.
Sensação de inutilidade em todas as coisas dizíveis.
Nada pior que palavras inúteis... Que sentimentos inúteis...
Nada pior?

Necessito-me calar.
Preciso de silêncio dentro de mim.
Venho buscando esse silêncio há tempos,
agora ele me cai como uma necessidade de ar.

faltadear...

Não estou encontrando final para nada do que escrevo...
Eu nunca soube mesmo terminar nada...




Quanto mais eu não digo mais as palavras falam dentro de mim.
Elas me surgem na hora em que me deito
como se para que eu (sempre eu) tivesse que fazer a escolha difícil,
levantar para não perde-las ou me deixar dominar pelo sono, pelo sono...?

[12:36 / 25.09]

sábado, setembro 15, 2007

Ao som d'O Teatro Mágico - O Anjo Mais Velho
.
.
Meu coração está explodindo em inúmeras sensações

novas,desconhecidas, reveladoras.
Portadoras e reveladoras de nenhuma verdade ou
segredo algum oculto no kósmos.
São estranhezas de mim. Sinto-me renovar.
Um ciclo, deve ser o ciclo do qual fala o horóscopo... No qual já não sei mais se creio.
.
As palavras estão perdendo o sentido.
Repita qualquer palavra muitas vezes, exaustivamente!
Não resta sentido.
Qualquer coisa deixa de ser o que era,
foi ou parecia ser...
Todos os significados me soam falsos e inconsistentes.
Falta-me fé ou falta poder de convencimento às palavras.
Tudo não passa de conceitos forjados em barro não cozido.
O constante sereno vai desfazendo a forma construída pelas mãos.
Um pouco mais de tempo e a forma já não é.
.
A palavra amor caiu de seu pedestal
assim como Deus, por mim, um dia,
foi destronada.
.
Amor pode ser criada, recriada, reinventada
reincorporada à nossa realidade ou necessidade
ou ser qualquer coisa que se queira que seja.
O amor não tem cara, nem cheiro, nem sexo
assim como Deus.
Portanto, Deus é aquilo que eu creio
e o amor pode ser também.
Sem regras criadas pelos homens,
sem obediência a ninguém.
.
.
Tudo é só o princípio de tudo.
“E o fim é belo incerto...”

domingo, setembro 09, 2007

Camille Claudel

Eu permaneço a andar em círculos dentro da minha cabeça.
Algum som de realejo vindo lá de fora me hipnotiza.
Me faz seguir a rodopiar em torno do meu eixo perdido.

Ensurdeço com o som do meu silêncio.
Quem foi que disse o silêncio não grita?

...
Coração adúltero, perverso, promíscuo,
salaz, confuso, extremo, insatisfeito,
eternamente faminto de mais e mais ...
Vazio, desértico, oco.
É quase tudo sempre pouco,
quase um etíope de tanta fome.
Quase um catálogo,
quase uma esquina,
um show de rock,
uma arquibancada das Diretas
Já!
O é e sempre há de ser
a tempestade em ventos e chuva
que leva e lava os esquecimentos.
Que molha e lambe os meus desejos
(In)Finita fome!
Infame!
Insana!
Insone!

...
Pra quem não dorme,
pra quem a fome não passa,
pra quem a falta não acaba,
pra quem não sabe o que é amor
e no entanto não vive sem ele
a lhe estourar no peito
sempre como uma promessa
de nada querer, de nada lhe dar.
.

[23:30]


sexta-feira, setembro 07, 2007


o que começou como uma resposta ao coment. de Dyego no post anterior ...

:(
o meu querido poeta já dizia 'o pra sempre, sempre acaba' ... ele só dura enquanto é pra sempre. Daí vem outro poeta que diz 'que seja eterno enquanto dure' ...
mas eu nem sei se acredito mais no amor, não no amor que sempre acreditei.
Sempre amei errado, sempre quis mais do que devia, sempre chorei nas horas impróprias, sempre fiz planos quando não podia.
Não, não creio mais nesse amor.
E se ele é uma escolha, como me disseram, como escolher a pessoa que queira receber nosso amor???
Não me venham com mais nenhuma teoria. O meu amor está morrendo 'o meu amor, o meu amor, Maria’* que era sempre o mesmo assim como ‘o fio telegráfico da estrada’* , entrou em curto circuito, explodiu. E nenhuma andorinha foi ferida ...

.
.
Eu continuo esperando ardorosamente o momento de não sentir mais NADA.
.
*Poeminha sentimental de Mario Quintana

terça-feira, setembro 04, 2007

Camille Claudel, "O Abandono", 1905

Pra ser lido ao som de Hallelujah - Jeff Buckley
http://br.youtube.com/watch?v=AratTMGrHaQ


poema/concerto para quatro mãos in câmara escura

As cordas de minha pele
há algum tempo adormecidas,
mal tocadas, feridas, mutiladas ...

Os acordes de minha carne
emudecidos, imolados, duramente abafados,
esquecidos de seu som ...

Acalentados por um sopro
distante, oloroso e quente.
Em meio ao sonho ‘luxurioso’
do qual não conseguem despertar.

Tocadas no aço que se fez tremura
por dedos inflamados de paixão,
num átimo, condenados ...
Não eram mais frios os meus acordes exaltados.

Concerto pulsante de fulgor e medo.
Entre lágrimas e ânsias,
entre o que ganho e o que peco (perco).
Em melodia suspirosa amanhecemos.
.
[11:48 __________ 00:12 / 04-05.09]
... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. . ... .. .
.
"Eu lucro pela cor do trigo.
Eis, o meu trigo!"
.
[Carolina Miquelassi]
'Colher' bolas de sabão ...
possível!!!
mas quanto tempo telas nas mãos???



domingo, setembro 02, 2007

"E porque vivo num filme Drama e as pessoas em redor num Romance? Como saio de prateleiras?"

Frase retirada de um post do Buraco Branco
http://buracobranco.wordpress.com/

Ce Que Je Suis - Holden
http://www.youtube.com/watch?v=ijiAas3DI2U



existe um anjo que nunca o foi.
nunca tive (tanto) medo de um anjo ...

terça-feira, agosto 28, 2007


Ok, eu precisava postar isso aqui.
Talvez você não faça idéia da importância que essa conversa teve pra mim ...
Pro meu dia, pra minha tarde, pro meu coração ...


>MiGuEl RuDe diz:
ia dizendo q é emo
>MiGuEl RuDe diz:
reclama demais pq é frouxa
>MiGuEl RuDe diz:
pedala carol!
(...)
>MiGuEl RuDe diz:
eu peço q galgue os degraus
>MiGuEl RuDe diz:
mas vc acha q elevador nunca vai dar defeito


Sou mesmo alguém que não sabe amar e que vive em busca de um amor de verdade mas que é pura invenção. Amor que nunca irei encontrar porque é puro fruto da minha cabeça. Melhor mesmo eu desistir... Ao menos por enquanto.
Sei que não é o que você me disse pra fazer, mas... Sou FROUXA!!!

sábado, agosto 25, 2007

quando não se sabe mais nada ...


A gente se acostuma com o que idealiza
e é difícil aceitar a realidade dos nossos sentimentos.
Quase não me conheço,
muito pouco sei de mim.
Me assusto e redescubro a cada instante.

Cada vez possuo menos convicções.

(...)

Não sei se me compreendes.
Que minha distancia é pra eu poder respirar.
Que tudo que evito é tudo que quero tocar
...


___________________________
“Eu tenho medo do inefável,
medo do que é instável,
medo do beijo que eu não dei (...)
medo, falhas, navalhas no espelho”

quarta-feira, agosto 22, 2007

Lições sobre o silêncio

Silenciar o que calo aqui dentro
É tarefa de carpinteiro.
E você não entenderia, não, não entenderia.

Tão difícil quanto compreender o sentido real de ‘calar’ ...

Ao mesmo tempo baixar a voz,
ao mesmo tempo penetrar, transpor, atravessar, invadir.

Abro calas ao som que me transpõe.
Baixo o som – pra fora – do que me invade, penetra.
Gravo com dedos e anzóis as linhas de corte do meu silêncio.

Imponho meu silêncio aos seus ouvidos.
Abafo e transponho para mim todos os sentidos.

Cala-me n’alma esse som batido,
silencioso e oco da palavra caindo ao chão.


Encontro assim, portanto a minha definição de agora para ‘calar’:
Imprimir n’alma a palavra que não sairá mais da boca.



... .. . ... .. . ... .. . ... .. .
Calar¹
Do lat. vulg. *callare, ‘baixar’, esp. ‘baixar a voz’,
Calar²
Do lat. calare, ‘fazer baixar’, ‘fazer penetrar’, gr. chalãn, ‘soltar’, ‘baixar’



quinta-feira, agosto 16, 2007

... um pouco mais de paciência

Ô coisa doída é matar um sentimento!!!
A gente morre um bocado ...

Resta agora procurar onde ainda há vida aqui.


...

"mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
a vida não para"

segunda-feira, agosto 13, 2007

E eu que jurava que estava esquecendo ... ou Ao Homem de Lata ou Já que eu não aprendo.


Eliminar lembranças.
Naquela caixa vou guardar
todas as que ainda me causam saudades.
O primeiro olhar com cheiro de espiga de São João.
A primeira noite que traçou sem piedade e pressa nosso fim.
A primeira saudade que de tão guardada já eu nem recordava mais.

As primeiras reais palavras.
A minha primeira convulsão no peito.
A primeira vontade de desistir ...
Seguida do primeiro encontro de lábios.
A primeira despedida.
E toda a conquista ... Displicente, para ambos???
Todo o despertar do desejo ...
E toda a necessidade ...
Toda a falta ...
Toda a contínua e aflitiva vontade.
E todas aquelas (estas) lágrimas também.

Dobro e ponho no fundo da caixa
(nada de ordem cronológica)
nossos corpos deitados lado a lado,
o cheiro da sua pele,
seu rosto de criança ao dormir,
sua respiração ...

Elimino as lembranças do meu dia-a-dia
e guardo-as muito bem conservadas nesta caixa.
Em meu peito não cabem mais tantas recordações
sua saudade ocupou mais espaço do que havia.

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sexta-feira, agosto 03, 2007

Homicídio amargamente qualificado

foto by: Gilson Rodrigues

Estou ao pé de minha dor
Derramo agora por ela minhas derradeiras lágrimas.
Estou ao pé de seu jardim (jazigo).
Não que ela esteja agora morta,
mas a estou sepultando.
Não sei bem ao certo ainda se quero mesmo mata-la.
Quero olhar um longo tempo para esta dor
e vê-la pouco a pouco morrendo,
lentamente, pelas mão de um algoz desconhecido..

Aparecerão os primeiros fios de cabelos brancos
em minha esperança.
Quase nada de certeza.
Quase nada de paixão.
Quase nada de misterioso e bom nesta vida.
Mas esta é a vida.
A única vida que tenho.

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segunda-feira, julho 30, 2007

"... e agora a chuva em meu rosto me faz chorar"

domingo, julho 22, 2007

Às vezes é bom visitar antigos sítios.
Tudo se trata do momento certo.
Eu realmente não quero continuar residindo no “misterioso país das lágrimas”.
Mas sair dele não depende só da vontade.
Eu preciso enxergar algo a minha frente.
Viver sem nada nas mãos, sem nada por colher, sem nada esperar ...
Seria o ideal, mas é vazio demais pra que eu possa suportar.
Não sei viver sem paixão, não mesmo.
E não concebo que alguém consiga respirar sem ela, muito embora por vezes ela nos tire o ar e ...

Quando eu era criança desejava saber como era viver num apartamento.
Desejava subir na parte mais alta da igreja em frente a minha casa.
Desejava fazer um passeio sozinha pela rua.
Uma vez escapei de meu pai no Museu do Ipiranga em pleno desfile de 7 de setembro.
Dei uma bela volta sozinha e livre pelo jardim do museu. Quando retornei meu pai estava pálido, morrendo de medo de eu ter me perdido. Acho que foi minha primeira grande aventura.
Eu deseja ter um irmão.
Desejava que não tivesse mais enchentes.
Desejava estudar à tarde pra não ter que acordar tão cedo.
Desejava

Acho que meus desejos (outros, não estes da infância) estão perto demais de se tornarem realidade ou outros são improváveis demais de se realizarem algum dia. Talvez por isso eu me sinta tão inerte, tão sem perspectivas e ilusões. Se bem que as ilusões nunca foram muito boas comigo, mas é triste admitir que sem elas é pior e que são elas que fazem a gente ter coragem de agir e sair do lugar. Assim como a Utopia ...
O que se faz quando não se espera mais nada? Quando não se acredita em mais nada? Quando não se acredita em surpresas nem em milagres? Quando se está cético para tudo e todos? Quando não se crê mais no amor e nas amizades?
Será esse o mal de uma geração?
Será esse um mal particular?
Como voltar a crer e esperar depois de tantas coisas destruídas?
Existem realidades das quais tomamos conta que nos transformam para sempre.
É impossível fingir não saber de nada, apagar da mente e continuar.
Há dores que nos destroem a ponto de não nos permitir mais amar.

Falta-me fé em mim mesma.
Faltam-me desejos.
Ou falta-me a coragem de torná-los realidade.

Quando se é criança podemos de tudo sonhar, tudo está tão longe de deixar de ser sonho.

terça-feira, julho 17, 2007

Ao Anjo da Lucidez

Pobres das pedras que não choram, não sangram, nem tremem de amor.

Eu não sou pedra, nem quero tornar-me uma!!!


Conserva-me a lucidez desse instante! Caralho*, eu sou feliz!


“Faça bom proveito do seu coração de lata.
Como o sol minh'alma continua intacta”
[Zeca Baleiro]

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*descobri q o word é deveras puritano ...

quarta-feira, julho 11, 2007

Carta de um breve adeus a uma breve (?) paixão.

Despeço-me aos poucos de meus sentimentos por você
Não entendo o porquê de gostar tanto de sentir isso ainda...
Aquela terrível sensação de estar perdendo algo fundamental,
de estar deixando algo que me fará eterna falta.
Fico sempre a me perguntar se sentirei tudo isso novamente.
Tenho medo, independente de qual for a resposta que o tempo venha me dar.
“Foi a última vez”, eu digo toda vez...
Foi nada demais “então pra quê chorar?
Quem está no fogo está pra se queimar, então pra quê chorar”

Despeço-me a cada palavra, a cada silêncio,
a cada lágrima que você não vê nem verá.
Perdi qualquer certeza que eu pudesse ter
acreditado possuir na minha vida.
Acho até bom não ter certezas.
Idéia louca que me bateu agora... E se você lesse isso?
Você lerá, porque resolvi agora que vou te mandar isso.
Sabe, num estou mais preocupada.
O que eu tenho a perder é o mesmo que tenho a ganhar...
Não sei como eu reagiria no seu lugar, não quero nem pensar nisso.
Tudo que escrevi nesse bendito blog
nos últimos muitos dias (alguns meses) tem sido pra você.
Não quero continuar com a certeza de que você não leu.
Não vai mudar nada.

Não sou criança como possa vir a parecer,
sou mulher e isso em matéria de coração partido
é imensamente mais drástico, pode acreditar.
Pode ser que se diga "como ela é boba, se iludiu porque quis,
eu nunca insinuei que corresponderia a todos esses sentimentos".
E eu com isso!?
Sempre soube... EU APENAS PRECISO DIZER EM LETRAS GARRAFAIS PRA VER SE ISSO SAI DE DENTRO DE MIM.
Não quero mais me esconder.
Só quero esgotar isso tudo.

“Quero lembrar de você até perder a memória”
Quero que termine já que não poderá viver.
Quero abortar esse feto natimorto que é meu ‘querer-bem’ por você.
Porque ele precisa do seu sangue pra viver,
mas este encontra-se temporariamente congelado não é mesmo...
Pense o que quiser e diga o que quiser
ou não pense e não diga nada se assim quiser.
Não apago minhas palavras nem os meus atos,
mas preferia apagar alguns sentimentos...
Não me entenda mal.
Ausento-me de mágoas, raiva ou algo semelhante.
Quero que permaneça apenar a ternura,
mas por enquanto há mais que isso...

Enquanto não posso mudar pra outro sistema solar
(ou enquanto meu coração não desiste)
eu fico por aqui desviando dos meus sentimentos inúteis
e das minhas vontades estéreis.

terça-feira, julho 03, 2007

Você entenderia se te contasse da minha saudade???
Se dissesse que meus dias têm sido uma espera, um desejar

e um tentar esquecer constantes???
Tenho uma certeza cortante que me diz que dentro da tua frieza

não encontrarei respostas.
Não sei como sair.
Não recordo por onde entrei...

"Turn, I'll turn this slowly 'round
Burn, burn to feel alive again"